Criatividade: Mitos e realidade

Algumas idéias erradas sobre a criatividade têm levado as pessoas a ignorarem o potencial criativo que existe em cada um de nós. Os mesmos enganos têm levado as empresas a adotarem práticas inadequadas para fomentar a criatividade de suas equipes.
Antes de abordar estas idéias erradas é aconselhável esclarecer o significado do termo criatividade. No contexto deste artigo, criatividade é a habilidade de gerar idéias originais e úteis e solucionar os problemas do dia-a-dia. Ser criativo é olhar para as mesmas coisas como todo mundo, mas ver e pensar algo diferente.
O primeiro mito é que a criatividade é um dom especial que somente algumas poucas pessoas têm. O talento, a persistência e a concentração podem ser um dom, mas o potencial para ser criativo é algo disponível para todos nós. Muitas pessoas deixam este potencial ser anulado por bloqueios culturais e ambientais e pelo medo de errar e parecerem tolas. Estes bloqueios podem ser eliminados e a criatividade é uma habilidade que pode ser desenvolvida.
O segundo mito é que as pessoas se tornam mais criativas quando trabalham sobre pressão. A experiência mostra que, sob certas condições especiais, isto pode ser verdade. Contudo, a experiência mostra também que sobre muita pressão, especialmente do tempo, as pessoas se contentam com as primeiras idéias que lhes ocorrem, as mais óbvias. Muita pressão pode reduzir a originalidade das soluções.
O terceiro mito é sobre o poder do dinheiro como motivador da criatividade. O reconhecimento material é um motivador extrínseco, isto é, vem de fora da pessoa. Estudos conduzidos por Teresa Amabile, da Universidade de Harvard, mostraram que a grande força acionadora da criatividade está na motivação para a tarefa executada, no interesse e paixão que as pessoas sentem pelo trabalho. O dinheiro pode influenciar a motivação intrínseca (interna), mas não pode criá-la.
O quarto mito: competição é melhor do que colaboração. Esta idéia pode ser válida para a competição entre empresas, mas é um desastre quando aplicada a grupos dentro de uma organização. A competição interna leva ao isolamento, politicagem, restrições ao fluxo de informações e desperdícios de recursos. De outro lado, a colaboração favorece a polinização cruzada de idéias, importante fator para a geração de idéias originais.
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