Nossa Via

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Em quem podemos acreditar?

Inevitavelmente, alguns acontecimentos desviam minha atenção e acabo parando para observar a vida ao redor. Todo mundo sabe que o transporte público em São Paulo é caótico e muitos aproveitam essa oportunidade para ganhar a vida. Seja vendendo doces e salgados – em sua maioria de procedência duvidosa, pedindo dinheiro para ajuda em casa ou até fazendo um mini show em pleno trânsito para depois oferecer aos passageiros o seu cd.Em um dos pontos de parada entra uma senhora de camiseta, calça jeans e um all star velho no pé. Ela possui algumas receitas médicas na mão e automaticamente me lembro de que já a tinha visto outras vezes. A história contada na outra ocasião se repassa brevemente na minha cabeça: “Era ela que dizia ser viúva, ter AIDS e catar papelão na rua, não?”.

Sim, era ela. Mas dessa vez, não disse ter a doença. Só que precisava de dinheiro para comprar uma série de remédios para a sua filha, que estava com uma alergia. Também citou que trabalhava em casas de família, mas ambas estavam viajando por conta do Carnaval e, com isso, ela não tinha dinheiro. Contou a história do papelão e da viuvez e pediu uma chance para trabalhar, pois o faz muito bem.

Todos no ônibus ficaram sensibilizados, até o cobrador – coisa que nunca tinha visto – contribuiu com um real. Isso me fez pensar. Será que essa história é realmente verdadeira? Por que ela não citou que tinha AIDS? Isso teria feito com que as pessoas se sensibilizassem ainda mais, certo?

Sei que fiquei com um pé atrás e resolvi não dar dinheiro dessa vez. Quem sabe outro dia, ela entra no ônibus com uma nova história e um novo pedido de remédio. Já vi esse tipo de caso acontecer aqui na porta de casa. Um senhor, bêbado, dizia que iria pegar o ônibus e faltavam 50 centavos para completar a passagem. Uma vez, demos o dinheiro. Uns dias depois, ele aparece de novo. Descobrimos que o pilantra ia no bar da esquina gastar tudo com cachaça.

Nos últimos tempos estou um pouco cética em relação a esses casos. Prefiro comprar uma bala ou um alimento e dar dinheiro para quem pelo menos tenta ter uma forma de trabalho. Isso pode parece radical demais, mas como em cinco minutos de conversa podemos ter certeza de que a pessoa está dizendo a verdade e vai fazer bom uso daquele seu trocado?

O assunto fugiu da minha cabeça quando o ônibus em que estávamos foi fechado por uma moto e os dois acabaram batendo. A senhora foi a primeira a descer. Deve ter ido para outro ponto, pegar outro ônibus e contar mais uma vez a sua história….

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Fique mais rico em 2008: atitudes simples que fazem diferença.

Toda jornada começa com o primeiro passo. E grandes fortunas podem começar com alguns centavos e reais a mais que, juntados e bem aplicados ao longo do tempo, podem se transformar em milhões e na base de riquezas. 

Aproveitando o início do novo ano, com o ambiente promissor, com o mercado em crescimento, com oportunidades de negócio e ganhos financeiros animadores e com o astral positivo, é hora de tirar proveito das conspirações do Universo, como dizem os adeptos da teoria de “O segredo”, arregaçar as mangas e começar a virada financeira

Ficar mais rico a cada ano, a cada dia, é mais simples do que alguns imaginam. E mais fácil. A receita não tem novidade: basta fugir das dívidas, ganhar mais e gastar menos. Não é ironia, não. Algumas pessoas desprezam pequenos valores e não percebem que desperdiçam oportunidades. Temos que ficar atentos a elas e aproveitá-las da melhor forma possível. Fazer o patrimônio – econômico, social e intelectual – crescer a cada ano é condição sine qua non para atingir a sonhada independência financeira. 

Há desperdícios mais valiosos do que o de dinheiro: tempo, saúde e energia são exemplos disso. Pessoas que passam muito tempo reclamando da vida, da situação, do governo, do emprego, da chuva, do sol, mas não adotam atitudes que possam reverter o quadro, possivelmente passarão as próximas viradas de ano na mesma situação. E reclamando das mesmas coisas, como fizeram nos últimos anos. Faça diferente em 2008.  

