Nossa Via

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Tudo se copia?

A Sam Shiraishi me sugeriu escrever um artigo sobre um fato bem comum nos dias atuais, sobretudo, na internet: a cópia e uso não autorizado de conteúdo escrito. Assim que me vi diante dessa proposta comecei a pesquisar sobre o tema. Sinceramente nunca me incomodou ser copiada, nem mesmo após ter conhecimento de que um texto escrito por mim havia sido copiado e publicado na Wikipédia, meu pensamento não sofreu nenhuma alteração quanto a essa questão.

Então ouso indagar aqui: “você tem alguma idéia do que (more…)

Fim da neutralidade na Rede: você pode perder direitos

Imprensa

A grande sacada da internet é que você deixou de ser o mero consumidor passivo de informações e passou a ser um consumidor mais ativo. Deixou de ser aquele cara para quem escolhem a programação. Passou a escolher mais.

Dependendo do caso, você tornou-se um produtor de informações. Mesmo que sejam informações relativas tão somente a como foi o seu dia.

Atualmente, os provedores da internet, as empresas de comunicação que cuidam para que as informações cheguem a seu computador, devem fazê-lo sem distinção. Entregá-las, venham do site da Globo ponto com, venham do Miguxos ponto com, na mesma velocidade e qualidade. A velocidade só varia no destino, no seu computador. Não na origem.

Isso é neutralidade na rede.

Nos Estados Unidos, já há dois anos se discute intensamente sobre a vontade questionável que as empresas de comunicação - destaque para AT&T, Verizon e Comcast - têm em controlar esse processo, selecionando - suponho que com critérios econômicos - aquelas informações que chegarão mais facilmente ao computador do cidadão.

A internet feita por pessoas, aquelas que têm blogs - meu caso e o caso de infindáveis amigos - perderia em preferência, por motivos financeiros ou que envolvessem outros interesses. Bem. No fim da linha, o interesse é sempre financeiro quando se trata de corporações.

Ao passo que você, que lê blogs e visita a loja virtual de imãs de geladeira de sua tia, além de uma infinidade de outros tipos de sites feitos por pessoas - e não por corporações -, também seria prejudicado.

Você retrocederia um pouco (muito) na sua capacidade recém-conquistada de escolher mais ativamente o que ler, assistir e ouvir. A voz das pessoas, dos indivíduos, mais uma vez seria encoberta. O pé da igualdade que hoje reina na internet levaria uma topada.

O interessante é que essas empresas vão dar a essa possível mudança a cara de que é tudo para o seu bem, como sempre. Lembre dos sujeitos sorridentes nas propagandas de cartão de crédito: não são pessoas que pediram empréstimos e estão penando no rotativo, mas atores contratados.

No Brasil, o cenário é o seguinte, segundo o Portal Cultura:

No Brasil existem vários provedores que também são donos de grandes portais, e isso é uma situação potencialmente perigosa para a neutralidade da rede brasileira. Se a idéia pega por aqui, os portais das próprias empresas e quem mais pagasse teria vantagem sobre os outros. Mas será que existe mesmo o risco dessa jogada ser tentada no Brasil? “Tem esse risco sim”, diz Demi Getschko, um dos mais respeitados especialistas em Internet do país, durante entrevista no estande do RadarCultura no Campus Party. Getschko é Diretor Presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto br (NIC.br) e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O NIC.br é a entidade que cuida do registro e manutenção dos nomes de todos os domínios que terminam em .br. Ele explica que a falta de regulamentação sobre o assunto e o pequeno número de empresas concorrentes podem ser um ambiente favorável a esse tipo de decisão.

Pode apostar que o tema é largamente aventado nas reuniões das empresas brasileiras desse meio. Mas por aqui, de fato, a conversa ainda está crua, mesmo porque as companhias que controlam o fornecimento da internet ainda não se manifestaram claramente quanto ao seu posicionamento.

E também tive alguma dificuldade para encontrar artigos sobre esse tema em blogs. Aparentemente, a blogosfera brasileira está muito ocupada com monetização, por enquanto.

Na semana que vem falarei sobre o documentário A Corporação que, embora não trate do tema Neutralidade na Rede diretamente, explica o funcionamento dessas entidades e faz entender por que é natural que elas queiram abocanhar fatias cada vez maiores de direitos dos indivíduos.

O conflito entre jornalistas e blogueiros NÃO existe

Eu sou jornalista e editor de blogs.

