A solução é fixar carbono
Vemos hoje inúmeras campanhas e promoções relacionadas ao meio ambiente. A grande maioria diz respeito a simplesmente plantar árvores. O que nem todos sabem é que só plantar árvores não resolve nosso problema ambiental.Do mesmo jeito bebemos leite para fazer os ossos, a madeira bebe a atmosfera para fazer o tronco. Depois que já cresceu, a árvore não precisa mais seqüestrar o carbono. Ou seja, a árvore não continuará absorvendo o CO2 eternamente.
Se deixá-la morrer e apodrecer, volta o carbono à atmosfera, por biodecomposição. Recapitulando, você planta a árvore, ela absorve o carbono durante seu período de crescimento, morre e devolve todo o carbono para a atmosfera. Nada adiantou plantar a árvore.
Qual a solução? Quando a planta estiver em sua fase adulta, sem mais sugar o CO2, você pega a madeira e faz uma mesa, uma cadeira, uma porta e o CO2 fica lá, fixado. É o que se chama “fixar carbono“.
Derrubar árvores adultas pode ajudar a diminuir o aquecimento global? Exatamente! Mas é claro que a solução não é sair derrubando árvores.
Não adianta estimular o uso da madeira, se não houverem projetos bem estruturados para a reposição dessas árvores.
Hoje, destruímos para construir, mas porque não podemos construir para construir?
Qual o melhor caminho?
A construção civil.
Durante 3000 anos de arquitetura existiram três premissas básicas:forma, função, estrutura. De algumas décadas pra cá, juntaram-se mais duas: a economia e o meio ambiente.
A questão ambiental já está bem clara. Precisa estimular as construtoras a usarem mais madeiras nas construções civis.
A questão econômica
O Amazonas possui 30% da madeira tropical do mundo, mas participa com apenas 3% do comércio internacional de madeira tropical. Por conta disso, o Brasil pode ser o maior exportador mundial de componentes para construção civil.
Poderíamos exportar essa fixação de carbono para países como a China, hoje o país que mais polui no mundo.
É o que chamamos de crédito de carbono. Alguns países que poluem muito precisam despoluir de algum jeito. E onde por cada dólar você consegue seqüestrar mais carbono? Aqui. O Brasil pode se tornar o maior vendedor de crédito de carbono do mundo.
Outra questão que poderia aquecer o mercado é que uma siderúrgica, assim como uma cimentaria, exigem um alto investimento e uma grande injeção de capital, mas qualquer um pode plantar uma árvore e cortá-la anos depois.
Fixar carbono é mais importante do que a cura da Aids
Hoje, a fixação de carbono é mais importante do que a criminalidade, a aids e o câncer, pois se medidas não forem tomadas, as conseqüências podem ser catastróficas.
Espero que esse artigo tinha esclarecido que plantar árvores não é a solução para o problema ambiental mundial. Muita coisa precisa ser feita e essa iniciativa deve partir de todos nós.
Para encerrar, o slogan de uma campanha nos Estados Unidos:
“O melhor momento para você plantar uma árvore era a quinze anos atrás. O segundo melhor momento é hoje.”
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novembro 10th, 2007 at 05:11
[...] postagens atuais, gostei mais dessa do Tonobohn (boa menino!) por sintomática. Muitos dos rapazes e algumas moças que escrevem sobre [...]
novembro 10th, 2007 at 08:11
Gabriel,
são essas linhas de pensamento que ainda faltam para que os movimentos ambientalistas comecem a dar certo.
Encontrar um modo de se engendrar no sistema capitalista de forma a trazer benefício ecológico e preservar melhor a natureza de forma economicamente viável e não ideológica como muitos ecochatos tendem a fazer…
abraço
novembro 11th, 2007 at 12:11
Pois é Norberto, já existe muitos projetos e pessoas boas com essa visão. No entanto, como meio ambiente ainda é hype, existe muita gente se aproveitando do tema e falando muita bobagem.
