Como agregar calor humano ao seu negócio e conquistar clientes
Procuro ser sempre um cliente fiel, mas raramente sou correspondido. Seja para comer uma pizza, tomar um sorvete, café ou chope, quase sempre procuro os mesmos lugares. Mesmos lugares é um modo de dizer. As mesas, cadeiras e equipamentos são os mesmos; os atendentes são sempre caras novas. Na sua maior parte são jovens num emprego transitório e mal remunerado. São rápidos, educados e eficientes, mas geralmente frios e distantes. O produto pode ser bom e o atendimento correto, mas falta aquele toque humano que faça o cliente se sentir em casa. Você dirá: É a vida moderna, tudo muito rápido e transitório. Eu digo: Isto é uma desculpa esfarrapada e pode ser diferente.Toda vez que penso sobre a qualidade dos serviços que recebemos, me lembro de George um empresário nova-iorquino que conheci há alguns anos. Ele tinha uma empresa fornecedora de peças sobressalentes para equipamentos de mineração e ferrovias. Ele sempre tinha aquelas peças difíceis de serem encontradas e cumpria o que prometia. Embora tivesse negócios com ele há muito tempo, não o conhecia pessoalmente. Numa ocasião, passando por Nova Yorque, combinamos uma visita para nos conhecermos. Fiquei impressionado com suas instalações e a dimensão de sua empresa, com clientes em todos os continentes.
Ao elogiar sua empresa, ele respondeu: Isto aqui não é meu principal negócio. Só mantenho este negócio de exportação porque me dá um status de empresário internacional; tenho outro mais lucrativo, que vou lhe mostrar depois do almoço. Durante o almoço, ele me falou sobre o outro bem sucedido negócio herdado de seu pai, uma rede de lojas de produtos baratos, espalhadas pelos distritos mais populares, como Queens, Bronx e Brooklyn. Depois do almoço, circulamos por estes bairros para conhecer algumas lojas. Vi um atendimento que parecia mais um relacionamento entre amigos do que uma transação comercial.
Numa rua do Brooklyn, ele estacionou o carro e ficamos por algum tempo observando o movimento. Ele apontou um jovem que estava entrando na loja e disse: Este garoto está indo à loja para comprar alguma coisa para ele, ou um presente para alguém como sua mãe ou namorada. Ele será atendido por uma pessoa que ele conhece e confia. Não o conheço, mas, certamente, não é a primeira vez que ele entra na loja. Ainda criança ele freqüentava a loja na companhia de seus pais, onde sempre foram bem recebidos; a loja fez parte de sua infância e fará parte de sua vida. Quando ele se casar e for pai, seus filhos o acompanharão nas suas visitas à loja, criando uma rede de clientes fiéis por várias gerações.
Qual o segredo, perguntei? O segredo, respondeu, está em criar um ambiente em que as pessoas se sintam queridas e à vontade. Para isto você tem que ter empregados que também se sintam valorizados, queridos, seguros e recompensados pela sua dedicação. Somente recrutamos pessoas que gostam de pessoas, que residam na vizinhança e amem seu bairro e sua comunidade. Para elas o emprego é mais do que uma fonte de renda, é também uma oportunidade de fazerem amigos e se sentirem importantes dentro da comunidade. Dê um sentido maior ao seu trabalho, elas amarão os clientes e os clientes amarão a empresa. Deu um sorriso e complementou: E ficarei cada vez mais rico.
Na despedida ele me disse: Hoje á noite você volta para o Brasil, mas estou certo de que nunca esquecerá o que viu aqui. Ele estava totalmente certo, me lembro do George sempre que sou atendido por alguém que não ama o seu trabalho e está ali de passagem. E isto está se tornando a regra ao invés de exceção.
Em Por que vamos ao Starbucks, Samantha Shiraishi faz umas algumas considerações interessantes sobre este tema; recomendo sua leitura..
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novembro 19th, 2007 at 11:11
[...] Não deixem de ler o texto Como agregar calor humano ao seu negócio e conquistar clientes que complementa este [...]
novembro 19th, 2007 at 12:11
Bom, já apareceu meu trackback, chegou antes do meu comentário propriamente dito.
Jairo, gostei muito do tema e fiquei contente com nossa sintonia! Tenho uma amiga coreana radicada no Brasil que tem um hotel e uma agência de viagens, mas está mudando seu foco para pequenos restaurantes orientais justamente porque sentiu o retorno deste contato com os clientes. Claro, eu sempre levo amigos lá, não só porque a comida é boa e o preço também, mas porque sei que todos serão bem tratados. O que mais se pode querer como consumidor?
Eu também sou uma consumidora fiel e no meu querido bairro paulistano tenho o ambiente favorável para continuar assim. Pelo que li do seu texto, encontrei meu Brooklyn, pois aqui também os atendentes podem ser novos, mas todos cresceram juntos.
Abraços.
Sam
novembro 21st, 2007 at 06:11
o ser humano transita muito melhor quando tem fé em algo, seja essa fé direcionada à vida, religião, família, trabalho ou a si mesmo. o problema não é onde pôr a fé e sim em tê-la. resgatá-la. unir-se a ela.
quem tem fé sabe bem servir pq entende o seu papel, qualquer q seja. saber bem servir é saber se doar. o outro, instantâneo, percebe a oferenda e fica-lhe fiel, *ao ato*, pra sempre.
fidelidade pelo acolhimento. d resto, quem a recebe sempre vai ligar essa boa sensação a um rosto, a um produto, serviço ou a uma empresa, já q lhe foi oferecida por um outro. e assim deveria caminhar a humanidade… ;0)
adorei o texto, principalmente a história do George. cool!
novembro 22nd, 2007 at 11:11
Um ótimo artigo sobre a arte de encantar os clientes. A maioria esmagadora das empresas e profissionais não sabe o que é tratar bem um cliente. Acham que um simples sorriso é o bastante. Esse merece um link no meu blog!
Leonardo Cabral
http://aumentesuasvendas.blogspot.com
http://butecodocabral.blogspot.com
http://arsenaldigital.blogspot.com
maio 13th, 2008 at 07:05
[...] & Educação: Com quem eu faço sexo é problema seu? ; Como agregar calor humano ao seu negócio e conquistar clientes ; Piaf… Por que ouvimos falar tão pouco deste filme? - Nossa Via Discriminação ou Bom Senso? ; [...]