Existe algo de novo no reino de “A Favorita”?

Sim, vou falar de novela! Se você é daqueles xiitas que acha que tudo que passa na TV aberta brasileira é um grande lixo e nem merece ser mencionado, pode pular para o próximo post. Só não comece um levante para queimar esse blogueiro que vos fala em praça pública…. sinceramente? Não vale a pena!
Pois bem, vejamos a cena:
Uma personagem, que é uma das boazinhas da novela (sim, todo folhetim está dividido em “bonzinhos” e “malzinhos”!), após uma cena bastante ridícula, onde ela é humilhada pelo patrão, tem que ir até a farmácia para comprar um batom para sua patroa. Chegando à tal farmácia, ela está olhando os batons e vê um dos que gosta e é caríssimo. O que ela faz? Oras, o óbvio: põe o batom que quer levar no bolso e se dirige ao caixa para pagar a compra da patroa. No caixa, obviamente, ela passa um carão, afinal toda farmácia chinfrim hoje em dia tem câmera de segurança. Ela claro se faz de boba e paga o batom. Simples assim!
Outra cena:
“A” personagem boazinha da novela (ainda estamos falando de um folhetim, certo?) é podre de rica e revoltada com as desigualdades sociais. Namora um rapaz pobre… claro, afinal ela é contra as desigualdades sociais. Mas eis que eles saem para jantar e se divertir. Uma balada básica que consome algo perto dos R$ 700,00 (quase o dobro do salário do jovem trabalhador!). Isso é o que eu chamo de programa de distribuição de riqueza!
E assim voltamos à pergunta inicial. Existe algo de novo no reino de A Favorita? Em minha opinião: SIM! Existe o talento do autor João Emanuel Carneiro (auxiliado por Marcia Prates, Denise Bandeira, Fausto Galvão e Vincent Villari) e a direção de Ricardo Waddington (auxiliado por Paulo Silvestrini, Roberto Vaz, Gustavo Fernandez e Isabella Secchin).
João Emanuel Carneiro consegue explorar em sua dramaturgia uma coisa que há muito estava esquecida pelos autores atuais: o mínimo de complexidade no caráter dos personagens. Em “A Favorita” volta e meia encontramos uma ação que não era exatamente a que estávamos esperando. Os personagens não são 100% bons ou 100% ruins (quem colocaria a mão no fogo por Donatela, Flora, Silveirinha ou ZéBob?). Eles agem, de acordo com as situações e tomam posições um pouco mais complexas do que estamos habituados a ver na TV. Só por esse motivo, seu trabalho já pode ser considerado brilhante.
Uma outra virtude dos autores é não esticar a trama aos limites do insuportável. O mais comum é termos uma ou duas chaves (ou descobertas) que se arrastam por uma novela inteira (será que aguentaríamos mais uma vez a famosa pergunta “quem matou Fulano”?). Pelo o que temos visto, várias reviravoltas “críveis” vão acontecendo no decorrer da trama. A platéia, um pouco menos adormecida, agradece.
Outro ponto positivo é a direção da novela. Atuações mais consistentes, atores melhores preparados e situações mais verossímeis são nos apresentadas diariamente. Os atores não estão fazendo a linha “malhados até os ossos” e, enfim, é possível um mínimo de identificação. Tudo bem, ainda temos a “pobre-linda-de-morrer-sem-nenhuma-cárie” e o “marido-ruim-que -nem-cobra-cascavel”. Mas, de tudo que vínhamos acompanhando anteriormente, ainda acho que estamos no lucro.
…
PS: Ok, ok… eu também acho que as novelas são completamente descartáveis… mas é um produto Pop que está aí! Muita gente assiste (sim, eu vi alguns capítulos esses dias!) e se puder ser um pouquinho melhor, por que não?
PS2: A Samantha já escreveu aqui no NossaVia sobre as telenovelas… um ótimo texto que você pode ler aqui!
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julho 12th, 2008 at 11:07
a novela é muito boa mesmo, mas tem algo insuportavel nela. vejamos, em uma cena a maria do ceu vai a sp compra um vestido, na loja come uns biscoitinhos, com o troco come em um restaurante fino a noite vai a uma vernissage e come, depois vai a outro restaurante fino e come o cardapio inteiro. acaba a grana, dorme na rua, volta para a casa do pai e vai direto para a geladeira, seu pai a manda embora e um amigo leva para sua casa e ela volta a comer. me diga peloamorededeus, onde ela comprou esta lonbriga pq eu tbem quero comer tanto assim e continuar magrinha. ta certo q seu papel e de uma retirante, mas ta mais parecendo com uma desesperada por comida. fora o fato de q come como se a comida fosse fugir da sua frente. UM SACO
julho 13th, 2008 at 06:07
Max,
Concordo com você, a novela é boa. Os personagens são, por assim dizer, um pouco ambíguos, você não sabe se eles são realmente bons ou realmente maus. Isso faz a diferença.
