Cotas para exibição de desenhos animados brasileiros: será a solução?
“Pela proposta, no quinto ano de implementação da lei, 50% das transmissões de animações devem ser de origem nacional. ”
A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados realizou hoje (6, no Brasil) uma audiência pública para discutir o Projeto de Lei 1821/03, que cria cotas para a transmissão de desenhos animados brasileiros.
O Deputado Vicentinho (PT-SP), autor do projeto, acredita que essa medida pode acabar com a hegemonia dos desenhos animados extrangeiros no país.
“Sou negro, mas meus heróis não eram negros, porque na TV não existem heróis negros“, “…(os desenhos extrangeiros) retratam o Brasil de forma preconceituosa.”
O deputado frisa ainda que a produção de animação nacional seria de grande ajuda para a valorização de nossa própria cultura:
“Nós aprendemos a ver as histórias dos outros. Nós devemos conhecê-las, mas também temos que olhar a nossa”.
Já para o consultor da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Carlos Eduardo Rodrigues, a medida pode prejudicar as emissoras. De acordo com ele, a principal rede comercial de TV do país (plim-plim?) exibe conteúdo nacional em 91% da programação no total; na programação infantil 60% é de origem nacional. “Impor cotas significa intervir em uma função vital das TVs privadas: a de definir a programação segundo o interesse do público”.
Para o diretor do Centro Tecnológico do Audiovisual (CTAV) do Ministério da Cultura, José de Araripe, o projeto vai aquecer o mercado nacional e contribuir para a formação educacional das crianças. Porém, ele lembra: embora muitos profissionais brasileiros de animação hoje trabalhem em estúdios internacionais, não temos ainda um pólo nacional de criação: é preciso criar um. “Nossos talentos estão indo embora porque não têm oportunidade aqui”.
O Projeto de Lei
Entre os objetivos está o incentivo à produção nacional de animações e à formação de cidadãos conscientes. “Só vamos mudar a nossa sociedade através da formação de cidadãos mais críticos e mais exigentes em seus direitos. Para isso, precisamos educar melhor as nossas crianças”.
O projeto estabelece percentuais mínimos graduais. Pela proposta, no quinto ano de implementação da lei, 50% das transmissões de animações devem ser de origem nacional.
Segundo o relator da matéria, a cota ainda será discutida pela comissão e, posteriormente, com profissionais da área.
Conheça o projeto de lei na íntegra, no site da Câmara dos Deputados: http://www2.camara.gov.br/proposicoes/loadFrame.html?link=http://
www.camara.gov.br/internet/sileg/prop_lista.asp?fMode=1&btnPesquis
ar=OK&Ano=2003&Numero=1821&sigla=PL

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November 9th, 2007 at 09:11
acho a idéia interessante, mas não acho que isso irá mudar a situação do negro brasileiro, basta ver que as novelas nacionais que são sucesso no mundo inteiro, raramente (para não falar que nunca) apresenta “heróis” negros, a casa do pobre sem tem fartura de comida, e assim por diante ….
November 9th, 2007 at 09:11
[...] Eu escreverei semanalmente sobre política, e eventualmente sobre educação e cotidiano. Espero estar à altura dos demais autores. Veja minha primeira postagem aqui. [...]
November 9th, 2007 at 09:11
[...] eu estou no time de blogueiras. Veja minha primeira postagem aqui. No NossaVia não falarei de templates e códigos, mas sim de política, educação e cotidiano, em [...]
November 9th, 2007 at 10:11
Oi Veridiana!
Sim, acho que a questão do negro na sociedade brasileira é um problema muito mais complexo para ser solucionado.
Mas vejo essa iniciativa com bons olhos. Outro dia mesmo, aqui no Japão, meu marido se questionou se por aqui não existe algum tipo de pressão pelas animações locais… Não digo na TV a cabo, mas na tv aberta aqui predominam desenhos animados bem focados na vida cotidiana do povo japonês. Personagens como Doraemon, Shin-chan entre outros, vão à escola ou tem donos que vão, mostram as mães dona-de-casa, os pais trabalhando e voltando prá casa… as brincadeiras na rua, os folclores japoneses, essas coisas.