Veja atitudes simples que podem ajudar a melhorar sua situação financeira de maneira duradoura. 

- Afaste-se das dívidas. Coloque em dia e quite aquelas eventualmente existentes e não se permita contrair novas dívidas. Seja inteligente e disciplinado. Os juros que você paga aos outros poderiam estar engordando seus investimentos e gerando riqueza para o seu futuro. 

- Use o cartão de crédito apenas como meio de pagamento, não como fonte de financiamento. Os excessos de facilidades que os cartões e o comércio oferecem acabam envolvendo e iludindo os menos atentos. Autorize o débito automático em sua conta e pague todas faturas rigorosamente em dia. Mantenha o limite do seu cartão abaixo do valor da sua renda mensal. 

- Diga adeus a cheques pré-datados, carnês, crediários e prestações. Essas formas de pagamento exigem muito controle, escondem os custos reais, expõem você a riscos de inadimplência, mascaram a situação financeira e geralmente são os princípios dos endividamentos crônicos.

- Pague a si mesmo regularmente. Defina quanto você merece e separe uma parte de todos os seus ganhos (salários, comissões, aluguéis, etc.) no ato que receber e transfira imediatamente para a sua conta de investimentos. Não espere para fazer isso no dia seguinte, geralmente não sobra o suficiente. 

- Invista em você. Valorize seu passe. Faça o seu trabalho e os seus pareceres valerem mais. Busque capacitação; diversifique seus conhecimentos; cultive sua rede de relacionamentos; incremente seu currículo; melhore sua imagem; realize ações que demonstrem sua capacidade. Busque diferenciação e seja inovador.  

- Use o tempo a seu favor. Os acomodados dificilmente progridem. Trabalhe mais do que o necessário. Estude mais do que o exigido. Fique pronto antes da hora. Faça diferente. Faça melhor. Plante e cultive mais para poder colher mais. 

- Busque educação financeira. Saber economizar e ganhar dinheiro não é suficiente. É importante aprender a multiplicá-lo. Não creia em receitas mirabolantes e em milagres financeiros. Fique atento aos fundamentos e dê vida longa ao seu dinheiro. 

- Descubra, crie e vá atrás de novas fontes de renda. Valorize seu tempo e seu trabalho. Explore suas habilidades. Valorize seus contatos. Seja útil e necessário. Não desanime. Seja perseverante. 

- Pare para pensar e analise a grande diferença que seria terminar o ano e ao invés de preocupar-se com as contas a pagar estar preocupado com seus investimentos, com o desempenho da bolsa, com os rendimentos dos fundos e com a viagem dos seus sonhos. A diferença entre dever R$ 1 mil para o banco ou ter R$ 1 mil aplicados é infinitamente maior do que míseros R$ 2 mil. Podemos dizer que é o caminho da tranqüilidade financeira. E tenha certeza absoluta: isso não tem preço. 

- Pense em como fazer o dinheiro trabalhar por você. Gere fontes de renda passiva. Faça investimentos. Use o poder dos juros compostos a seu favor. Crie, invente, componha, escreva, desenhe, pinte, ensine, arrume, monte, cozinhe, compre, venda, pesquise, descubra, negocie, pechinche. Aproveite seus talentos.   

Acima de tudo, crie mentalidade positiva. Vá atrás dos seus objetivos. Alguns sacrifícios serão necessários, mas os resultados valerão à pena. Comece em 2008 a grande virada da sua vida. Não espere que o dinheiro caia do céu. Prepare-se para comemorar a chegada de 2009 em alto estilo.  Um brinde à prosperidade!  

Álvaro Modernell

www.edufinanceira.com.br

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Para onde você vai?

MoneyVou tentar não fazer um texto muito longo, porque afinal, não temos tempo. Vivemos correndo, e passamos a vida atrás de duas coisinhas bem pequenas: os ponteiros do relógio.

Não podemos perder tempo, tão precioso e tão caro nesses dias. O tempo é curto.

Todos nós vivemos sob o mesmo tempo, e sincronizar os relógios é fundamental para que algumas coisas dêem certo.

