Filmes que valem a pena ver - part II - Cinema fora do armário
Depois que comecei a escrever o NoGhetto, tenho visto muito conteúdo voltada ao público GLBTT. Tem sido um trabalho bastante interessante, em alguns momentos por perceber o quanto ainda há um pensamento muito superficial sobre este assunto, outros por encontrar material que consegue fugir do estigma “feito para gays” e se impõem no mercado como obras de arte/entretenimento com verdadeiro valor!
Desta segunda “categoria”, selecionei três filmes para indicar a vocês. São trabalhos bem feitos que divertem e fazem pensar, como todo cinema deve ser.
Com atuações de grandes estrelas espanholas, o filme cria uma divertida fantasia sobre os dias que antecedem a realização do primeiro casamento gay na Espanha. Entre outras coisas tem o mérito de discutir a figura da “Mãe Gay” compreensiva e prestativa. Claro que tudo com um tempero espanhol, cheio de reviravoltas e uma trama bastante animada, que vão desde a greve dos empregados do hotel onde será realizada a cerimônia (voltado para clientes gays, como o que existe em Barcelona) até as buscas por uma cachorra que vai unindo as histórias. O filme também oferece um painel bastante amplo sobre as diversas “tribos” do universo GLBTT, sem estereótipos, mas com alguns comportamentos facilmente identificáveis.

Mambo Italiano (idem, 2003)
Dos mesmos produtores de “O Casamento Grego”, fala do conflito de um rapaz, de família italiana, que está insatisfeito com sua vida e quer assumir sua orientação sexual. Além deste conflito básico, há todos os conflitos familiares comuns, que eu você e qualquer outra pessoa já deve ter experimentado ( e que deixa o filme com uma sensação de deja-vú!). Para incrementar mais o negócio, o grande amor da vida do rapaz não está tão seguro sobre esse outting total. Além de falar dos conflitos de um momento bastante “confuso” na maioria dos gays, o filem acaba discutindo de que forma a falta de aceitação influencia os demais “lugares” da vida. Tudo isso com muito bom humor e irreverência.

Eduardo II (Edward II, 1991)
Dirigido por Derek Jarman, esta versão da peça de Christopher Marlowe mantém toda a sua grandiosidade cênica para contar a história do Rei da Inglaterra. Em pleno sec. XVI, Edward II ignora sua esposa e abertamente assume seu amor por um plebeu. Claro que não é fácil enfrentar o clero, os pares e toda uma ideologia somente com o amor, some-se a isto as intrigas típicas das disputas de poder. Se nos filmes anteriores o bom humor assume espaço, neste aqui, o clima pesa e a hipocrisia e o preconceito são mostrados em cena de maneira direta e plasticamente impecável. A direção completamente anti-realista cria metáforas incríveis com as quais nos impactamos, exigindo outras interpretações que não as óbvias e diretas. Para quem gosta de um cinema autoral e com muito estilo, é perfeito.
Não sei dizer se estes filmes estão disponíveis em quaisquer locadoras, mas uma pesquisa mais ou menos apurada fará com que encontrem este material por aí. Eduardo II já está disponível no YouTube e os outros… bom, vocês devem saber encontrá-los mais facilmente do que eu.
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