Discutir o meio ambiente não é só para eco-chatos!
Abraço
novembro 11th, 2007 at 08:11
É um caminho e uma excelente defesa para que esse caminho seja traçado de forma correta!
Mas ainda existe uma necessidade enorme de discussão profunda do desenvolvimento sustentável e da produção de novas energias não poluentes…
O que não se pode aceitar são índices enormes no aumento do PIB de certos países em troca da vida do Planeta!
_____
Cara, meus parabéns pelo projeto, parabéns pela nossavia! Ficou muito bom e tenho certeza que irá crescer e render bons frutos! Com certeza uma novidade positiva para quem procura informações de qualidade sobre várias coisas distintas, concentradas e organizadas num lugar único!
novembro 14th, 2007 at 03:11
Não sabia dessa, que é certo cortar árvores adultas, legal.
dezembro 10th, 2007 at 10:12
(ativando meu lado biólogo)
Fala Tonobohn
Existe um grave problema nessa coisa de plantar “árvores” que é a velocidade de crescimento.
A qualidade da madeira está muito relacionado com a sua velocidade de crescimento. Algumas árvores com madeira de ótima qualidade demoram até 100 anos para ficar com um tamanho bom para o corte.
Como ninguém vai esperar 2 gerações para cortar uma árvore, o que o pessoal faz muito é utilizar madeiras de crescimento extremamente rápido, como o pinheiro.
Só que o pinheiro tem alguns graves problemas: primeiro que ele é um gigantesco consumidor de água. Além disso, não produz alimento para a fauna local, e em 3o e o pior de todos é que as folhas possuem substâncias que inibem crescimento de outras plantas (praticamente um desinfetante), formando um deserto verde na parte de baixo da copa! Dá para passear em uma floresta de pinheiro sem precisar de facão!
Ao mesmo tempo que reconstituiriamos uma vegetação não nativa, teriamos todos esses problemas.
Outro dia eu li em uma revista cientifica muito conceituada em uma biblioteca (ta bom, foi em uma Veja em um consultório médico) falando de uma pesquisa onde os pesquisadores pretendem trazer águas profundas e ricas em material orgânico para aumentar a concentração de algas, aumentando assim a captura de CO2 pela fotossintese. Bem viajante, mas com algum fundamento.
A Amanda faz mestrado com Algas. Vou ver se ela acha essa pesquisa no labs dela.
falou!
dezembro 10th, 2007 at 10:12
Ah, taltou dizer que o pinheiro tem péssima qualidade. Quem já pulou em uma cama com estrado de pinheiro sabe muito bem a péssima qualidade da madeira.
Acredito que não serviria para construção civil. ela empena facilmente, absorve muita água e quebra muito facilmente
dezembro 10th, 2007 at 02:12
Ah! Esqueci de comentar também
A floresta Amazônica é exuberante, porém ao contrário do que parece, o solo é extremamente pobre e péssimo para o plantio. Quem fornece os nutrientes no solo para o crescimento da árvore é a própria árvore, através da decomposição da propria folha.
Se nem pasto sobrevive a umas 10 temporadas, o que dirá o crescimento de uma árvore.
Por fim, vale lembrar que a Amazõnia chove pra caramba, mas a chuva é decorrente da evaporação da água pelas folhas. Retirar árvores pode causar um desequilibrio nesse meio também.
dezembro 10th, 2007 at 02:12
Hey Jonny! Valeu pelos comentários que esclarecem muitas coisas aqui.
Dava pra fazer um novo artigo só falando sobre isso.
Você tem toda razão quando fala dos pinheiros. É por isso que a fixação de carbono deve ser bem pensada e ter uma boa estratégia por trás.
É preciso saber renovar e como realizar esse processo. Exatamente por isso não vejo com tão bons olhos promoções que pipocam por aí relacionadas ao meio ambiente. Não basta plantar uma árvore, é preciso saber qual árvore, onde, como e quando. Isso é trabalho para quem é da área.
