Duplas dinâmicas (parte 2)
No segundo episódio da série sobre duetos masculinos, os convidados são Bent, cujas músicas são recheadas de samples, e Zero 7, dupla que prefere deixar um pouco de lado os apetrechos eletrônicos e se concentrar mais nos instrumentos.

Bent ? Intercept! (2007)
Neil “Nail” Tolliday e Simon Mills têm uma personalidade peculiar em suas músicas. Tanto o primeiro álbum “Downloaded For Love” como o segundo, “Programmed To Love”, a brincadeira com tantos samples é constante, seja uma história sobre macacos no paraíso ou seja um trecho de música do Jerry Lee Lewis (essa música, por sinal, termina curiosamente com um despertador). Os elementos eletrônicos nada convencionais oferecem às canções um pano de fundo engraçado - isso quando elas não são instrumentais, o que as deixam ainda mais incomuns.
Em “Intercept!” Bent não é diferente, se não fosse pelo fato de ter uma sonoridade um pouco mais pop. ÿ verdade que eles nunca cantaram em suas próprias músicas, tanto que sempre pediram a cortesia de mulheres - uma delas é a vocalista do Kosheen, presente em algumas faixas do disco anterior, “Ariels”. Chegando aqui, você é surpreendido com a voz descolada de um tal de Simon Lord e um som mais voltado para a febre disco dos anos 70 ? influência que já dá para notar desde o início da carreira da dupla. Eles acabaram de comemorar dez anos juntos e, para presentear seus fãs, fizeram um DJ set especial. Quem sabe não sai um disco do forno para celebrar o décimo aniversário de Bent.

Zero 7 - The Garden (2006)
Meu primeiro contato com Zero 7 foi nas prateleiras das lojas de CD. Por incrível que pareça ? ou talvez por causa da tendência das pessoas em gostar de lounge music -, eu sempre via o primeiro disco da dupla “Simple Things” no meio das coletâneas do Café Del Mar. O título do álbum traduz o trabalho de Henry Binns e Sam Hardaker: coisas simples. A simplicidade com que eles produzem suas canções transmite serenidade, mesmo que as letras falem um pouco sobre saudades de casa e corridas contra o tempo para recuperar momentos perdidos.
E entre um acorde de violão e outro de violino, as batidas eletrônicas seguem quase despercebidas, enquanto Sophie Barker e Sia Furler revezam em suas cantorias ? cada uma no seu tom particular de voz. Uma trilha sonora ideal para se ouvir no rádio do carro e esquecer do trânsito caótico da cidade (pelo menos para quem mora nas metrópoles). Em “The Garden” eu senti falta da identidade do dueto. Sia continuou com seu jeito extravagante de cantar, além da participação especial e passageira de José Gonzalez. Contudo, os trompetes, os trombones e os saxofones não foram suficientes para me convencer de que esse foi o melhor trabalho de Zero 7.
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