Futebol ou showbizz?
Há alguns dias assisti ao filme Garrincha. Já tinha lido o livro de Ruy Castro, Estrela Solitária, que conta a história deste jogador da Seleção Brasileira e ídolo do Botafogo - quando este era um dos maiores times do Brasil, na época aúrea do futebol carioca. Sem entrar nos méritos (ou deméritos) da produção que lembrava uma chanchada, da atuação de André Gonçalves e Taís Araújo (que achei ótima como Elza Soares), o filme mostra como o futebol era amador quando o Brasil foi bicampeão.
Apesar de os jogadores ainda namorarem atrizes ou cantoras famosas, agora o verdadeiro showbizz acontece em torno dos atletas.
A turbulência em torno do primeiro jogo oficial do jogador brasileiro Alexandre Pato, que foi vendido ao Milan em agosto de 2007 (um mega negócio*), foi tamanha que o namoro dele com a atriz global Stephany Brito quase “passou batido”. Na mesma época, soube que Kaká - melhor jogador do mundo em 2007 - não foi bem visto no Milan logo que chegou por conta de sua excessiva religiosidade e porque seu comportamento certinho não resulta em boas manchetes - se bem que ele ajudou muito a imprensa sensacionalista com as declarações de apoio e doação pública do dízimo à Igreja Renascer.
Mas no Brasil nos acostumamos a ter grandes atletas, alguns até muito assumidos sobre “sua indisciplina” como o Romário foi em toda sua carreira, é preciso grande esforço (negativo) para ser mal-visto ou rejeitado. Adriano ajudou a imprensa nesta semana (e o tem feito desde que voltou da Itália) porque encarnou o badboy. Sua declaração no sábado, 01/03, acusando a imprensa de destrui-lo e exigindo a manutenção do título de Imperador, que ele alegava merecer pela qualidade do seu futebol, afirmando: “Tudo que faço tem uma repercussão maior“. Ele tem razão.
A conduta do jogador não interessa de verdade, o que interessa é o show em torno dele.
No jogo de hoje do campeonato paulista, contra o (para mim) desconhecido Mirassol, ele não fez o gol (os gols) que o levariam de volta ao estrelato. Ele padece do mesmo problema que levou Garrincha ao fundo do poço e ao final de sua carreira. Não é só o alcoolismo, é a falta de estrutura para suportar a pressão de estar no centro de tudo, sob as luzes, de não poder mais existir e ser reduzido a uma estrela solitária forçada a brilhar sem parar.
*Só a multa recisória que o Milan pagou ao Internacional para levar Pato, em agosto de 2007, foi de 20 milhões de dólares. As maiores negociações antes dele foram a de Denílson para o Real Betis em 1998 (40,5 milhões de dólares) e de Robinho para o Real Madrid em 2005 (30 milhões de dólares).
P.S. Não sou exatamente sãopaulina, mas acabarei sendo, por osmose, porque tenho três torcedores do SPFC em casa, meu time - Paraná Clube - caiu para segunda divisão e tenho uma galeria de ex-jogadores do São Paulo entre os que acho mais bonitos e gente boa no futebol brasileiro. Mas isto fica para outro texto. ![]()
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April 17th, 2008 at 01:04
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