Convivo com outros editores de blogs - através do computador - e com outros jornalistas - na redação e em outros ambientes.

Posso dizer que não existe conflito entre os dois mundos por vários motivos.

Um deles, só para começar: além de jornais poderem ser várias coisas abarcadas pelo termo pouco preciso “jornal” e blogs poderem ser várias coisas abarcadas pelo termo pouco preciso “blog”, os dois mundos não se conhecem.

Jornalistas têm uma vaga idéia do que seja um blog e editores de blog têm uma vaga idéia do que seja o jornalismo.

Mesmo jornalistas que têm blog não costumam - em geral - explorar todas as potencialidades de um. E editores de blog, ainda que tenham visto muitos filmes sobre jornalismo, se não tiverem entrado em uma redação, jamais saberão exatamente do que se trata.

Muito embora os dois lados pudessem ganhar caso passassem a se reconhecer mais seriamente.

Cada vez que falo sobre blogs a um jornalista mais ou menos próximo do meu convívio, vejo uma expressão de curiosidade em seu rosto acompanhada de um ouvido atento. Explico sobre como os leitores estão se interessando mais e mais por informações e opiniões mais pessoais, mais próximas de sua realidade, aqui e no mundo, e eles ficam sinceramente tocados pelas novas possibilidades.

Alguns deles irão se tornar novos editores de blogs e outros não.

Mas, definitivamente, eles não ficam irritados ou ressentidos. Nem mesmo se sentem moralmente desafiados pelos blogs. Também não acham que blogs sejam uma ameaça a sua profissão.

Os cavalheiros ainda não foram devidamente apresentados e já estão pegando em armas para um duelo ao amanhecer.

Mundos que não se conhecem não entram em conflito. Ainda que exista um conflito, ele é ilusório. Tipo: temer por desconhecer.

Mas não é bem isso.

Na verdade, o que existe entre jornalistas e blogueiros é quase como uma relação de pai e filho adolescente.

A comparação não é exata, mas é um pouco engraçada:

- Você não me entende, você não sabe quem eu sou, você não sabe o que eu faço, você não me empresta o carro e você não me dá links - diz o filho.

- Primeiro se forme na faculdade - diz o pai - e depois a gente conversa.

E isso é um fato.

As únicas vezes em que os editores de blogs ficaram ouriçados com a imprensa foi quando se sentiram menosprezados ou tratados de forma menor. Por outro lado, o suposto menosprezo vem - grosso modo - do fato de os blogueiros não terem um sustentamento, digamos, mais oficial.

Todo mundo sabe que blogueiros não vão se formar na faculdade.

Não para poder escrever em seus blogs, pelo menos. Isso nunca será necessário e tampouco o leitor exigirá isso dele se confiar em suas palavras e gostar do que lê.

Isso se obtém com a confiança conquistada em experiências anteriores. Isso se constrói de maneira mais árdua do que em quatro anos de faculdade.

Mas os jornalistas já sabem disso. Pois o caminho entre uma idéia na reunião de pauta e a matéria publicada - no papel ou levada ao ar - é muitas vezes estafante. É esse suor que vem conquistando a confiança de seus leitores nas últimas décadas. E não um diploma.

Mas antes de pegar o carro, mesmo sem o canudo, os blogueiros terão de mostrar a que vieram. E não digo que seja necessário dar informações inéditas antes que os portais e jornalões - os famosos furos -, ou fazer jornalismo investigativo. Basta ser realmente útil e interessante ao público leitor, de modo ético e eficiente.

E, quando isso acontecer de modo expressivo, os jornalistas precisarão conhecer melhor os blogs.

Uma hora ou outra, os blogueiros deixarão de ser esses adolescentes, vão crescer e serão eles quem estarão nas ruas com seus próprios veículos.

13 blogs sobre livros que estão nos meus feeds

Homem lê sua correspondência

Para escrever o Livros e Afins eu acompanho diversos blogs e sites que, se você também gosta de livros, vai se interessar em incluir na sua lista de feeds.

