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Um bicho social

O homem é um bicho sociável. E digo mais, o homem é um bicho totalmente dependente da sociedade. Não sou só eu que digo, isso já foi objeto de inúmeros estudos.

A necessidade de se relacionar não é uma questão apenas de sobrevivência, mas de vivência. Todas as nossas ações, desejos e conquistas são compartilhados com a comunidade. Corremos atrás, batalhamos para ter coisas que, aos olhos do próximo, sejam bem julgadas. Só então nossa satisfação está completa, quando percebemos que passamos a ser admirados e prestigiados por outra pessoa.

Não almejamos o cargo de diretor de multinacional para gozar dos privilégios e do bom salário apenas, mas principalmente porque sabemos que a partir desse momento as pessoas passarão a nos olhar de uma maneira diferente. A satisfação pessoal não está no simples fato de ter alcançado o objeto de desejo, mas também em exibir aos outros essa vitória.

Um artista toca para ser ouvido. Se não houvesse ninguém por ali, a solidão da melodia o faria parar. De que adiantaria se arrumar, tentar ficar bonito, se não houvesse ninguém para olhar?
E é por isso que o homem só passa a existir no momento em que ele participa da vida de outro.

É isso o que imagino quando vejo filmes como “Eu sou a lenda”, que retrata Will Smith como sendo o último sobrevivente da Terra. O que importava, naquele momento em que ele se deparava sozinho, o cargo de coronel, o carro ou a casa?

Eu sou a lenda

Naquele momento, os prédios, o comércio, todas as grandes invenções que o homem um dia criou pareciam apenas uma tentativa frustrada de dar algum sentido à vida. Sua única companheira era uma cachorra e quem ainda lhe dava a idéia de que havia algum sentido em sua existência. Sua última chance de se relacionar.

Em um certo momento, Robert Neville (personagem vivido por Will Smith) começa a conversar com alguns manequins que posicionou dentro de uma locadora. Você pode dizer que esse é o momento em que ele perde a razão e começa a alucinar. Eu diria que esse é o momento que ele recupera a razão e volta a se relacionar, pois é a única maneira de continuar tendo uma vida.

E esse não é um papo espiritualista, tentando mostrar como os bens materiais não deveriam dar sentido à nossa vida. Naquele momento, não eram só os bens que não importavam, mas todas as crenças não faziam mais muito sentido. Se ele decidisse cometer uma heresia, por pior que fosse o pecado, não haveria ninguém para julgá-lo, apontar o dedo e mirar um olhar desaprovador. Nesse momento seu Deus estava morto. A noção de certo ou errado estava perdida. O único momento que Robert recupera sua fé, é o momento que descobre não estar sozinho no mundo, como imaginava, quando consegue por um momento tomar fôlego, mesmo demorando para se reacostumar a ter alguém por perto.

Durante todo o filme, o protagonista tenta encontrar a cura para o vírus que transformou toda a humanidade em zumbis. Mas em nenhum momento esse ato de extrema dedicação foi altruísta. Salvar a raça humana era salvar sua própria vida, era voltar a ter esperanças, sentimento e compartilhar experiência, porque suas experiências nunca são apenas suas.

Não há o que dizer, não há como fugir, o homem é um bicho sociável. Mesmo aquele que decidir negar isso e se isolar, no momento de sua negação, de certa forma estará interagindo com a sociedade. Todos os dias, ao acordar, ele precisará reafirmar sua negação, e ao fazer isso a sociedade continuará tendo partido na sua vida, pois se assim não fosse, não precisaria negar ou afirmar nada a ninguém. Nem a si mesmo.

É por isso que saber se relacionar, saber dar e receber, é primordial para uma vida mais plena. Saber entender as pessoas e olhá-las, de maneira que naquele momento elas comecem a existir, dentro dos seus olhos e compartilhar emoções, porque ninguém vive sua vida plenamente sem viver a vida de outros simultaneamente.