Abraço!
dezembro 10th, 2007 at 03:12
Caro Tonobohn,
Creio que esta visão sobre plantar e cortar árvores é bastante limitada. O Jonny já apontou alguns motivos.
Para mim, um dos grandes problemas mundiais é sempre querer atrelar qualquer coisa a um valor comercial. Vivemos num mundo capitalista, eu sei, mas é por isso que muitas boas iniciativas (em diversos setores) não dão certo.
Bom, mas vou me ater aqui aos aspectos biológicos e ambientais da questão.
Como o Jonny disse, a qualidade da madeira está ligada a velocidade de crescimento da árvore, ou seja, as árvores que poderiam ser usadas pela construção civil demoram décadas e décadas para crescer.
E depois de desmatada uma área, você não pode simplesmente plantar uma mudinha daquela planta que você derrubou (isto é, se você não plantar um pinheiro ou um eucalipto), por que existe uma coisa chamada sucessão ecológica.
E como seriam exploradas estas árvores? Por rodízio de áreas? Exemplos na Amazônia mostram que esta técnica não funciona, justamente por causa do tempo que estas árvores de madeira de boa qualidade precisam para crescer.
Como se todos estes problemas não bastassem, existe a fauna local. Como ela sobreviveria? Com corredores? E os microhabitats?
O Jonny também falou de um trabalho com algas. A despeito do que é amplamente divulgado pela mídia, as microalgas são as principais responsáveis pela produção de O2 mundial, e para isso captam bastante CO2.
Um trabalho bem interessante que eu vi no último congresso de ficologia diz respeito à produção de biocombustível utilizando microalgas como matéria-prima. Isso já faz quase dois anos e não sei em que pé anda, mas posso tentar descobrir. Mas eu acho que tem tudo para dar certo.
Mais uma última coisa, se você ou alguém muito importante para você tivesse aids, com certeza você não diria que fixar carbono é mais importante do que a cura da aids…
Abraço
Amanda
dezembro 10th, 2007 at 09:12
Oi Amanda!
Bom, não acho que a visão de fixar carbono seja limitada. O que foi limitado aqui foi a abordagem do tema no artigo. Escrever sobre todas as variáveis que estão inclusas nesse tema daria um livro a parte. É claro que a questão é muito mais complexa do que foi colocado aqui.
Como seria feita essa renovação das árvores? Bom, isso é objeto de muito estudo, mas não descarta a idéia de fixar carbono, que me parece bem plausível. Como disse antes, é um projeto que deve ser bem pensado e estruturado. Só plantar árvores não é a solução, como sabemos.
Agora, se alguém próximo a mim tivesse Aids, eu lamentaria muito, mas ainda acharia que a questão ambiental é mais importante sim.
Muito obrigado pelos seus comentários e do Jonny, enriqueceram muito o artigo.
Abraço
dezembro 11th, 2007 at 01:12
Alias, Tonobohn…
ontém estava conversando com a amanda sobre o crescimento das árvores e me lembrei que na parte de visitação do Instituto de Biociências da USP tem um “tronco datado”
Explicando melhor: as árvores crescem (para cima e para os lados) mais no verão que no inverno por causa da disponibilidade do sol. Com isso, quando você corta um tronco, você consegue ver a diferença do crescimento da árvore (formam aneis claros/escuros), e com isso, você consegue contar quantos verões/invernos a árvore já passou.
O pedaço de tronco que está em exposição lá na Biologia tem váááários anéis com as “datas” de cada anel. Ela começa com a invasão de Napoleão em 1800 e alguma coisa e termina (acho) com a eleição do Collor em 1989.
Eu tenho uma foto… assim que achar eu te envio (na verdade é mais fácil eu bater outra… rs rs rs)
abraços