Acredito sim que desehos nacionais com essa dinâmica, com personagens que levem uma vida aproximada à vida que levam nossas crianças e a sociedade em volta delas seria muito benéfico.
Aqui no Japão, as crianças se identificam com o que vêm na telinha.
No Brasil de hoje em dia, as crianças que assistem somente à teve aberta não conseguem se visualizar nas aventuras. A fantasia delas poderia ser mais próxima da nossa cultura.
Abraço!
November 9th, 2007 at 08:11
Por partes:
1. DV, O projeto de Lei é uma bobagem.
2. A “questão do negro no Brasil” é cheia de mistiscismos: há quem duvide - com alguma razão! - da maior parte do problema.
3. Seria positivo aumentar a identificação das crianças com o conteúdo dos programas de TV infantis, exceto se isso for usado para impor a correção política e aquelas bobagens ideológicas (de esquerda ou de direita - escolham as suas).
November 10th, 2007 at 05:11
Sou ilustrador. Tenho medo do governo metendo a mão nesse tipo de coisa. A aplicação de cotas só serve para levantar questionamento ( o que é bom ), mas no final das contas constribui muito pouco para a resolução do problema. ÿ o que penso sobre cotas nas faculdades, e acredito que o mesmo se repetirá com as animações.
Não sei, é até superticioso e pessimsista. Confesso. Espero que a graça do propósito não se perca na futilidade de querer encher a tela de porcaria simplesmente porque “tem que ter, tem que rolar”. Lembram do Pelézinho? Eu lembro (infelizmente).
Tomara Deus que a galera que já vem trabalhando a tempo possa se lançar.
November 10th, 2007 at 10:11
Apoio a iniciativa de aumentar a penetração de conteúdo nacional nesse setor, mas, 50% obrigatórios?
O que eu vejo acontecendo são duas coisas:
1: A emissora reduz o tempo de conteúdo infantil já que a produção não deve agradar a criançada americanizada.
2: Enchem tudo isso de turma da mônica, aí f*de tudo de vez.
Torço que não, mas é isso que eu vejo.
November 11th, 2007 at 03:11
Muito interessante a notícia, até porque ela tem relação com outro projeto similar, do deputado Simplício Mário, sobre a implementação de cotas progressivas para a publicação de histórias em quadrinhos brasileiras por parte das editoras nacionais.
Concordo que áreas como animação e quadrinhos necessitam de alguma intervenção para que elas possam se desenvolver, ter espaço no mercado e garantir que artistas do meio possam trabalhar sem ter que ir para o exterior.
No entanto, quando o assunto tenta ser resolvido por meio de cotas, eu fico com o pé atrás - esse negócio de reserva de mercado me lembra o da informática, de péssimos resultados.
Não sei a solução seria criar mais mecanismos de incentivo, como os que existem para o cinema nacional.
Mas é hilário ter que ler o comentário do consultor da ABERT:
ele fala em percentuais, mas não discute a qualidade dos mesmos; e, sinceramente, não vejo 60% de produção nacional na programação infantil, se ele estiver falando das principais emissoras comerciais do país.
E continuo não entendendo o que muita gente tem contra os personagens do Maurício de Souza…
November 12th, 2007 at 08:11
Erica
como conversávamos outro dia via comentários de blogs, a questão é mais ter controle familiar sobre o tempo das crianças frente à TV e estimular a educação do que a alterar por decreto a programação ou criar cotas culturais. Falta-nos valorização do que é nosso, a começar pelo exemplo que optamos dar aos nossos filhos em casa.
No entanto, o tema que levantou é muito bom e merece que fiquemos atentos à sua continuidade.
Abraços e parabéns pela estréia.
Sam
February 1st, 2008 at 07:02
[..]eu acho difícil a animação no brasil e ainda mais se ela fr brasileira.
July 11th, 2008 at 10:07
eu vou fazer a mesma coisa que o mauricio de sousa fez eu to criando um desenho animado e ja que não da para passar no canal brasileiro eu vou fazer um contrato com o jetix.
July 18th, 2008 at 10:07
Acho interessante!
Nosso país costuma valorizar muito as produções estrangeiras e não reconhece seu verdadeiro valor. Contamos com artistas competentes e gabaritados a produzirem artes tão boas quanto as estrangeiras.