Teatro… Que experiência é essa?
Antigamente, os teatros faziam temporadas que iam de terça a domingo, sendo que nos finais de semana eram comum haver sessões extras ou então o que se chamava de matinê. Espetáculos de autores nacionais ou estrangeiros, realizados por atores profissionais ou amadores conhecidos, levavam milhares de pessoas aos teatros das grandes capitais para rir, chorar ou simplesmente divertir-se com a “magia” do teatro.
Hoje em dia, a maioria dos espetáculos faz temporadas apenas de quinta a domingo e muitas companhias com produções de grande qualidade não conseguem lotar suas apresentações. Por quê?
Teatro é chato! - foi o que ouvi algumas pessoas (que nunca foram ao teatro) falarem. Mas também não existem filmes chatos? Teatro é caro! - diz outro que acabou de pagar R$ 38,00 para comer uma pizza que não era lá aquelas coisas. Eu nunca entendo o que eles querem dizer! - falou um outro ainda que se acaba de dançar um rock inglês, sem falar uma única palavra do mesmo.
Ora, como toda produção artística, existem bons e maus espetáculos. Existem espetáculos em que o ingresso é uma exorbitância porque tem o ator global no elenco (o que nem sempre é sinônimo de qualidade!). Assim como existem espetáculos que são mais radicais em suas pesquisas estéticas, e que exigem sim, um conhecimento prévio de quem está indo ao teatro.
De qualquer maneira, o teatro é uma experiência distinta das outras artes e principalmente do cinema (com o qual é mais frequentemente comparado). O teatro é umas das poucas artes que oferecem uma experiência “viva” para o espectador. Uma pessoa de carne e osso, frente à outra pessoa (o espectador no caso) contando ou vivendo uma história. O que acontece naquele momento nunca mais se repete.
E assim como podemos passar por uma experiência ruim como as citadas anteriormente, podemos também nos surpreender com a força que o teatro tem para comover quem o assiste. Quem já teve oportunidade de assistir ao “Terça Insana” (para começarmos com um exemplo mais Pop) no teatro e também em DVD, sabe como a experiência ao vivo é muito mais intensa! Quem não saiu com dores no estômago por causa desses atores que até pouquíssimo tempo atrás não eram conhecidos no grande público?
Assim como esse, existem inúmeros outros exemplos de bons espetáculo de humor, drama, comédia, tragédia que oferecem bons momentos de entretenimento ou reflexão para a platéia, cabe a nós encontrá-los e experimentar algo que saia um pouco do óbvio. Porque o bom teatro sempre tem este diferencial: ele nos dá uma experiência que foge da linguagem óbvia e imbecilizante da televisão aberta. Ele instiga o pensamento crítico e a necessidade de exercitar o raciocínio. Ele se encontra com os nossos sentidos unindo a literatura (com o texto), a música (através da sonoplastia e da musicalidade das palavras), as artes plásticas (através dos cenários e da iluminação) e a dança (através de coreografias e da expressão gestual).
Não espere que os ótimos espetáculos que estão por perto de você só ganhem sua presença depois que conseguir reconhecimento da grande mídia. Arrisque-se! Quem sabe você não dá de cara com o próximo grande sucesso da temporada? Procure as programações dos teatros perto de sua casa e saia do óbvio.

* Fotos de divulgação dos espetáculos “Terça Insana” (ator Octávio Mendes) e “Medéia - outra versão” (atriz Denise da Luz).
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novembro 12th, 2007 at 05:11
na realidade o que falta é hábito para irmos mais ao teatro!
novembro 12th, 2007 at 07:11
Eu sinto do teatro que é também um espaco bem bonito para compartilhar e conhecer outras pessoas e se-conhecer.
Bom… Boa idéia isso de NossaVia e espero que continuem querendo fazer bem!
novembro 12th, 2007 at 08:11
Max, tenho tido uma educação cultural através de meus filhos. Cresci no interior do Paraná e o teatro, definitivamente, não fez parte da minha formação. Depois, já aluna no Cefet e na Federal em Curitiba, eu ia, mas confesso que “se os atores globais ou os textos muito conhecidos me convencessem”. Não foi jamais um hábito. Mas com meus filhos, que já nasceram tendo o teatro como uma alternativa cultural (mais ainda, uma imposição do trabalho da mãe, que é jornalista num portal de cultura infantil e mora em São Paulo), aprendo que o teatro é uma delícia. Nunca é tarde e sempre é tempo de experimentar sim!
Já vi que vou continuar minha educação teatral nas suas colunas aqui.
novembro 12th, 2007 at 09:11
Engraçado que você fala de uma grande maioria de pessoas que relutam em admitir que ir ao teatro, assistir um espetáculo pode ser tão (ou mais) divertido do que uma sala de cinema, porque, percebo que nesse ínterim, Belo Horizonte é hoje um núcleo de desenvolvimento teatral muito forte.
A gente tem a maior campanha de popularização do teatro e temos iniciativas já consolidadas no calendário cultural da cidade, como o Palco BH, o Festival Mundial de Circo e o Festival de Bonecos que tem levado muitas pessoas a esse tipo de entretenimento. Mas as temporadas regulares de teatro ainda são deficientes. Independentemente disso, o profissionalismo das produções cresceu muito. A gente faz parte de uma geração que acompanhou muito bem essa evolução e acho que ela tem um pé nisso.
É claro que não é responsabilidade só da nossa geração, mas podemos ver que quem efetivamente está trabalhando e ocupando a maior parte das produções no teatro mineiro é a nossa geração. Vejo surgindo novos atores, novos grupos que vêm com esse mesmo pensamento. Pessoas que fazem teatro porque um dia começaram a freqüentar e não se decepcionaram, gostaram daquilo que viram e estão por aí, passando adiante a experiência.
novembro 13th, 2007 at 05:11
Aqui em Campinas temos uma iniciativa muito interessante do Teatro Tim, sou avisado por email sobre a estréia de todas as peças, Imprimindo esse email eu pago R$ 5,00, mas somente na estreia, o que causa uma sensação ótima para os atores, porque TODA estréia o teatro fica lotado.
Tenho assistido a muitas peças ultimamente.
novembro 15th, 2007 at 01:11
OPa!
*Pois bem João Paulo, também acredito que falte o hábito para o teatro mas, como fazer para mudar esta situação?
*É verdade Andrea, o Teatro pode ser mesmo um local de auto-conhecimento!
*Que bom que a “obrigação profissional” neste caso ajufou a criar o hábito de ir ao teatro… tenho certeza que seus filhos agradecerão no futuro, Samantha!
* Olá Bion! BH é, com certeza um dos grande pólos do desenvimento cênico do país… enquanto Rio e SP estão mergulhados em toneladas de espetáculos comercialescos (com excessões, claro!), outras capitais do País vem mostrando fôlego e oferecendo opções inovadoras! Nos falta “vitrine”!
*… e campinas é um exemplo claro desta produção efervecente!!! Aproveite Franklin!!!!