Days to come

Bonobo – Days To Come (2006)
Depois de tanto tempo escutando sons mais agitados e pesados, hoje me vejo uma pessoa mais tranqüila e que prefere muito mais uma melodia ao estilo after hours. Seja lounge, chill out, downtempo ou música de lobby de hotel. Não importa o nome, o que importa é que de uns tempos para cá só tenho ouvidos para esse gênero.
Bonobo é um belo exemplo dessa linha melódica que, às vezes, é puramente eletrônica e tem o auxílio de certos arranjos instrumentais e, outras vezes, é extremamente instrumental e conta com a ajuda de alguns elementos eletrônicos. Simon Green - seu verdadeiro nome - sempre gostou de experimentar vários instrumentos (flauta, saxofone, guitarra, violão) em suas faixas, brincando com eles aleatoriamente entre uma nota eletrônica e outra.
Nesse terceiro disco, “Days To Come”, tive a impressão de que ele quis algo muito mais instrumentalista. Além dos vocais graves de Bajka em algumas canções – o que ele não tinha arriscado nos dois primeiros trabalhos -, Bonobo pareceu revezar entre os improvisos do jazz contemporâneo e as batidas rápidas e fortes do soul. Para tanto, dou meu palpite de que ele sofreu considerável influência do Cinematic Orchestra (quando ouvi Transmission94 (Parts 1 & 2), logo pensei que fosse uma participação especial do grupo) e até do Lamb (Walk In The Sky tem um violoncelo tocado quase que igualmente pela dupla de trip-hop).
Por mais que não tenha influência de ninguém, o homem-macaco (trocadilho infame: bonobo, em inglês, é uma espécie de chipanzé) deu suas piruetas e conseguiu fazer um disco diferente, mas sem perder sua identidade do começo da carreira.
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