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Todo mundo tem uma boa história para contar

Acredito que todo mundo tem uma boa história para contar e confesso que adoro quando posso me deliciar com uma boa conversa cheia de relatos pessoais. Causos interioranos, histórias de pescador, vitórias pessoais, são muitos enredos que contam não só a trajetória individual ou relatam o legado familiar, mas constroem a história de um povo.

Algumas vezes estas histórias, com relatos de superação, trazem alento para quem passa por uma situação difícil. Estas são as melhores histórias, porque não só nos permitem identificação e empatia – uma qualidade maravilhosa que nos aproxima das pessoas com quem nos identificamos – como nos dá a chance de ter esperança quando passamos por situações equivalentes.

Vivi uma destas histórias nesta semana. Meu filho caçula, de 5 anos, passava férias na casa dos avós e foi mordido por um pitbull. Estávamos em São Paulo e viajamos para Curitiba, onde acontece o pós-operatório dele – precisou fazer uma cirurgia plástica de reconstrução da pálpebra superior e inferior, além da bochecha e do nariz, dentre outros locais lesionados na face. Aqui, em meio a parentes e amigos, vejo como a história pessoal tem força na nossa vida. No hospital, além de contar com a gentileza e solidariedade de estranhos, temos o apoio de muitos amigos de família que, ocasionalmente, são do staff da instituição. Ajudou a história da nossa família da região, essa história que nos faz parte de um todo, que nos faz sentir que mesmo sendo um grão de areia na praia, nada seria igual sem a nossa presença.

Antes da viagem intempestiva para cá, fui convida a conhecer o site “Mais Brasil” que tem um espaço para que brasileiros comuns contem sua história. O projeto chama-se Histórias do Brasil e qualquer pessoa pode entrar por este link e inserir seus textos, ajudando na construção da nossa história coletiva. Histórias de superação, de vitória, exemplos de situações desafavoráveis que devemos evitar – como jamais confiar num pitbull como cão de guarda de uma família com crianças – são temas que permeiam as Histórias do Brasil que conheci lá.

O barroco brasileiro…

bts xvii

V

Mas em quanto Talia no se atreve,
No Mar do valor vosso, abrir entrada,
Aspirai com favor a Barca leve
De minha Musa inculta e mal limada.
Invocar vossa graça mais se deve
Que toda a dos antigos celebrada,
Porque ela me fará que participe
Doutro licor milhor que o de Aganipe.

>> Clique aqui para ler o poema Prosopopéia na integra.

O movimento Barroco em terras brasileiras seguiu o mesmo ritmo da maioria dos movimentos que conquistaram espaço no país - assim como o modernismo foi impulsionado pela economia cafeeira - o Barroco foi impulsionado pela conveniente combinação entre enriquecimento brusco e os objetivos da Igreja que pretendia demarcar fortemente seu espaço na nova colônia. A produção açucareira e exploração de pedras preciosas foram grandes responsáveis pelo desenvolvimento do movimento em cidades como Salvador, Recife e em Minas Gerais.

Considerado por muitos como a primeira escola artística do Brasil - o barroco brasileiro sofreu forte influência do Barroco português, mas aos poucos passou a apresentar suas próprias características - a diferença existente entre o país colonizador que ostentava uma realidade de luxo e pompa da aristocracia - e o país colônia que vivia uma realidade de violência - onde se perseguiam os índios e os obrigava a uma cultura totalmente diferente da sua é apontado como sendo a principal razão para existir um estilo próprio e marcante no segmento.

Mas se nas Artes Plásticas e na Arquitetura Barroca, o Brasil se destacava por exibir um estilo particular, revelando novos artistas - na literatura não seguiu o mesmo caminho. O primeiro passo nesse segmento aconteceu em 1601 com a publicação do poema Prosopopéia (trecho acima) de Bento Teixeira - o poema que 94 estrofes, onde se exalta de forma exacerbada a figura de Jorge de Albuquerque Coelho, segundo donatário da capitania de Pernambuco.

