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Esse Deus, o dinheiro

Nasci numa família que sempre valorizou muito a educação, a honestidade e a cultura. Apesar de passarmos, como todo mundo, por períodos de dificuldades financeiras, quase nunca se falava abertamente nisso em nossa casa. Em épocas melhores, curtíamos as regalias que podíamos ter. Em tempos de vacas magras, economizávamos.São momentos memoráveis de nossas vidas, a chegada, em nossa casa, da Enciclopédia Barsa, para nós, um sonho de consumo, sim, mas por ser, na época, o supra-sumo do acesso ao conhecimento; e da coleção completa do Monteiro Lobato, que li e reli e me encantou a tal ponto que fez com que eu desejasse ser uma escritora, sonho que jamais me abandonou. ÿramos seis filhos, e não lembro de ver nenhum de meus irmãos mais velhos desesperado para ter um carro, ou para comprar roupas de grife. Mas quando podiam, se davam ao luxo de comprar clássicos da literatura em encadernações especiais, que folheávamos com o cuidado de quem lida com uma verdadeira preciosidade.

Foi esse o legado que minha família me deixou: além da hombridade, o gosto pela cultura. Atributos que, independentemente da minha situação financeira momentânea, me acompanham sempre, muitas vezes fazem com que eu me destaque, e me ajudam a jamais me sentir infeliz ou inadequada.

Mas, é claro, sempre soube que nem todo mundo pensa da mesma forma. Parece-me que quanto mais o mundo ?evolui?, mais distante fica esse tempo até romântico de amor ao conhecimento e a sólidos valores morais.

Casei, tive meus filhos, e a primeira vez que fiquei seriamente preocupada com a qualidade da relação que eles teriam com o dinheiro e com as mulheres foi quando participei de uma conversa entre pré-adolescentes encantados com a Feiticeira e com a Tiazinha, na época em que elas foram lançadas pelo Luciano Huck. Flagrando meia dúzia de garotos, empolgados com a extrema beleza das duas personagens, compartilharem, euforicamente, da mesma idéia de que era preciso ganhar muito dinheiro, porque sem dinheiro seriam rejeitados pelas mulheres, tentei argumentar, perguntando-lhes se eles realmente desejavam sair com uma mulher que estivesse interessada mais em seu dinheiro do que neles. A minha pergunta parecia nem tocá-los, tão obstinados estavam nessa idéia de que um homem vale o dinheiro que tem.

A partir daí, passei a observar mais atentamente essa supervalorização do dinheiro, extremamente recorrente em nossa sociedade capitalista. E a cada dia fico mais impressionada ao perceber o quanto é difícil lutar contra isso.

Encontro diariamente pessoas que têm o dinheiro como referência para tudo. Ao se referirem a alguém, citam quanto dinheiro a pessoa tem. ? ?O cara tem uma grana!? ? é uma expressão que sempre escuto, e a que esperam que eu atribua o significado de ?ele é mais do que os outros?. Não importa se o cara é trabalhador ou apenas um herdeiro sortudo. Se é honesto ou vigarista. Se usa bem o dinheiro que tem, melhorando o mundo ao seu redor, ou se é um egoísta que pensa apenas em aumentar sua fortuna, e para isso usa os métodos mais espúrios, sem o menor escrúpulo. Ele é ?algo mais? porque ?tem uma grana?!

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Valores morais, honestidade, cultura, inteligência, sensibilidade, caráter, parecem ter perdido feio para esse Deus Dinheiro, que tudo determina e sentencia.

Um jovem que nem sabe o que é trabalho completa dezoito anos e imediatamente ganha um carro potente, que, em sua cabeça, lhe agrega um valor inestimável. Sai pelas ruas ultrapassando carrinhos mais humildes, que sofrem em subidas íngremes, sorri zombeteiramente, e acredita piamente que ?é? mais do que o motorista que ficou pra trás. Como se ele fosse a potência do seu carro! Aliás, é sabido que grande parte dos homens tem uma relação tão forte com seu automóvel que pensa nele como uma extensão de si mesmo.