  1. BibliOdissey - O BibliOdissey é especializado em gravuras antigas e curiosas. Se você não lê em inglês pode só ver as figurinhas e, ainda assim, vai se divertir. O blog inclusive já virou ele mesmo um livro. Se você é como eu, que gostava de folhear as enciclopédias só para ver as figuras e as legendas, vai gostar.
  2. Bibliotecários Sem Fronteira 2.0 - blog especializado em livros, mas mais voltado ao gerenciamento de informações. Porém sempre tem coisas interessantes mesmo para o público leigo.
  3. ExtraLibris - Como o anterior, mas com uma linha editorial ainda mais diversificada.
  4. Blog da Editora Contexto - O blog é coorporativo, mas tem bastante informação para quem se interessa por livros e literatura. Bastante voltado a notícias.
  5. Blog BookGluton - Blog de um site que tenta fornecer um ambiente mais amigável a quem gosta ou precisa ler na tela de um computador, o BookGluton.
  6. Confessions of a Bookplate Junkie - Bookplates ou ex-libris são marcas que donos de grandes bibliotecas imprimem em seus livros entre as primeiras páginas para designar sua posse. Como muitas delas são verdadeiras obras de artes e elas são sempre muito curiosas - refletindo muitas vezes a personalidade do dono do livro - há muita coisa interessante para ver ali.
  7. Estante Virtual - Blog do site Estante Virtual, do site Estante Virtual, que reúne diversos sebos e a possibilidade de comprar livros usados no Brasil inteiro.
  8. Lendo.org - André Gazola escreve sobre o mundo dos livros e da literatura. Um de meus preferidos.
  9. Ler Digital - Blog do diretor de produção para Língua Portuguesa do site Projeto Gutenberg, que reúne obras em domínio público em dezenas de línguas.
  10. Library of Congress - Sim. A maior biblioteca do mundo também tem um blog.
  11. Tag livros do WordPress.com - Sim. Eu assino o feed de tudo o que sai com a tag “livros” no Wordpress.com. É meio junkie, mas me ajudou a descobrir algumas coisas interessantes.
  12. Strange Maps - Mapas estranhos, o nome já diz. O que isso tem a ver com livros? Se você gostava de ficar olhando os Atlas e viajando só com a ponta dos dedos quando era criança, vai entender.
  13. Web Librarian - Blog sobre livros, bibliotecas e biblioteconomia em geral.

Claro que há muito mais e alguns truques que uso para me informar, mas com os quais não chatearei você.

Porém, se você é observador, deve ter notado que não há blogs estritamente de crítica literária nessa lista. Nada contra o gênero, mas não estão entre aqueles de minha preferência.

No momento, minha relação crítica com a literatura é meramente pessoal e prefiro não compartilhá-la, da mesma forma como a relação crítica com livros de outros me afeta muito pouco. Daí a ausência.

Gosto no entanto do relacionamento afetivo que as pessoas têm com o livro - independentemente de seu formato: eletrônico, de papel, áudio-livro - e todos esses blogs, de uma forma ou de outra, me ajudam nessa investigação que, espero, venha a durar a vida inteira.

Editorial

2007 foi o ano em que os blogs começaram de fato a se integrar à mídia no Brasil; viraram instrumentos de mídia, deixando, definitivamente, de ser apenas “diários virtuais” - embora não esteja escrito em lugar nenhum que não poderão mais sê-lo caso se queira assim. E o Nossa Via veio corroborar com essa tendência.

Para 2008 estamos preparando boas novidades pra você que tem nos prestigiado com o acompanhamento de perto dos nossos passos, contribuindo para que cheguemos a ser, no menor espaço de tempo possível, aquilo que nos motivou desde sempre: uma ótima referência de conteúdo relevante pra você.

Não é um caminho fácil, dado que somos um grupo de profissionais de áreas e ocupações diversas que tocam esse projeto nos nossos intervalos de tempo, por puro amor à proposta de colaborar com esse novo cenário que se apresenta, de uma mídia colaborativa, interativa, ao alcance do usuário.

Hoje, na véspera do ano novo, quero, em nome dos demais autores e editores do site, agradecer pela sua companhia e expressar nossos votos de um 2008 de luz e sucesso pra você e pra cada um de nós, que nos propusemos a construir algo de novo, de bom, sem medo de errar, na expectativa de estarmos, assim, fazendo algo de realmente útil e relevante.

Feliz 2008! Um brinde ao sucesso! Que comecemos a colher esse ano tudo o que vimos plantando ao longo dos últimos tempos! E que o façamos juntos. E, enquanto isso, que não deixemos de continuar semeando tudo aquilo no que acreditamos e que queremos de bom para o nosso mundo.

Grande abraço!

Wagner Fontoura
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