Os custos da educação financeira
Pagar caro é pagar qualquer preço por algo que não tenha valor.
Fui convidado esta semana a colaborar com um jornalista de São Paulo. A matéria é sobre uma daquelas projeções típicas da sociedade americana, que está se difundindo também entre os brasileiros: quanto custa criar um filho?
Minha abordagem foi diferente de outros entrevistados, como me confidenciou o repórter. E não poderia ser de outra forma. Desenvolvo pesquisas e trabalhos na área de educação financeira. Isso me ensinou a perceber o dinheiro de maneira diferente. Aprendi que há certas coisas que o dinheiro não pode comprar, nem substituir. A felicidade de ser pai ou mãe é uma delas. Não dá para “precificar” isso.
É uma tolice fazer esse tipo de projeção. Então, independente de quanto custe criar e educar filhos, sempre valerá a pena. Obviamente, um pouco de planejamento e disciplina financeira são válidos para alcançar objetivos tão importantes como assegurar boas condições de estudo e boa qualidade de vida aos filhos.
Mais importante do que assegurar uma reserva em dinheiro para a faculdade ou para um intercâmbio no exterior é proporcionar educação financeira para as crianças. Certamente, alguém bem-educado nos fundamentos financeiros terá mais facilidade para lidar com o próprio dinheiro. E até para enriquecer. Isso ainda não acontece com naturalidade, porque algumas famílias ainda crêem no tabu que dinheiro não é coisa de criança. Isso é coisa do passado.
E não há mais desculpas para deixar de abordar esse assunto com as crianças. Primeiro, porque o terreno já está preparado. Elas são bombardeadas por tecnologias e informações que a geração de seus pais sequer sonhava. Além disso, existe muita informação disponível, inclusive de graça. Tanto para a educação infantil quanto para a auto-educação.
Na Internet, pode-se encontrar dicas, informações e orientações básicas. Há vários livros tratando sobre o assunto e muitos profissionais fazendo trabalho de esclarecimento à população. Quase todos os bons jornais e revistas abordam esse tema com relativa freqüência. Enfim, quem quiser buscar um caminho para tratar esse assunto, vai encontrar com relativa facilidade. Quem não quiser, não reclame do destino.
Mas, se por um lado o custo de proporcionar educação financeira às crianças é irrisório, diante dos benefícios, os custos de não fazer isso são enormes.
O custo de uma criança não receber educação financeira adequada, é ela poder tornar-se um adulto descontrolado, talvez até perdulário. Alguém que não consiga controlar-se, que confunda o limite do cartão de crédito e do cheque especial como se fosse seu próprio dinheiro. Alguém que gaste mais do que ganha.
O custo de uma criança não receber educação financeira adequada, é ela poder tornar-se um adulto sovina, talvez até mesquinho. Alguém que não consiga desfrutar o próprio dinheiro, que confunda o saudável hábito de administrar as despesas e a necessidade de manter reservas para emergências ou investimentos com o hábito de juntar dinheiro pelo simples prazer de não gastar.
O custo de uma criança não receber educação financeira adequada, é ela um dia perceber que não foi corretamente orientada e, quem sabe, vir a reclamar isso de seus pais.
Esse é o tipo de custo que não tem preço.
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December 11th, 2007 at 11:12
Alvaro,
Gostei muito. Vou pensar nisso.
Um abraço.