São infinitas as situações em que o dinheiro assume importância tão grande, que tudo o mais parece não ter valor algum. Quantas e quantas vezes já ouvi alguém dizer, argumentando contra a fidelidade a uma bela amizade, que ?seu melhor amigo estava ali, no seu bolso?? Quantos relacionamentos já vi se deteriorarem pelo fato de que quem detém o poder financeiro se considera dono de todas as resoluções familiares? O que sente uma mulher que faz de tudo para que a família inteira fique bem, mas, no momento das decisões cruciais, escuta do marido que é ele que paga as contas, e por isso é ele que decide?

Há poucos dias, eu e minha família vimos uma cena, depois de um jogo de futebol, em que uma linda fã até chorava, implorando um beijo a um dos jogadores. Os homens da minha casa deram risada, porque o jogador não tinha nada de galã, e eles só conseguiam explicar o comportamento da garota como amor ao dinheiro. Realmente, o assédio das Maria-Chuteiras a jogadores é algo há muito conhecido por todos. Sempre com alguma esperança de ainda poder acreditar nas mulheres, fiquei ponderando que talvez não tivesse só a ver com o dinheiro, mas com o talento. Todos os homens riram da minha cara. E me garantiram que o foco era o dinheiro mesmo, e que se uma daquelas garotas cruzar com o mesmo jogador em qualquer rua da cidade, sem saber quem ele é nem quanto ganha, jamais vai olhar com interesse pra ele. O dinheiro faz o homem ficar bonito ? era o consenso geral, entre os homens. Mas eu ainda não havia me convencido de todo.

Coincidentemente, dois dias depois, liguei a TV e naquele exato momento, num programa que nem sei qual era, duas belas mulheres davam o seguinte depoimento a uma jornalista: ?Você vê dois homens, um muito bonito e outro muito feio. O muito bonito chega pra você e te convida pra tomar alguma coisa num bar qualquer, à pé. Instantaneamente, ele fica meio feio. O muito feio vem e te convida pra ir no jatinho dele pegar um sol numa praia paradisíaca, onde ele tem uma mansão.

No mesmo momento, você já começa a achá-lo bonito, e logo ele parecerá um príncipe!? ? Me senti tolamente ingênua, porque, elas não só pensavam realmente dessa forma, como declaravam isso publicamente, sem o menor constrangimento!
Mas a coisa vai mais longe: quando o Papa veio ao Brasil, me impressionei com a comoção do povo, porque eu achava que as pessoas reagiam à sua presença como se ele fosse um santo, e eu não entendia bem essa situação, porque, para mim, o Papa é o representante da Igreja Católica, mas não é um santo. Comentei com um conhecido meu sobre essa emoção, exagerada, a meu ver, e ele me saiu com essa: - ?ÿ, mas ele tem uma grana…? - referindo-se à riqueza da Igreja Católica! Caraaaaaca! Será que Deus ?tem uma Grana?, e é por isso que é tão popular?

E o aquecimento global? Quando a mídia começou a falar mais seriamente sobre o assunto, e pudemos perceber a verdadeira gravidade do problema, logo ficou evidente, pra quem pensa um pouco, que as providências teriam que ser urgentíssimas. Mas, infelizmente, quem tem interesses financeiros, não pode perceber a enorme urgência dessa situação. Governantes do mundo todo negociam pequeníssimas porcentagens de diminuição de emissão de gases de efeito estufa a longuíssimos prazos, e os que mais poluem se dão o direito de nem ao menos assinar o Protocolo de Kyoto, porque pretendem crescer muito, e poluir mais ainda!