Bento Teixeira sofreu influência de Camões, basta verificar os inúmeros trechos de Os Lusíadas contidos no poema Prosopopéia - o que ajuda a estabelecer um vínculo bastante estreito entre a literatura brasileira e a portuguesa, nesse período. Contudo, o poema de Bento Teixeira tem mais valor como documento histórico que propriamente literário.

Talvez a afirmação acima se deva ao fato de que na literatura, o Brasil parece não ter encontrado uma identidade junto ao Barroco, pois, mesmo tendo nomes de destaques como Antonio Vieira e Gregório de Matos, fica evidente que eles apenas seguiram as tendências européias, chegando em dado momento a transcrever versos de outros poetas portugueses, adequando-os a realidade local. As diferenças existentes entre o país-colônia e a Europa colonizadora eram evidentes, enquanto o homem europeu estava “perdido” em um conflito que o levava de encontro a discussões a cerca da fé e da razão - o homem brasileiro era fortemente dominado pela fé que chegava até ele de forma incisiva, já que este estava sendo catequizado de acordo com os princípios cristãos.

Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade,
É verdade, Senhor, que hei delinqüido,
Delinqüido vos tenho e ofendido,
Ofendido vos tem minha maldade.

Maldade que encaminha à vaidade,
Vaidade que todo me há vencido.
Vencido quero ver-me e arrependido,
Arrependido a tanta enormidade.

Arrependido estou de coração,
De coração vos busco, dai-me os braços,
Abraços que me rendem vossa luz.

Luz que claro me mostra a salvação,
A salvação pertendo em tais abraços,
Misericórdia, amor, Jesus, Jesus.

Gregório de Matos

Por isso mesmo, ao fazer algum tipo de referência ao período, devemos classificá-lo como Barroco Luso-Brasileiro mas em momento algum podemos nos recusar a crer na importância que esse movimento teve para o Brasil, afinal, foi através deste estilo que o país conseguiu encontrar um caminho no sentido de construir uma identidade artística para o país.

“Que falta nesta cidade? Verdade.
Que mais por sua desonra? Honra.
Falta mais que se lhe ponha? Vergonha.
O demo a viver se exponha
Por mais que a fama a exalta
Numa cidade onde falta
Verdade, honra e vergonha.

Assim Gregório de Matos abre um poema criticando a Bahia de seu tempo. Será que há algo de atual nos versos escritos por Gregório em pleno século XVIII - ou será que a alusão que fazemos ao Barroco é mera ilusão daqueles que estudam a literatura?

Joss Stone brilha no Brasil

“Music
I’m so in love with my music
The way you keep me
Movin
Ain’t nobody doing what you’re doing
Doing, doing
So bring me back to the day
When tape decks press play
DJ drop the needle til the
Record just break
You are my sunlight
You are the one mic
That sound so sweet because the beat just inspires me”

Esse post começa embalado por versos de “Music”, da cantora inglesa Joss Stone, pois é sobra ela que falarei aqui essa semana. Eu nunca fui muito boa em fazer críticas de cantores, álbuns ou músicas, mas dessa vez me sinto obrigada a falar dela. Durante a última semana, Joss se apresentou em várias cidades brasileiras e eu tive o imenso prazer de vê-la no show de São Paulo, na segunda.

Para quem não conhece muito sobre a cantora, acesse o MySpace dela aqui, vamos para as informações básicas: Joss tem apenas 21 anos, está em seu terceiro cd – Introducing Joss Stone – e suas características mais fortes são cantar soul, agora com uma pitada de R&B, e ter uma potência de voz que na maioria das vezes só vemos em cantores negros. Inclusive, esse último fato era o que mais impressionava as pessoas que conheciam a sua música no começo da carreira, como podemos ler aqui.

