Probably art

Day One – Probably Art (2007)
Não gosto de hip-hop ou qualquer outro gênero que tenha a menor semelhança, porém tenho de tirar o chapéu para o Day One. Phelym Byrne e Donni Hardwidge tocam músicas que misturam um hip-hop amigável (leia-se: dá para entender o que eles cantam, pois não usam gírias de guetos e afins) com música eletrônica, rock e um pouco de folk.
Diria que é uma reinvenção da música eletrônica, o que é muito difícil de se encontrar por aí. Criatividade não falta para eles dois: mesclam vários instrumentos – além do violão e da guitarra, eles arriscam na flauta, na gaita e no saxofone -, com efeitos sonoros bizarros (macacos gritando e cavalos relinchando, por exemplo) e, claro, as batidas de breakbeat que originaram o movimento rap nos anos 80. Esses e outros elementos se harmonizam de uma maneira muito divertida, tornando o álbum legal de se ouvir até o final.
É até difícil de imaginar alguém cantando rap e tocando violão. Simplesmente não combina, mas quando você ouve a dupla britânica em ação, você acaba mudando de idéia. Entretanto, para que sua opinião realmente seja a mesma que a minha (de que é uma boa sugestão musical), remova de sua mente qualquer artista de black music do cenário atual (50 Cent, Snoopy Dog, P. Diddy e outros os quais me recuso a lembrar o nome). A partir daí você estará plenamente apto a escutar o som inovador do Day One.
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julho 15th, 2008 at 02:07
vou tomar parte dessa sua recomendação.
só n entendi o tal pre-conceito diante da musica e dialetos oriundas(os) do gueto.
é bem tipo de alguém que nunca teve um contato real com o hip hop de verdade.
pois todos esses que vc citou são os mais famosos e os que menos representam a cultura hip hop.
ouça bandas de rap de verdade e veras que sua opinião está equivocada.
julho 15th, 2008 at 01:07
José, espero que goste do Day One. Quanto ao hip hop, não adianta, não consigo gostar do som. É questão de preferência mesmo, nada de pré-conceitos.
Quando citei os mais famosos, logo imaginei que levantaria uma certa revolta dos que são fãs dos verdadeiros artistas de hip hop. Fica aí uma boa observação ao meu post: os de hoje não chegam aos pés dos originais.
julho 19th, 2008 at 01:07
Existe uma diferença entre o Gangsta Rap à la MTV (Astros do Hip Hop) com suas correntes de ouro, as mulheres seminuas, além de toda aquela batida repetitiva e aqueles que sempre utilizaram o rap com a linguagem do gueto para falar da vida de forma divertida ou não. Como o Afrika Bambaataa e no Brasil o DJ Thaíde. Todo mundo tem o direito de não gostar, pois minha irmã é negra como eu e detesta…rsrsrs. Prefere MPB e Black Music da era Montown. Ela acha horrível esse povo falando de pobreza, miséria e violência o tempo todo. Se sentindo sempre coitadinho do sistema… E o pior é que ela tem razão, e ok, sabemos que é sobre o dia-a-dia da periferia, mas o conteúdo nacional é repetitivo.
Eu gosto dos dois estilos, mas, prefiro atualmente, dos homens que sofisticaram o hip hop como Kanye West e Pharrell Willians. Ainda usam dos artificios mulher-blin blin-carrões, mas de forma mais leve e são beeeem mais criativos. Inclusive, Kanye é fã de Radiohead, tanto, que utilizou uma das músicas do grupo em suas canções de “Graduation”. Gosto do Snoop por uma questão de carisma, droga (rsrs), mas acho que ele também está mais comedido e sofisticado, principalmente em seu último trabalho o “Ego Trippin”. Outro que destaco é o Jay-z que sabe misturar tendências antigas e misturar ao seu som. Para quem não se interessa parece tudo a mesma coisa vendo os clipes da MTV e o pior é que soa mesmo, principalmente, entre as manos e minas. Mas é preciso sair da MTV e ir a outros lugares menos comerciais onde sempre veremos bons e verdadeiros astros.
A black music atual (comercial) está sendo representada pelo Gangsta Rap, assim como o Rock com o movimento Emo (blargh). Eu acho que é apenas um nincho dos sons, mas não um panorama de toda o movimento. Já as gírias do “gueto” elas existem até entre os que curtem rock, já que é algo ligado a tribo. Entretanto, acho que o hip hop exagera (sobretudo o nacional), mas não é algo comum a todo o movimento. Generalizar não é legal, mesmo.