Viver assim desgasta, mas todo mundo faz um esforcinho pelo bem comum. É bom senso, certo? Se uma cirurgia está marcada e o médico chega atrasado, a família não vai gostar de saber que o pneu do carro do Dr. furou. Nem um pouquinho.

Imagina se o Ben Johnson parasse para amarrar o cadarço no meio da corrida de 100m rasos e dissesse “atrasei só dois segundinhos, pô!”.

Sempre aprendi, desde pequeno, a não desperdiçar os segundos. Ser pontual no colégio onde eu estudava era às vezes mais importante do que fazer bom proveito da aula.

Quer ficar desenhando no caderno enquanto o professor fala? Problema seu, mas chegue no horário. Não chegou? Advertência.

Não parava por aí. Aulas aos Sábados, período integral, das 8hrs às 16hrs. Haviam os pais que reclamavam da rigidez do colégio. Reunião de pais era sempre uma discussão.

Eis uma das grandes diferenças da nossa cultura e da americana. Lá os pais tentam colocar os filhos todas as horas possíveis em cursos, treinos, escola. Aqui, se você exige um pouco mais, as mães ficam preocupadas em não tirar a infância dos filhos. E não estou dizendo que estejam certas ou erradas.

E não há como fugir do “inimigo“. Ele é onisciente, onipresente. É o nosso Deus e nós o cultuamos dia a dia.

Quem vive essa vida corrida, com prazos e targets, sabe bem como é olhar para o relógio e pensar que, como diz uma amiga, “agora já é depois“. O difícil é saber atrás do que correr.

Sorriso do gato

- Podia-me dizer por favor, qual é o caminho para sair daqui? - Perguntou Alice.
- Isso depende muito do lugar para onde você quer ir. - disse o Gato.
- Não me importa muito onde… - disse Alice.
- Nesse caso não importa por onde você vá. - Disse o Gato.
- …contanto que eu chegue a algum lugar. - acrescentou Alice como explicação.
- É claro que isso acontecerá. - Disse o Gato - desde que você ande durante algum tempo.

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Uma nova trilha para o capital empreendedor no Brasil

(*) O Angel Investment Network (AIN) é um portal online que se propõe a conectar empresários que buscam capital empreendedor com investidores do tipo Angel que buscam boas oportunidades de investimento. Uma companhia de investimentos com sede em Londres, Inglaterra com página eletrônica e atuação também no mercado brasileiro. Com investidores situados localmente e outros ao redor do mundo, a Angel Investment Network pode ser uma boa opção, tanto para se iniciar uma busca por capital quanto para quem deseja encontrar investimentos.

Periodicamente a AIN Brasil envia por mala direta aos investidores cadastrados e ativos  propostas que combinem com seu perfil e com suas preferências de investimentos. Hoje recebi um desse e-mails com a seguinte proposta, que me chamou a atenção e motivou esse post:

Prezado(a) Wagner Fontoura,

As seguintes propostas de investimento combinam com suas preferências de investimentos.

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FONTE: Brasil Angel Investment Network

TITLULO: Novas Mídias no Mercado Publicitário

SINOPSES:

Empresa especializada em novas mídias dispõe de 10% das cotas para
investidores. Oferecemos mídias altamente segmentadas ao mercado
publicitário, atendemos atualmente “X”, “Y”, “Z”. [URL do proponente informada, omitida  aqui deliberadamente]

SUMARIO DE PROPOSTA:

Empresa especializada em novas mídias dispõe de 10% das cotas para investidores. Oferecemos mídias altamente segmentadas ao mercado publicitário, atendemos atualmente” X, Y, Z”,  entre outras dezenas de clientes.

QUANTIDADE NECESSÁRIA: 100 BRL

INVESTIMENTO MÍNIMO: 25 BRL

REGIÃO: Sudeste - Sao Paulo

INDÚSTRIA 1: Serviços - Negócios

INDÚSTRIA 2: Produtos

RAZÃO DO INVESTIMENTO: Capital de giro

SUBMETIDO: 12 Dez 2007

Ainda essa semana estive reunido com a direção de um grande grupo de mídia brasileiro num almoço em SP, onde o tema principal era como converter  em negócios de fato as oportunidades geradas em torno da nova mídia que só agora se apresenta ao mercado brasileiro de anunciantes - os blogs. E eu lhes falava exatamente que o início do próximo ano deverá ser marcado pelo surgimento de blogs-empresa, como já aconteceu em 2007 (na verdade aconteceu antes, mas teve boa projeção agora, a partir do crescimento do nº de bons blogs) com as empresas de mídia especializadas no segmento dessa nova mídia.

