Wall-E acredita na humanidade!

Muitas pessoas já escreveram sobre o filme Wall-E. A maioria delas retratando suas qualidades como cinema de animação, outras o classificando como um filme perfeito. Não sei se chego a essa afirmação, pois desconfio da perfeição (hehehe), mas sou obrigado a dizer que me emocionei bastante com o filme e, como artista, encontro algumas respostas no trabalho da Pixar que me fazem ficar contente e acreditar que a humanidade tem salvação (algum dia!).
Vamos por partes: tecnicamente o filme é impecável. Como sempre acontece nos filmes da Pixar, a direção consegue equilibrar ação, drama, romance e comédia em uma produção que nos faz passar por uma gama imensa de sensações. A fotografia é com certeza perfeita, pra não dizer impressionante!

Mas o que mais me interessa falar sobre a Pixar não é o apuro técnico. Assisti a quase todos os longas feitos por esse estúdio (Não sei por que nunca me interessei em assistir “Carros”.) e sempre tive interesse pelos temas levantados por eles. Desde as brincadeiras com Toy Story até a diversidade de Monstros S.A, passando pela apaixonante jornada do herói em Procurando Nemo, pelo humor e redenção de Os Incríveis e chegando ao herói (Remy - o rato) mais inesperado da história em Ratatouille. Não creio que tão cedo se apagará de minha memória o discurso final do crítico culinário Anton Ego sobre as dificuldades em aceitar as coisas que fogem a padrões pré-estabelecidos.
E neste Wall-E as coisas não são diferentes. Se as crianças se ligam ao filme a partir da ação e das gags apresentadas e bem dosadas ao decorrer da película, nós adultos também temos muito o que ver por ali. Não deixar de ser interessante que o mundo esteja tão destruído e que os humanos que sobraram estejam tão obesos que não consigam mais nem andar. Sim, apenas um pequeno exagero (?) da terra em que vivemos (por enquanto!). E este pequeno robô parece ter reunido nele todos os nossos desejos mais secretos: a necessidade de encontrar um outro que nos complemente, a nostalgia por um tempo que passou e que parecia conter muito mais magia do que o nosso hoje.
Nessa busca ele fará tudo o que é necessário para re-encontrar seu amor… opa, amor? E ele ama? Não sei. Mas depois de tanto tempo só, ele encontra alguém com quem pode tentar dividir sua solidão. E insiste. Insiste até as últimas consequências, doando-se para o outro e chegando à sua quase completa destruição. Quando tudo parecia perdido eis que encontramos um resquício de vida naquela pequena máquina deixado em uma terra desolada, assim como é encontrada uma pequena planta frágil em um planeta destruído.
Os diretores da Pixar parecem querer mandar um recado para nós, espectadores: Existe por aí um resquício de humanidade. Pode estar escondida em algo ou algum lugar completamente impensável… precisamos estar atentos!
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July 19th, 2008 at 10:07
Olá Max:
Ainda não fui assistir Wall-E e por incrível que pareça, não me interessei por Carros”(Não sei por que nunca me interessei em assistir “Carros”.) e sempre tive interesse pelos temas levantados”. Concordo com você.
O outro filme que me emocionei e o faço de novo quando revejo é Monstros S.A.
Então esta eterna preocupação ou busca de “Alguém para dividir a solidão” me comove muito. Não precisa ser assim, mas a história é sempre comovente. O que significa que vou chorar muito. Ai,ai!