Enquanto as catástrofes crescem no mundo todo, os antídotos são extremamente lerdos, para não abalar a economia mundial. A tal da grana vai comendo tudo: injetam nossa preciosa água no lugar do petróleo que poluirá a Terra, investem na indústria bélica em vez de promover a paz, investigam outros planetas, quando não sabem nem ao menos lidar com o nosso… E não se empenham, nem ao seu dinheiro, em baratear tecnologia para a produção de energia limpa. Nós, leigos, escutamos falar em tantas possibilidades, que a impressão que temos é de que tudo pode virar energia. Mas os homens ainda se comovem profundamente cheirando uma rocha impregnada de petróleo, porque esse é o cheiro do dinheiro!

Quando comento com as pessoas que as providências tinham que ser muito mais ágeis, que o mundo deveria estipular um prazo não muito longínquo para substituir totalmente a energia suja pela limpa, elas me dizem : - Você é louca! E a economia? E os prejuízos? ? Talvez ainda não tenham percebido que numa Terra completamente assolada por catástrofes os lucros não resolverão grande coisa…

Há pouco tempo assisti no teatro a peça O Avarento, de Molière, com o maravilhoso Paulo Autran. Seu personagem passa a história inteira tendo o dinheiro como referência para tudo. Tudo, absolutamente tudo o que faz é em função do dinheiro. O amor não importa, os sentimentos não importam, ele poderia comer muito bem, mas come mal, se veste como um mendigo, e vive atormentado com a idéia de que lhe roubem o dinheiro, que mantém enterrado dentro de um baú, no jardim. No final da peça, todos os seus familiares vão para uma festa, e ele fica sentado, sozinho, num pequeno banco, abraçando seu baú de dinheiro. Feliz da vida!

A impressão que tenho, às vezes, é a de que vamos acabar assim: doentes e sedentos, sentados em cima de uma imensa uva-passa super-aquecida, abraçados a um baú de dinheiro e talvez assistindo pela TV uma legião de perfeitíssimas mulheres que jamais serão de ninguém, porque o dinheiro já é seu dono, se balançando incansavelmente, como as meninas do Pânico. Espero, sinceramente, estar errada.

analu-foto-do-blog.jpg Texto remetido pela Ana Lúcia Sorrentino Garé para publicação no Via Aberta, canal através do qual você também pode enviar seu próprio material para publicação no Nossa Via. Ele será submetido a avaliação pelos editores do site e poderá também ser veiculado nesse espaço.

Pense em fazer dinheiro, não em ganhar dinheiro!

Há diferenças muito maiores na escolha desses dois verbos do que uma simples decisão semântica. São questões de atitude, de crenças, de postura. Questões que fazem a diferença entre quem tem potencial para ficar rico ou para continuar na mesma situação.

Começando pela análise da postura, fazer dinheiro passa a idéia de atividade, iniciativa, decisão, empenho. Posturas que diferenciam as pessoas que correm atrás daquelas que ficam apenas esperando pelo destino.

O ganhar dinheiro muitas vezes fica associado à sorte, a passividade e à decisão de terceiros sobre o seu próprio destino financeiro. Esse parágrafo isoladamente já esclarece e representa o suficiente para que cada um reflita sobre a postura que deve adotar em relação às suas finanças.

A crença de que o dinheiro nasce em árvores nos foi tirada ainda na primeira infância. Mas, metaforicamente falando, parece que ainda há muita gente que acredita nisso. Ouve-se reclamações sobre a falta de dinheiro, algumas colocações às vezes invejosas sobre os ganhos do vizinho, mas o que se observa em certos casos são pessoas que limitam-se a fazer o que lhes é pedido ou a pegar os cavalos encilhados que passam na frente da porta. Muitas vezes nem isso.

Esperam o que? Ganhar mais? Ser mais valorizados? Melhorar a situação financeira? Sabemos todos que, salvo raras exceções, o sucesso, incluindo o financeiro, é feito de um mix de inspiração e transpiração.

Inspiração está relacionada à criatividade, à inteligência e até à genialidade. Como nem todos temos o privilégio de ter esses dons acima da média, podemos compensar com a segunda parte: a transpiração.