Quando recebo propostas de empresas especializadas em novas mídias, como a transcrita acima no destaque, vejo que o caminho que antevi começa a formar uma trilha interessante. O ato contínuo é que os próprios blogs, convertidos em empresas ou associados a empresas que os assessorem e lhes dêem suporte, organizem seus orçamentos, seus media kits,  profissionalizem suas gestões (vide exemplo daquele que deve ser um dos maiores expoentes dessa turma - e já há diversos outros, inclusive em estágios mais avançados nos seus processos de profissionalização).

Empresas de mídia interativa (elementos da chamada web 2.0) , sejam elas agências publicitárias, blogs-empresa (novo viés dos blogs corporativos) e empresas fomentadoras desse mercado, como a Bites, capitaneada pelo empresário Manoel Fernandes, já são presenças constantes  nas mesas das maiores empresas de mídias chamadas tradicionais e agora começam a frequentar as rodas de investidores de capital empreendedor no Brasil, o que mostra o nível de maturidade desse relacionamento - eu diria que “pronto para iniciar decolagem”.

O recente advento da TV digital no Brasil, por mais criticado que tenha sido (e é natural que surjam muxoxos em torno de toda e qualquer novidade - se é que podemos chamá-la assim), há de contribuir com força de motor de propulsão com a remodelação desse mercado, dando novo impulso ao movimento de convergência e alimentando o círculo virtuoso que fará com que muita coisa prevista esse ano se materialize já a partir do início do próximo.

Erros de percurso como modelos não nos faltam. Recentemente em seu blog no IG, Tiago Dória reporta sua visão, com a qual comungo, de que o casamento entre a grande imprensa e os sites (vários citados no seu post) de jornalismo cidadão, por exemplo, passa necessariamente por se contruir “a ponte” entre essas duas formas de mídia, com “simplicidade e a criação de modelos mistos“.

É uma trilha se formando e já em início de pavimentação.

(*) Update do autor: 

IMPORTANTE: A menção da AIN neste post não implica na sua recomendação pelo autor, mas apenas fornece explicações sobre a sua natureza para que facilite o entendimento do leitor a respeito do fato que o motivou (o recebimento de uma mala direta). O autor, apesar de cadastrado no referido site, não é cliente contratante da empresa, nunca usou seus serviços e, em função disto, não teria como avaliá-los - o que nem é o propósito deste post.

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Esse Deus, o dinheiro

Nasci numa família que sempre valorizou muito a educação, a honestidade e a cultura. Apesar de passarmos, como todo mundo, por períodos de dificuldades financeiras, quase nunca se falava abertamente nisso em nossa casa. Em épocas melhores, curtíamos as regalias que podíamos ter. Em tempos de vacas magras, economizávamos.São momentos memoráveis de nossas vidas, a chegada, em nossa casa, da Enciclopédia Barsa, para nós, um sonho de consumo, sim, mas por ser, na época, o supra-sumo do acesso ao conhecimento; e da coleção completa do Monteiro Lobato, que li e reli e me encantou a tal ponto que fez com que eu desejasse ser uma escritora, sonho que jamais me abandonou. Éramos seis filhos, e não lembro de ver nenhum de meus irmãos mais velhos desesperado para ter um carro, ou para comprar roupas de grife. Mas quando podiam, se davam ao luxo de comprar clássicos da literatura em encadernações especiais, que folheávamos com o cuidado de quem lida com uma verdadeira preciosidade.

Foi esse o legado que minha família me deixou: além da hombridade, o gosto pela cultura. Atributos que, independentemente da minha situação financeira momentânea, me acompanham sempre, muitas vezes fazem com que eu me destaque, e me ajudam a jamais me sentir infeliz ou inadequada.

Mas, é claro, sempre soube que nem todo mundo pensa da mesma forma. Parece-me que quanto mais o mundo “evolui”, mais distante fica esse tempo até romântico de amor ao conhecimento e a sólidos valores morais.

