Antes que o Diabo saiba que você está morto… de tédio!

Eu gosto de cinema. E é impossível não respeitar alguém que já dirigiu “Equus”, “Rede de Intrigas” e “Um dia de Cão”, que são, em minha opinião, filmes que já estão na história do cinema. Ao mesmo tempo, ao assistir ao relativamente novo “Antes que o diabo saiba que você está morto” é impossível, também, deixar de perceber como a carreira do diretor Sidney Lumet e cheia de altos e baixos. Normal… natural… afinal, ir ao cinema e uma aposta: tem dias que o filme te ganha! E tem dias que não!
A história tem tudo pra ser interessante (atenção, aparecem alguns spoilers a partir daqui!): Irmão viciado em drogas e com problemas no casamento faz uma proposta irrecusável para o irmão mais jovem e tão “ferrado” quanto. Realizar o assalto perfeito, exatamente na joalheria dos próprios pais, que receberão a compensação do seguro, ou seja, ninguém sairá perdendo. Simples, fácil, indolor e tranqüilo. Bom, quase… obviamente o assalto não da certo e acontecem duas mortes. A partir daí o filme começa tratar das culpas que os irmãos carregam, do desejo de vingança do patriarca da família e de uma espiral de ações que empurram o filme para um final trágico.
Seria ótimo, se não fosse tão obvio!
A partir dos 20 primeiros minutos do filme já podemos adivinhar praticamente tudo o que vem pela frente. Tudo mesmo! Não sobra nenhum surpresa em que podemos pensar “poxa, nessa o cara me pegou!”. Não! E olha que o filme prossegue por 2 horas e 40 minutos… é muito filme no estilo “Amnésia”! Um ir e vir no tempo que não pára nunca e a repetição de cenas que “deveriam” oferecer outras visões sobre os acontecimentos, quando na verdade acabam sendo somente “mais do mesmo”.
As atuações são um caso à parte. Philip Seymour Hoffman é um bom ator (ponto!). Tem uma atuação correta e sabe o que esta fazendo. Ethan Hawke se esforça… e se esforça… e se esforça… terminei o filme cansado por ele. O diretor esta apaixonado pelos seios de Marisa Tomei (é compreensível!), mas ela protagoniza uma das cenas mais estranhas do filme em sua despedida. E… e só! Nada de brilhante que possamos dizer “Poxa, só isso valeu o ingresso!”.
A fotografia não sabe pra que lado atira, usando um colorido estranho que estoura em vários momentos e que nos diz… o que é que nos diz mesmo? Ainda estou tentando descobrir. O mesmo vale para a trilha sonora.
Bom, já deu pra perceber que não me diverti muito com o filme.. nem me impactei, nem… nada. Talvez tenha sentido um pouco de tédio… mas nem isso é 100% certo. Resumo da opera? Vá assistir, mas só se não tiver nada melhor pra fazer!
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August 5th, 2008 at 12:08
Max,
eu gostei do filme! Pelo drama que trouxe com esses dois irmãos. Os quais os defini como rebeldes sem causas. Cujo pai, só ‘entrou no eixo’ porque encontrou uma mulher de ouro. Até nisso, os filhos não tiveram a mesma sorte.
A trama mostrou o quanto o lado emoção não deixou que trabalhassem bem com o lado racional.
Filme é assim mesmo, tem dia que toca, tem dia que não.
Beijo grande,
August 24th, 2008 at 06:08
Acho que não vimos o mesmo filme. Pra início de conversar o filme que eu vi durou 1h e 52m. Achei o filme muito bom. Nem um pouco óbvil como vc disse. Se vc conseguiu descobrir o aconteceria depois dos 20 minutos, por favor, me dê os numeros da mega-sena…
Ele não parece nem de longe com ?Amnésia? porque suas idas e vindas são cronológicas e não jogadas na tela como o outro mencionado. Apesar do mote ser bem parecido com “O sonho de Cassandra”, “Antes que o diabo…” é muito superior. Um filme conciso e ágil.
Mas e aquele coisa: a arte é de quem vê…
August 24th, 2008 at 05:08
Olá João…
Pois é… ainda bem que a gente pode discordar:
Citei “Amnésia” porque a fragmentação do tempo para fazer com que a platéia vá se inteirando aos poucos das distintas camadas de relacionamento dos personagens também é utilizado nele.
Acho que a maneira com que o tempo é fragmentado, realmente, é outra… mas o efeito, é o mesmo!
O filme tornou-se previsível porque depois que se descobre de quem é a loja que eles decidem assaltar, já se apresenta a chave trágica que obrigatoriamente vai reger todos os acontecimentos a partir dalí…. e, dentro dessa chave, a morte é a única saída.
1h e 52m? Só? Para mim parece que passaram duas semanas e meia… como o tempo pode se tornar relativo!