Até que enfim a Globo resolveu fazer uma novela que explore personagens mais reais.
bjs e adorei seu post!
agosto 6th, 2008 at 10:08
Não sou fã de novela, mas sempre assisto o 1º capítulo, pois são uma opção de entretenimento, e se o texto é bom por que não? mas a favorita tá difícil, o João Emanuel conseguiu ser pior que o Aguinaldo Silva. Não dá pra assistir mesmo. Saudades do Silvio de Abreu……….
agosto 7th, 2008 at 05:08
Desculpe “Tete”…
Mas, não concordo com você não!
O Silvio de Abreu não consegue sair do pastiche chatinho e arrastado de sempre!
João Emanuel (e auxiliares, já que ninguém faz novela sozinho!) estão conseguindo injetar um novo ânimo nesse gênero que já estava agonizando na mesmice!
agosto 7th, 2008 at 05:08
Olá ” lilaliss”
Mas a Debora Seco vai ser chatinha em qualquer lugar ou novela… aí, como o personagem “passou fome” (deu pra entender!!!) eles colocam ela sempre comendo….
Não dá pra se querer tudo , né?
É melhor.. mas continua sendo novela!!! hehehehehe
agosto 7th, 2008 at 05:08
Sílvio de ABreu é péssimo…ele fez a maior cagada em Belíssima.
agosto 12th, 2008 at 12:08
Pra quem gosta de ver discórdia, mentira, traição e encrenca, a novela em questão é boa; algumas pitadas de humor e bom senso amenizaria tanta agressividade, falta de confiança e amor………….;com o devido respeito a todas as opiniões.
outubro 8th, 2008 at 11:10
Me perdoem… mas complexidade tinham os personagens de Duas Caras, que faziam valer o título da novela, com protagonistas interessantíssimos e uma trama que gradualmente foi revelando a beleza de seus personagens. Claro que como em toda novela, Duas Caras tinha aqueles núcleos menos expressivos, porém vários núcleos, o que torna a novela muito mais difícil de ser escrita.
Mas A Favorita tem pouquíssimos núcleos e teria a obrigação de ser bem melhor elaborada.
Nunca me esqueço das entrevistas que João Emanuel Carneiro deu após revelar a Flora como a verdadeira vilã da trama. Nestas entrevistas, com pouca humildade e muita pretensão, o autor faz duras críticas a supostos clichês da TV brasileira, dizendo que a novela dele não será uma simples novela de mocinho e bandido e por isso a trama levaria este rumo que conhecemos.
Pois bem, o que vemos é uma total falta de criatividade, com grandes referências a filmes de ação e suspense policial dignos de Supercine e Domingo Maior, com os maiores clichês do cinema americano… e não estou falando daqueles filmes que são verdadeiras obras de arte como os dos irmãos Scott ou os de Scorcese, nem do De Palma e Coppola, muito menos os de Luc Besson, quem me dera este pretensioso autor brasileiro ter a brilhante idéia de copiar os filmes dirigidos por estes caras.
Mas muito pelo contrário, somos obrigados a ver uma série de cenas desgastadas e previsíveis, personagens esteriotipados, a política sendo tratada com humor (como se tivéssemos motivos para rir com a corrupção no país), núcleos fraquíssimos como o da cidade de Triunfo, uma série de acontecimentos surreais e buracos e mais buracos no roteiro.
Tudo isso com a ajuda de, para a minha surpresa, Ricardo Waddington! Meu Deus! O que aconteceu com o diretor de Mulhres Apaixonadas, Laços de Família, Presença de Anita… até quando ele dirigia Malhação era melhor que a sua direção de A Favorita. E como eu citei por tabela o autor Manoel Carlos, encerro esta crítica somente lamentando o tempo em que se copiava sim, o Maneco sempre copiou, mas copiava quem merecia ser copiado, ele copiou com primazia nada mais nada menos que o saudoso Stanley Kubrick, que por sua complexidade tem muito a oferecer para autores principiantes e até experientes.
outubro 8th, 2008 at 11:10
Ah… mais um detalhe… aconteceu com o João Emanuel aquilo que George Lucas batizou de síndrome de Darth Vader, ele acabou se trasnformando naquilo que ele mais tentou contrariar… a sua novela virou uma novela de mocinho e bandido! Clichê!
outubro 9th, 2008 at 11:10
Olá Derek…
Este texto foi escrito antes da suposta revelação da Flora como vilã e da volta do maniqueísmo à novela.
Realmente a novela voltou ao mesmo padrão mocinhoXbandido de sempre… o que particularmente, acho uma pena…
Mas não acho que seja tão ruim… assim como não acho que Duas Caras tenha sido tão boa.
Pelo menos as tramas não levam 30 capítulos para serem “reveladas”… muita coisa acontece, ao contrário de outras novelas em que todo mundo já sabe o que vai acontecer e fica só vendo mais do mesmo.
Clichê do cinemão americano? Quem dera… pois, no final das contas é apenas entretenimento rápido e rasteiro… como a TV esta cansada de produzir!
outubro 11th, 2008 at 02:10
[...] rotina de apresentações no interior do Paraná. Mas, eis que um comentário aqui no NossaVia, neste post aqui, acabou por me trazer um belo assunto para um novo [...]