Casei, tive meus filhos, e a primeira vez que fiquei seriamente preocupada com a qualidade da relação que eles teriam com o dinheiro e com as mulheres foi quando participei de uma conversa entre pré-adolescentes encantados com a Feiticeira e com a Tiazinha, na época em que elas foram lançadas pelo Luciano Huck. Flagrando meia dúzia de garotos, empolgados com a extrema beleza das duas personagens, compartilharem, euforicamente, da mesma idéia de que era preciso ganhar muito dinheiro, porque sem dinheiro seriam rejeitados pelas mulheres, tentei argumentar, perguntando-lhes se eles realmente desejavam sair com uma mulher que estivesse interessada mais em seu dinheiro do que neles. A minha pergunta parecia nem tocá-los, tão obstinados estavam nessa idéia de que um homem vale o dinheiro que tem.

A partir daí, passei a observar mais atentamente essa supervalorização do dinheiro, extremamente recorrente em nossa sociedade capitalista. E a cada dia fico mais impressionada ao perceber o quanto é difícil lutar contra isso.

Encontro diariamente pessoas que têm o dinheiro como referência para tudo. Ao se referirem a alguém, citam quanto dinheiro a pessoa tem. – “O cara tem uma grana!” – é uma expressão que sempre escuto, e a que esperam que eu atribua o significado de “ele é mais do que os outros”. Não importa se o cara é trabalhador ou apenas um herdeiro sortudo. Se é honesto ou vigarista. Se usa bem o dinheiro que tem, melhorando o mundo ao seu redor, ou se é um egoísta que pensa apenas em aumentar sua fortuna, e para isso usa os métodos mais espúrios, sem o menor escrúpulo. Ele é “algo mais” porque “tem uma grana”!

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Valores morais, honestidade, cultura, inteligência, sensibilidade, caráter, parecem ter perdido feio para esse Deus Dinheiro, que tudo determina e sentencia.

Um jovem que nem sabe o que é trabalho completa dezoito anos e imediatamente ganha um carro potente, que, em sua cabeça, lhe agrega um valor inestimável. Sai pelas ruas ultrapassando carrinhos mais humildes, que sofrem em subidas íngremes, sorri zombeteiramente, e acredita piamente que “é” mais do que o motorista que ficou pra trás. Como se ele fosse a potência do seu carro! Aliás, é sabido que grande parte dos homens tem uma relação tão forte com seu automóvel que pensa nele como uma extensão de si mesmo.

São infinitas as situações em que o dinheiro assume importância tão grande, que tudo o mais parece não ter valor algum. Quantas e quantas vezes já ouvi alguém dizer, argumentando contra a fidelidade a uma bela amizade, que “seu melhor amigo estava ali, no seu bolso”? Quantos relacionamentos já vi se deteriorarem pelo fato de que quem detém o poder financeiro se considera dono de todas as resoluções familiares? O que sente uma mulher que faz de tudo para que a família inteira fique bem, mas, no momento das decisões cruciais, escuta do marido que é ele que paga as contas, e por isso é ele que decide?

Há poucos dias, eu e minha família vimos uma cena, depois de um jogo de futebol, em que uma linda fã até chorava, implorando um beijo a um dos jogadores. Os homens da minha casa deram risada, porque o jogador não tinha nada de galã, e eles só conseguiam explicar o comportamento da garota como amor ao dinheiro. Realmente, o assédio das Maria-Chuteiras a jogadores é algo há muito conhecido por todos. Sempre com alguma esperança de ainda poder acreditar nas mulheres, fiquei ponderando que talvez não tivesse só a ver com o dinheiro, mas com o talento. Todos os homens riram da minha cara. E me garantiram que o foco era o dinheiro mesmo, e que se uma daquelas garotas cruzar com o mesmo jogador em qualquer rua da cidade, sem saber quem ele é nem quanto ganha, jamais vai olhar com interesse pra ele. O dinheiro faz o homem ficar bonito – era o consenso geral, entre os homens. Mas eu ainda não havia me convencido de todo.