Vamos falar mais sobre show, que aconteceu no Via Funchal. Por ter um estilo diferenciado e os ingressos serem beeem salgados, a pista mais próxima do palco saia por R$ 400, não houve nenhum tipo de tumulto na casa, que foi se enchendo lentamente até o horário marcado para início do show: 22h. Antes, apresentação de abertura com Jair de Oliveira e Luciana Melo. Muita dança, samba rock e o aquecimento necessário para Joss. Foram cerca de 50 minutos de atraso e estava ficando difícil de esperar. A platéia batia palmas, gritava “Joss, Joss” e finalmente, às 22h50, a banda entrou para iniciar a primeira canção para a inglesa.

Joss foi totalmente ovacionada ao entrar no palco em um vestidinho de lantejoulas prateadas e com os cabelos loiros novamente – até pouco tempo ela estava ruiva. Logo de cara, embalou a canção “Girl, they won’t believe it”, segunda faixa de seu último cd. O público foi ao delírio e recebeu a cantora de braços abertos. Em alguns momentos, tinha a impressão de que ela não esperava tamanha receptividade. Sinceramente, eu também não esperava que as pessoas soubessem grande parte das suas músicas de cor, já que comentei com muita gente sobre o show e muitos não sabiam nem quem era Joss Stone. Foi ótimo descobrir que estava errada!

A apresentação durou cerca de 2 horas, onde pudemos escutar todos os sucessos de Joss, músicas mais intimistas como “Chockin’ kind” e “Victim of a foolish heart”. Porém, a combinação matadora ficou para o primeiro encerramento do show: “Less is More” combinado com “Tell me ‘bout it”. A banda se despede, Joss Stone também, mas a maioria ali sabia que o show ainda não tinha terminado. A cantora volta para mais duas canções, finaliza com “Right to be wrong” e depois faz um medley de “No woman, no cry” com “Tell me what we’re gonna do now”, enquanto distribui flores vermelhas para a platéia, que obviamente se estapeia para conseguir ficar com uma lembrança do show.

Joss agradece o público, que a aplaude veementemente e dessa vez o show termina mesmo. Todos saíram da casa sorrindo, mostrando que o objetivo da noite realmente tinha sido alcançado: trazer mais alegria na vida das pessoas por meio da música.

Brasil e Europa - Mitos e confrontos!

No início deste ano estive trabalhando em Portugal. E, como todo brasileiro que vai a primeira vez à Europa, fui cheio de “mitos” e “idéias”. Afinal, vieram de lá quase todos os nossos antepassados. Os portugueses “fundaram” nosso país e imprimiram, durante um tempo razoável, o que éramos e o que podíamos ser.

Sim.. é lindo! Mas....Mas aí, chegando lá, vem o verdadeiro choque cultural. Por mais que tenhamos (quase) a mesma língua, somos muito diferentes. Afinal, o que é a cultura, senão o uso que fazemos dela? Ok, ok… já sei que vocês vão dizer que os portugueses não foram as únicas influências que tivemos. Mas, além de ter amigos de outros países da europa, também estive na Espanha e, pelo que pude perceber, existe certo comportamento “europeu” que definitivamente não temos nada em comum.

Os europeus não têm jogo de cintura! Não estou falando do insuportável “jeitinho brasileiro” que sempre quer levar vantagem em tudo. Estou falando de certa “flexibilidade” e “capacidade de adaptação”. Pode ser que eu me engane mas acredito que o povo brasileiro, talvez motivado pela falta de recursos e necessidade, acabou desenvolvendo este impulso de estar antenado com o que passa no mundo, incorporando rapidamente tendências.

Outra coisa que me chamou a atenção é que os europeus (de certa forma como os estadunidenses) têm pouco conhecimento sobre os outros países. A quantidade de equívocos (muitos deles propagados pela televisão brasileira!) que ainda perduram por lá é imensa. Para a maioria deles vivemos numa floresta convivendo com jacarés nas ruas ou vivemos em estado de sítio onde é impossível sair à rua sem ser assaltado três vezes por Pois é... algumas coisas parecem que nunca mudam em Portugal!noite! Perguntas do tipo “vocês já tem internet em casa?” ainda são comuns de se ouvir. Ou ainda : “É verdade que lá estão matando gente por 05 escudos?”. Assim como a fama de que os brasileiros são “espevitados” sexualmente… ou seja… uma maneira gentil de nos chamar de promíscuos. Bom, pelas noites que eu freqüentei lá, eles não perdem em nada pra nós neste quesito.