Dois filmes com Julliette Binoche

collage.jpgAssisti recentemente a dois filmes com Julliette Binoche. Tida como musa francesa na década de 1990, com filmes como Trois Couleurs ( dirigida por Krzysztof Kieślowski trilogia com as cores da bandeira francesa e as frases que guiaram a revolução de 1789), The English Patient e Chocolat, ela sempre me agrada com a escolha de roteiros não-óbvios. Explico: ela poderia se manter como pretensa beldade - pretensa porque a beleza é muito relativa e definitivamente não é o que recebemos como “enlatados de USA de 9às 6” - mas prefere tratar dos dilemas humanos num contexto que é íntimo e social ao mesmo tempo. (more…)

Torta de limão, pudim e sorvete

As pessoas mais interessantes que conheço com 40 anos ainda não sabem quem são ou o que “querem ser quando crescer”.

O texto da Samantha, “Decidir aos 17 anos os próximos 100” me estimulou a escrever um pouco aqui sobre a minha breve saga.

Controlando a menteHoje tenho 20 anos e sou Web Builder na IBM do Brasil, formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, e escrevo, além do NossaVia, no blog Oito Passos para o Conhecimento.

Sempre fui o caçula em tudo. Com duas irmãs mais velhas, era o mais novo também no colégio. Me formei no Ensino Médio com apenas 16 anos. Comecei a trabalhar com os mesmos 16, onde também era o mais novo do lugar. Entrei na Volkswagen com 17, sendo o estagiário universitário mais novo que já passou por lá.

E como dizer a um garoto de 16 anos para decidir o futuro profissional ali, naquele momento em que você está preenchendo a ficha de inscrição para o vestibular?

Foi um dos momentos de maior nervosismo na minha vida. Eu estava com a caneta na mão, assinando minha sentença.

Com 3 anos eu tinha uma loja imaginária de CD’s com o Scooby Doo, era um empreendedor nato. Com 7 o negócio era natação.

Com 16, eu já havia pensado em fazer psicologia, pois sempre gostei de observar o comportamento das pessoas, mas decidi que não era meu ramo por inúmeras razões. (more…)

Teatro… Que experiência é essa?

Antigamente, os teatros faziam temporadas que iam de terça a domingo, sendo que nos finais de semana eram comum haver sessões extras ou então o que se chamava de matinê. Espetáculos de autores nacionais ou estrangeiros, realizados por atores profissionais ou amadores conhecidos, levavam milhares de pessoas aos teatros das grandes capitais para rir, chorar ou simplesmente divertir-se com a “magia” do teatro.

Hoje em dia, a maioria dos espetáculos faz temporadas apenas de quinta a domingo e muitas companhias com produções de grande qualidade não conseguem lotar suas apresentações. Por quê?

Teatro é chato! - foi o que ouvi algumas pessoas (que nunca foram ao teatro) falarem. Mas também não existem filmes chatos? Teatro é caro! - diz outro que acabou de pagar R$ 38,00 para comer uma pizza que não era lá aquelas coisas. Eu nunca entendo o que eles querem dizer! - falou um outro ainda que se acaba de dançar um rock inglês, sem falar uma única palavra do mesmo.

Ora, como toda produção artística, existem bons e maus espetáculos. Existem espetáculos em que o ingresso é uma exorbitância porque tem o ator global no elenco (o que nem sempre é sinônimo de qualidade!). Assim como existem espetáculos que são mais radicais em suas pesquisas estéticas, e que exigem sim, um conhecimento prévio de quem está indo ao teatro.

De qualquer maneira, o teatro é uma experiência distinta das outras artes e principalmente do cinema (com o qual é mais frequentemente comparado). O teatro é umas das poucas artes que oferecem uma experiência “viva” para o espectador. Uma pessoa de carne e osso, frente à outra pessoa (o espectador no caso) contando ou vivendo uma história. O que acontece naquele momento nunca mais se repete.

E assim como podemos passar por uma experiência ruim como as citadas anteriormente, podemos também nos surpreender com a força que o teatro tem para comover quem o assiste. Quem já teve oportunidade de assistir ao “Terça Insana” (para começarmos com um exemplo mais Pop) no teatro e também em DVD, sabe como a experiência ao vivo é muito mais intensa! Quem não saiu com dores no estômago por causa desses atores que até pouquíssimo tempo atrás não eram conhecidos no grande público?