Coincidentemente, dois dias depois, liguei a TV e naquele exato momento, num programa que nem sei qual era, duas belas mulheres davam o seguinte depoimento a uma jornalista: “Você vê dois homens, um muito bonito e outro muito feio. O muito bonito chega pra você e te convida pra tomar alguma coisa num bar qualquer, à pé. Instantaneamente, ele fica meio feio. O muito feio vem e te convida pra ir no jatinho dele pegar um sol numa praia paradisíaca, onde ele tem uma mansão.

No mesmo momento, você já começa a achá-lo bonito, e logo ele parecerá um príncipe!” – Me senti tolamente ingênua, porque, elas não só pensavam realmente dessa forma, como declaravam isso publicamente, sem o menor constrangimento!
Mas a coisa vai mais longe: quando o Papa veio ao Brasil, me impressionei com a comoção do povo, porque eu achava que as pessoas reagiam à sua presença como se ele fosse um santo, e eu não entendia bem essa situação, porque, para mim, o Papa é o representante da Igreja Católica, mas não é um santo. Comentei com um conhecido meu sobre essa emoção, exagerada, a meu ver, e ele me saiu com essa: - “É, mas ele tem uma grana…” - referindo-se à riqueza da Igreja Católica! Caraaaaaca! Será que Deus “tem uma Grana”, e é por isso que é tão popular?

E o aquecimento global? Quando a mídia começou a falar mais seriamente sobre o assunto, e pudemos perceber a verdadeira gravidade do problema, logo ficou evidente, pra quem pensa um pouco, que as providências teriam que ser urgentíssimas. Mas, infelizmente, quem tem interesses financeiros, não pode perceber a enorme urgência dessa situação. Governantes do mundo todo negociam pequeníssimas porcentagens de diminuição de emissão de gases de efeito estufa a longuíssimos prazos, e os que mais poluem se dão o direito de nem ao menos assinar o Protocolo de Kyoto, porque pretendem crescer muito, e poluir mais ainda!

Enquanto as catástrofes crescem no mundo todo, os antídotos são extremamente lerdos, para não abalar a economia mundial. A tal da grana vai comendo tudo: injetam nossa preciosa água no lugar do petróleo que poluirá a Terra, investem na indústria bélica em vez de promover a paz, investigam outros planetas, quando não sabem nem ao menos lidar com o nosso… E não se empenham, nem ao seu dinheiro, em baratear tecnologia para a produção de energia limpa. Nós, leigos, escutamos falar em tantas possibilidades, que a impressão que temos é de que tudo pode virar energia. Mas os homens ainda se comovem profundamente cheirando uma rocha impregnada de petróleo, porque esse é o cheiro do dinheiro!

Quando comento com as pessoas que as providências tinham que ser muito mais ágeis, que o mundo deveria estipular um prazo não muito longínquo para substituir totalmente a energia suja pela limpa, elas me dizem : - Você é louca! E a economia? E os prejuízos? – Talvez ainda não tenham percebido que numa Terra completamente assolada por catástrofes os lucros não resolverão grande coisa…

Há pouco tempo assisti no teatro a peça O Avarento, de Molière, com o maravilhoso Paulo Autran. Seu personagem passa a história inteira tendo o dinheiro como referência para tudo. Tudo, absolutamente tudo o que faz é em função do dinheiro. O amor não importa, os sentimentos não importam, ele poderia comer muito bem, mas come mal, se veste como um mendigo, e vive atormentado com a idéia de que lhe roubem o dinheiro, que mantém enterrado dentro de um baú, no jardim. No final da peça, todos os seus familiares vão para uma festa, e ele fica sentado, sozinho, num pequeno banco, abraçando seu baú de dinheiro. Feliz da vida!

A impressão que tenho, às vezes, é a de que vamos acabar assim: doentes e sedentos, sentados em cima de uma imensa uva-passa super-aquecida, abraçados a um baú de dinheiro e talvez assistindo pela TV uma legião de perfeitíssimas mulheres que jamais serão de ninguém, porque o dinheiro já é seu dono, se balançando incansavelmente, como as meninas do Pânico. Espero, sinceramente, estar errada.

analu-foto-do-blog.jpg Texto remetido pela Ana Lúcia Sorrentino Garé para publicação no Via Aberta, canal através do qual você também pode enviar seu próprio material para publicação no Nossa Via. Ele será submetido a avaliação pelos editores do site e poderá também ser veiculado nesse espaço.

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