Nosso dia é igual ao de todos. São vinte e quatro horas. Existem coisas sagradas como o tempo da alimentação, da higiene, do descanso, do lazer, da família, dos amigos, mas também têm as horas da ociosidade.

Podemos escolher entre ficar dormindo, na mesa de um bar, na frente da televisão ou estudando e produzindo. Cada um faz a sua escolha. E cada um planta aquilo que colhe. Alguns esperam ganhar dinheiro. Outros decidem fazer. Quem conseguirá juntar mais? Em qual grupo você quer estar?

Podemos também fazer benchmarking. Os pedintes, que vivem de esmolas, pedem dinheiro, na esperança de ganhar o suficiente para comer e outras necessidades.

Os norte-americanos, independente de quem goste ou não deles, são o povo mais rico do mundo. Coincidência ou não, também são os mais empreendedores e os que mais investem no marketing pessoal. O verbo que eles utilizam para gerar renda é o fazer ? to make money.

Sei que este já é um discurso recorrente no meio profissional, mas para o público leigo em finanças, para o qual escrevo, é uma abordagem ainda inexplorada. Resolvi fazer a partir de um questionamento recebido por e-mail do Ricardo (nome fictício), dentista de São Paulo, perguntando porque ele não conseguia melhorar sua situação financeira, apesar de ser muito econômico e ser um poupador quase que compulsivo. A resposta, caro Ricardo, para o seu caso e para o de tantas outras pessoas, é que não se chega a outros lugares seguindo sempre pelo mesmo caminho. Não basta economizar e poupar. ÿ preciso fazer dinheiro.

Sucesso e prosperidade para todos.

Fontes alternativas de capital empreendedor

Mencionei em recente post publicado aqui no portal algumas fontes de recursos disponíveis ao empreendedor, que variam normalmente em função do estágio do empreendimento. Falamos de anjos investidores, de fundos de capital de risco, financiamentos bancários e outros.

Mas existem outras fontes de recursos que as empresas devem ainda considerar, cujo acesso vai variar, normalmente, em função da oferta e das características do empreendimento.Segundo a Professora Cláudia Pavani (Economista pela USP e Mestre em Inovação Tecnológica/Engenharia de Produção pela Coppe-UFRJ) as principais fontes podem ser:

Lucros Acumulados:

Recursos gerados na operação e retidos pela empresa em períodos anteriores;

Clientes:

Adiantamento de valores contratados, que a empresa utiliza para o desenvolvimento ou produção / prestação de serviços;

Fornecedores:

A empresa pode conseguir parcelamentos ou descontos para pagamento dos seus fornecedores; (more…)

Por onde flui o capital empreendedor no Brasil

O capital empreendedor - que, via de regra, busca empresas que atuem em mercados de rápido crescimento e vantagens competitivas significativas - possui fontes diversas de financiamento, e algumas são mais adequadas que outras aos igualmente diversos estágios de formação da empresa, do fluxo de caixa do tomador, dos montantes e das regras e restrições impostas pelo financiador.

No estágio de Concepção da empresa (ou de projeto), as fontes mais indicadas são as reservas / poupança do próprio empreendedor - ou de pessoas das suas relações pessoais de quem possa tomar por empréstimo, como familiares e amigos próximos. Os chamados angels investors também atuam muito fortemente em empreendimentos nesta fase de projeto. Neste momento, a receita é zero e o fluxo de caixa negativo, mas não muito ainda, porque, via de regra, este estágio ainda demanda poucos investimentos efetivos, tais como o elaboração do Plano de Negócio , o desenvolvimento de estudos e projetos e pesquisas preliminares de mercado.

Já no estágio seguinte - que vamos chamar aqui de Start-up - onde se desenvolvem protótipos, projetos-piloto, novas pesquisas de mercado, aquisições de máquinas e equipamentos e onde pode-se começar a contratar mão-de-obra, onde a receita ainda é muito baixa e oscilante e o fluxo de caixa é mais fortemente negativo - a principal opção de fonte de recursos de terceiros é quase sempre o capital empreendedor (também chamado capital de risco ou venture capital) e, eventualmente, parceiros potenciais de negócios. Para atrair esse tipo de investidor a empresa deve apresentar potencial de crescimento expressivo, atuar em mercados atraentes, com produtos e / ou serviços competitivos e preferencialmente inovadores.