E assim, entre comparações e quebra de mitos, fui passando meu tempo por lá. Aproveitando a possibilidade de passar 45 dias usufruindo da estabilidade deles e de uma moeda forte. Visitando todos os lugares possíveis em que a história parece permanecer viva. Assim como parece permanecer uma necessidade meio estranha de valorizar o passado e esquecer que é no presente que se vive.

A verdade é que, embora isto possa parecer extremamente clichê e reacionário, no encontro com o “lá” é que passei a valorizar o “aqui”! Nosso país tem milhares de problemas (quem não sabe?), inclusive, muitos dos problemas que temos foram herdados deles. Ou você pensa que só existe politicagem, ladroagem e violência no Brasil? Mas, enquanto puder, ainda vou tentar ir vivendo por aqui!

Portugal fora do eixo!

Estou em Portugal desde o dia 11 de janeiro e, por motivos profissionais, eis que acabei não visitando, ainda, as duas maiores cidades daqui. Porto eu passei somente na chegada ao país. Quando digo “passei” não é força de expressão. Pousei no aeroporto internacional, entrei no carro e vim direto para Braga. Neste final de semana devo voltar lá para, desta vez de verdade, dar umas voltas e conhecer um pouco a cidade. Lisboa ainda é uma incognita. Não fui e nem sei se terei a oportunidade de ir. Mais trabalho do que eu esperava e acabei ficando pela região do Minho.

Mas, o que poderia parecer uma coisa ruim, acabou sendo uma benção. Estou conhecendo um outro país: o Portugal que não está nas revistas de turismo. Bom, pelo menos, não tão frequentemente.

Umas das antigas entradas da cidade de Braga que foi incorporada à vida cotidiana!Conhecido como o berço da nação portuguesa, a região do Minho inclui duas das mais históricas cidades daqui: Guimarães (primeira capital) e Braga ( a capital eclesiástica). A região é de uma beleza impar. Com um ritmo bastante provinciano, oferece outra relação com as pessoas, muito educadas e prestativas.

Ainda não tive a oportunidade de conhecer Guimarães (devo fazê-lo em breve e volto pra contar!), mas pude visitar lugares completamente desconhecidos para mim e que recebem milhares de turistas de todas as regiões da Europa, principalmente no verão, para passar suas férias e aproveitar as belezas naturais, as águas termais, as festas populares, as feiras, entre outras coisas.

A cidade de Braga é rica em igrejas medievais, barrocas, neo-clássicas… à sua escolha! O Museu dos Biscainhos é uma aula da vida cotidiana no período barroco. O santuário de Bom Jesus do Monte com sua escadaria é outro ponto que vale a pena uma visita. O Rossio da Sé é um convite a meditação (e atenção, eu nem sou católico!), sem falar na beleza do Museu de Arte Sacra que está instalado anexo.

Umas das inúmeras igrejas da cidade de Braga!Outro lugar que vale a pena uma visita é a Vila do Gerês! Durante o verão é um dos maiores balneários da região, com os seus rios limpíssimos e suas águas termais para “desopilar” o fígado (entre outras coisas!). Entre outras coisas ainda oferece os esportes radicais no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Temos ainda o santuário de São Bento da Porta Aberta  e a Póvoa do Lanhoso.

As opções são muitas! Se você tiver a sorte de encontrar alguém que lhe sirva de guia, como é o meu caso, será melhor ainda… Agora, nos próximos dias, vem o carnaval. Bom, nem estou esperando nada parecido com o Brasil, mas será interessante passar por um “carnaval europeu”.  De qualquer forma, vou aproveitar de forma diferente: vou visitar o Caminho de Santiago de Compostela. Depois, escrevo um livro de “à la” Paulo Coelho, junto uma grana e vou viver a vida mais tranquilo!