O Signo da Cidade
Mas a cidade da São Paulo Fashion Week, da gastronomia rica e dos bares de família, da suntuosidade e a riqueza da Paulista ou dos Jardins, da diversidade étnica da Liberdade e do Brás não aparecem na telona quando assistimos ao filme, que tem roteiro de Bruna Lombardi e Direção de Carlos Alberto Riccelli. Como no primeiro filme em que fizeram juntos como diretor e roteirista, S.O.S. Stress, Orgasms and Salvation, o foco são as pessoas comuns e seus dramas íntimos.
Eu confesso, este tipo de filme não é exatamente o que eu chamo de lazer, porque me estressa pensar na vida como uma coisa tão banal e um deprimente beco sem saída. A sensação de falência, de insucesso, nos acompanha durante a maior parte do filme e esperamos, ansiosamente, a redenção. Felizmente ela vem (preciso falar isto, mesmo que arrisque “estragar” sua ida ao cinema) e a sensação ao se sair da sala de exibição é de que, como diz um dos personagens, “algumas coisas podem estar escritas nas estrelas, mas nós escolhemos nosso futuro a partir de nossas ações“.
O ótimo elenco (Eva Wilma, Juca de Oliveira, Malvino Salvador, Graziella Moretto, Denise Fraga são os “globais” que contracenam com outros atores bons) faz do filme - uma história entrecortada que lembra Crash No Limite - um labirinto que desejamos seguir para encontrar o final. Nele, temos um “guia”, o personagem Gabriel, vivido por Kim Riccelli (filho de Bruna e Riccelli), que como um anjo nos faz torcer por sua felicidade e consequentemente a dos outros. É ele o personagem que não aparece real (com defeitos e qualidades cruas) e por meio do qual concluímos que vale a pena continuar.
Li alguns textos sobre o filme, no Cinema com Rapadura, no Cafri e no Acqua, o que me desobriga de comentários técnicos, pois não sou crítica de cinema. Mas deixo meus elogios ao figurino, que tipifica e caracteriza os personagens em suas “classes” e “tribos”, e aos cenários, que embora mostrem uma São Paulo ) decadente, velha, estragada (e aí me deixa triste saber que será um Brasil) a cidade parece com lares e ruas reais. Comentei com meu marido ao sairmos da sala de cinema que “há outra cidade, aquela em que nós vivemos”. Vi no cinema uma cidade que não é a minha, mas não posso chamá-la de falsa. É um Brasil tão ou mais real do que os divertidos Se eu fosse você e Sexo, Amor e Traição, e menos cruel que Cidade de Deus e Tropa de Elite, mas, infelizmente, mostra aquele Brasil que queremos negar e está exposto em Central do Brasil. O mérito, deste e de outros filmes que mostram a realidade brasileira que se funde em São Paulo é deixar claro que nosso país está renascendo, com os novos milionários, com o nova vida do cinema nacional e com uma nova visão de si.
A história
A personagem principal, Teca, vivida por Bruna, é astróloga. Segundo ela, “não dá para sobreviver em São Paulo sem solidariedade, sem receber ajuda e sem dar ajuda a alguém” e Teca o faz bem, todas as noites no seu programa de rádio e no atendimento a amigos e clientes que buscam nas cartas de tarô e nos mapas astrais respostas para seus problemas.
Desde que comecei a ver as chamadas o filme me chamou atenção. Por morar aqui, a realidade paulistana me atrai. Hoje em dia entendo mais este apego do paulistano ao que é seu, aquelas coisas tão daqui que se sustentam numa autofagia (como a dos filmes novaiorquinos de Woody Allen), os programas ao vivo da Record, as rádios que falam do trânsito, enfim, coisas que achava estranhas quando eu só visitava os parentes de meu marido e hoje são parte da minha rotina.
O filme entrou em cartaz em São Paulo dia 25 de janeiro, data de aniversário de 454 anos da cidade, sendo exibido em dez salas de cinema da capital. Mais detalhes aqui. Quer decidir se assiste ou não? Veja o trailler abaixo.
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sempre é quase tudo mesmo uma torrre d babel, um emaranhado d ações, fatos, notícias, idéias, sentires e gente, sempre gente. a idéia é não se assustar com essa diversidade e sim saber viver em meio a ela, num crescer d camadas invariavelmente cada vez mais rico em texturas - mas com leveza; com leveza sempre.
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Assisti no final de semana o filme O Signo da Cidade. Embora mostre uma São Paulo que eu desconheço, ele é, estranhamente, um retrato da experiência que vivemos na quarta maior cidade do mundo. Vidas entrecortadas e histórias que se cruzam. …