Assim como esse, existem inúmeros outros exemplos de bons espetáculo de humor, drama, comédia, tragédia que oferecem bons momentos de entretenimento ou reflexão para a platéia, cabe a nós encontrá-los e experimentar algo que saia um pouco do óbvio. Porque o bom teatro sempre tem este diferencial: ele nos dá uma experiência que foge da linguagem óbvia e imbecilizante da televisão aberta. Ele instiga o pensamento crítico e a necessidade de exercitar o raciocínio. Ele se encontra com os nossos sentidos unindo a literatura (com o texto), a música (através da sonoplastia e da musicalidade das palavras), as artes plásticas (através dos cenários e da iluminação) e a dança (através de coreografias e da expressão gestual).

Não espere que os ótimos espetáculos que estão por perto de você só ganhem sua presença depois que conseguir reconhecimento da grande mídia. Arrisque-se! Quem sabe você não dá de cara com o próximo grande sucesso da temporada? Procure as programações dos teatros perto de sua casa e saia do óbvio.

* Fotos de divulgação dos espetáculos “Terça Insana” (ator Octávio Mendes) e “Medéia - outra versão” (atriz Denise da Luz).

Cotas para exibição de desenhos animados brasileiros: será a solução?

Erica“Pela proposta, no quinto ano de implementação da lei, 50% das transmissões de animações devem ser de origem nacional.

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados realizou hoje (6, no Brasil) uma audiência pública para discutir o Projeto de Lei 1821/03, que cria cotas para a transmissão de desenhos animados brasileiros.
Vicentinho na Câmara dos Deputados O Deputado Vicentinho (PT-SP), autor do projeto, acredita que essa medida pode acabar com a hegemonia dos desenhos animados extrangeiros no país.
Sou negro, mas meus heróis não eram negros, porque na TV não existem heróis negros“, “…(os desenhos extrangeiros) retratam o Brasil de forma preconceituosa.”

O deputado frisa ainda que a produção de animação nacional seria de grande ajuda para a valorização de nossa própria cultura:
“Nós aprendemos a ver as histórias dos outros. Nós devemos conhecê-las, mas também temos que olhar a nossa”.

Já para o consultor da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Carlos Eduardo Rodrigues, a medida pode prejudicar as emissoras. De acordo com ele, a principal rede comercial de TV do país (plim-plim?) exibe conteúdo nacional em 91% da programação no total; na programação infantil 60% é de origem nacional. “Impor cotas significa intervir em uma função vital das TVs privadas: a de definir a programação segundo o interesse do público”.

Para o diretor do Centro Tecnológico do Audiovisual (CTAV) do Ministério da Cultura, José de Araripe, o projeto vai aquecer o mercado nacional e contribuir para a formação educacional das crianças. Porém, ele lembra: embora muitos profissionais brasileiros de animação hoje trabalhem em estúdios internacionais, não temos ainda um pólo nacional de criação: é preciso criar um. “Nossos talentos estão indo embora porque não têm oportunidade aqui”.

O Projeto de Lei

Entre os objetivos está o incentivo à produção nacional de animações e à formação de cidadãos conscientes. “Só vamos mudar a nossa sociedade através da formação de cidadãos mais críticos e mais exigentes em seus direitos. Para isso, precisamos educar melhor as nossas crianças”.

O projeto estabelece percentuais mínimos graduais. Pela proposta, no quinto ano de implementação da lei, 50% das transmissões de animações devem ser de origem nacional.
Segundo o relator da matéria, a cota ainda será discutida pela comissão e, posteriormente, com profissionais da área.

Conheça o projeto de lei na íntegra, no site da Câmara dos Deputados: http://www2.camara.gov.br/proposicoes/loadFrame.html?link=http://
www.camara.gov.br/internet/sileg/prop_lista.asp?fMode=1&btnPesquis
ar=OK&Ano=2003&Numero=1821&sigla=PL

 

Mônica bate em Cebolinha
Turma da Mônica: a freqüência na telinha só virou realidade após contrato com Cartoon Network.