Cores japonesas em São Paulo
Pelo meu sobrenome, é fácil imaginar que sou meio oriental. Meu pai é filho de japoneses e fui criada com muita intimidade com esta cultura, que posteriormente aprendi a apreciar com olhos mais maduros e sobre a qual estudo sem parar. No entanto, até eu, apaixonada pelo Japão, me surpreendo quando vejo como a sociedade brasileira está assumindo os festejos do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Apesar de ser um dos grupos de imigrantes que chegou mais tarde ao Brasil (quase cem anos depois dos alemães e décadas depois dos italianos, para fazer apenas duas comparações), os japoneses sempre chamaram atenção. O idioma, que as primeiras gerações mantiveram a todo custo, os hábitos e especialmente sua aparência diferente sempre os distinguiram dos outros grupos brasileiros.
Mas o que faz dos festejos do centenário uma festa popular é a curiosidade e o interesse pela cultura japonesa. Seja pelo tradicional ou o hitech, o Japão é interessante. E em São Paulo atualmente é possível ver várias faces do Japão antigo e atual em exposições e mostras que permitem montar uma colcha de retalhos e criar sua própria imagem desta cultura milenar.

No Masp, o Japão mais moderno e aparentemente desprovido de tradição pode ser conhecido nas fotos inusitadas e um tanto insanas de Tatsumi Orimoto. As fotos, expostas no subsolo do museu, são na verdade parte de instalações, pois há fotos e vídeos com o making off das situações loucas que o artista passou para criar suas obras. Na maior parte delas, a mãe do fotógrafo, uma senhora que sofre de Alzheimer, posa impassível ao lado do que, do outro lado da foto, nos tira do sério.
Se for ao museu, não deixe de passar no segundo andar e ver no acervo contemporâneo, o auto-retrato do pintor nissei (filho de japoneses) Jorge Mori. Um jovem de 15 anos posa pintando um quadro com uma árvore de Natal ao fundo, numa alusão à mudança cultural que já acontecia com as famílias nikkeis (descendentes de japoneses) no Brasil, que deixavam as religiões tradicionais (budismo e xintoísmo) e assumiam os festejos locais, como o Natal cristão.
Para saber mais de Mori, uma mostra reúne obras dele, Tsuguharu Foujita e Tadashi Kaminagai no Centro Cultural Banco do Brasil. Obras dos três artistas em momentos importantes para o período artístico brasileiro, reunindo cerca de 100 trabalhos e documentos da estada de Foujita no Brasil, a pintura de Kaminagai quando de sua residência no país, e a quase desconhecida produção do jovem Mori (dos 14 aos 20 anos) que o tornou uma revelação na década de 1940, mostrando diferentes visões desses artistas sobre o Brasil.
Achou pouco? A Caixa Cultural também presta homenagens ao Japão até a data do centenário, dia 18 de junho. No MAM está a exposição Quando vidas se tornam forma: diálogo com o futuro – Brasil / Japão, que a abrange aspectos da arquitetura, da arte, da moda e do design em cerca de 140 obras (de 21 artistas brasileiros e 18 japoneses) que usam a tecnologia e o cotidiano e guardam relações entre si, mesmo vindas de culturas tão diferentes quanto a brasileira e a japonesa.

Mas a grande vedete dos festejos do centenário está na Pinacoteca. O Florescer das Cores – A arte no período Edo, resultado de uma parceria da Agência de Cultura do Japão e a Pinacoteca do Estado de São Paulo especialmente para a ocasião, traz ao Brasil objetos provenientes de 18 museus e instituições culturais japonesas, traçando um panorama de um dos períodos mais interessantes da cultura japonesa: a Era Edo. De 1603 a 1868 o Japão viveu um isolamento do mundo exterior e por três séculos desenvolveu fundamentos estéticos e filosóficos de diferentes manifestações culturais e consolidou sua identidade nacional. Esta identidade pode ser conhecida na exposição, que traz ao Brasil adereços, cerâmicas, porcelanas, artefatos em laca, mas acima de tudo peças de indumentária (quimonos e outros) de samurais, atores de Kabuki e Nô e de nobres japoneses do período. Algumas das peças são “importantes bens culturais” do Japão e uma delas é um “tesouro nacional” do Japão (uma espada do século XII). Imperdível.
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April 28th, 2008 at 06:04
Pois é, fico encantada com tudo que se relaciona a Japão. Ontem à noite fui a um show de rock e fui comer um temak . Está vendo?
Fui visitar os links indicados. Fiquei maravilhada. Parabéns pelo texto. Como sempre: um mundo de informações.
June 8th, 2008 at 10:06
[...] P.S. Para quem quer aproveitar as principais exposições japonesas aqui, reuni as dicas aqui Cores japonesas em São Paulo. [...]
June 9th, 2008 at 05:06
sempre gostei muto de arte em especial de TADASHI KAMINAGAI,ele foi hospede de nossa casa no interior do maranhão no ano de 1953,onde fez pinturas lindissimas da natureza pura q ele gostava tanto ,foram vários meses de trabalho ,, plantas,flores, índios se misturando na natureza fotos etc.ele era simplesmente fantástico, tenho orgulho de te-lo conhecido pessoalmente e admirado sua obra da qual sou sua maior fã.