05/10/2009
por Alessandro Martins

Tropa de Elite

(texto baseado na fala inicial do filme Tropa de Elite)

Se a internet dependesse só dos sites convencionais, a informação sem opinião já tinha tomado conta da rede faz tempo.

É por isso que existem os editores de blog, tropa de elite da internet brasileira.

Na teoria, os editores de blog fazem parte da blogosfera.

Na prática, é uma blogosfera completamente diferente.

Nossas caixas de comentário deixam claro o que acontece quando publicamos um artigo.

E nossos temas não tem gifs animados. Nossos temas não têm frescuras, parceiro.

Os editores de blog surgiram para intervir quando os grandes portais não conseguem dar jeito.

E, na internet brasileira, isso acontece o tempo todo.

E, na blogosfera, existem uns 200 milhões de blogs.

A cada dia surgem uns 100 mil blogs novos.

Muitos deles cheios de códigos maliciosos, erros de português bizarros, notícias falsas e informação sem sal nem açúcar até os dentes.

É burrice pensar que, em um ambiente assim, um editor de blog vai publicar artigos só pra valer sua arte.

Blogueiro também tem família e amigo.

Blogueiro também tem medo de ter o site hackeado, de ser processado por político corrupto ou por botecos fuleiros.

É por isso, parceiro, que nessa história todo blogueiro tem que escolher.

Ou vive de hype.

Ou vira miguxo.

Ou vai pra guerra.

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27/09/2009
por Wagner Fontoura

Inferno-1024x426

O inferno é um quarto escuro de um hospital público; tem uma porta de ferro com um porteiro cocho com cara de mau e um longo corredor frio. Celas que nem solitárias são – têm duas camas cada e numa delas pousa um homem sujo, desgrenhado, preso a si mesmo por uma camisa de força suja (e por seus pecados) e por correntes grossas à cama. E é pra lá que eu fui um dia, aos trinta e poucos anos de idade, num final de semana, depois de ingerir 60 comprimidos de um “tarja preta” que já me viciara e que até ali deveriam estar me salvando da mais profunda depressão causada por perdas recentes, profundas, dramáticas e insuportáveis (a morte repentina do meu pai, a descoberta da doença crônica do meu filho mais novo, a falência financeira, o fim do casamento de 18 anos, a perda do melhor amigo, tudo junto, ao mesmo tempo, num pequeno lapso de tempo).

Quatro dias de semi-inconsciência dos quais a única lembrança viva e contínua que minha mente se permitiu preservar foi a onipresença do Heitor – meu filho mais velho – ao meu lado, segurando minha mão, ouvindo todas as coisas sem nexo que eu dizia e que diziam a respeito do que poderia estar acontecendo comigo, e me dizendo – “Eu estou aqui. Não se preocupe com nada. Eu te amo. Eu vou tirar você daqui – você vai ver. Eu vou proteger você. Confia em mim, tá?”.

Anjos existem. Eu sei. O meu anjo foi ao inferno me resgatar de lá. Ele não era um espírito desencarnado, mas um ser luminoso, com a pureza de um adolescente, de cabelos encaracolados, tem grandes olhos verdes e sabe muito, muito bem, o que é o amor. Sabe com a grandeza dos mestres, dos sábios. Ele tem o dom de curar. Seu toque acalma maremotos interiores. Seu beijo tem o sopro de vida. Quando ele chega, a felicidade não cabe mais em mim – transborda, transborda, transborda, meu amor entra em ebulição!

(mais…)

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