No estágio seguinte de vida de uma empresa - o Inicial - esse leque sempre aumenta, visto que, com o desenvolvimento dos negócios os financiamentos bancários começam a existir e a empresa tende a ter fluxo de caixa suficiente (embora, quase sempre ainda relativamente baixo) para arcar com os juros e amortizações cobrados por este tipo de financiador. Isso sem contar que neste estágio começam a surgir possíveis recursos de incentivos fiscais e de clientes (receitas) mais regulares.

Na fase de Expansão da empresa, dependendo do seu grau de maturidade e do montante de recursos a ser aportado, o private equity surge como possibilidade real a ser considerada - sempre com alguma perda de liberdade por parte do empreendedor, em função da necessidade de passar a ter que informar os investidores de forma mais sistemática a respeito de tudo o que diz respeito à gestão do negócio.

Para empresas mais Maduras e robustas, o mercado aberto de ações, através de emissões públicas, além de todas as opções anteriores, surge como um possibilidade a ser considerada.

Fundos de capital empreendedor são geridos por uma empresa administradora e seus sócios são investidores de longo prazo.

Um tipo de fundo bastante comum no mercado brasileiro são as holdings; e existe ainda subsidiárias corporativas de instituições financeiras ou de grandes empresas, cujos recursos são provenientes do caixa dessas instituições.

Os processos fundamentais do capital de risco, normalmente, são:

1. Captação
2. Seleção
3. Análise
4. Investimento
5. Acompanhamento
6. Desinvestimento

Mas isso é assunto para um outro post. Até lá!

A mágica do dinheiro fácil e rápido

Conrado Navarro “Qual o melhor investimento? Pare de procurar resposta para a pergunta do milhão. Que tal procurar pelo melhor investimento para você?”

Cuidado com os maus (e falsos) exemplos dados em muitas prosas de bar ou no almoço de domingo. Aquele primo, que ficou rico em um ano porque ?está mexendo com essa tal Bolsa de Valores?, pode na verdade estar fazendo algo mais perigoso e que quase ninguém desconfia: mentindo. Acontece. Será que é só isso que ele anda fazendo? Humpf! Achar que algo vai fazê-lo ficar rico assim tão rapidamente pode frustrar suas tentativas de investimento e minar sua auto-estima. Dinheiro é coisa séria.

Vejo muitos leitores se inspirando em Warren Buffet e George Soros. Calma lá pessoal. A história deles é muito bacana, o QI financeiro deles é elevado e a inteligência emocional privilegiada. Ora, eles ganham muito dinheiro do dia pra noite porque movimentam muito dinheiro. Dinheiro com dinheiro se ganha. Deixe a mágica de lado. E não, eu não estou dizendo que não devam ler suas obras e dicas. ?Interpretação de texto faz parte da prova?, assim falava um professor meu.

Já falei e repito: seu emprego não vai torná-lo rico! Isso é uma opção sua (só sua) e não um dever da empresa. Trabalhar dá dinheiro? Dá! Trabalhar para si mesmo pode dar mais. Aprender a fazer seu dinheiro trabalhar por você dá muito mais. Mas enfim, isso sim é assunto para o bar.

A rentabilidade deve ser construída
A melhor opção para você aplicar seu dinheiro é aquela que você escolher. Seu perfil determina sua aversão ao risco e a rentabilidade de seu patrimônio estará nele atrelada. Passado o curto prazo, seja lá o que isso signifique para você, a realidade ainda será a mesma: alguém ganhou mais dinheiro que você e alguém ganhou menos. No entanto, preferimos nos lamentar pelos poucos (ou muitos) ?por centos? que deixamos de ganhar a vibrar com os mesmos poucos (ou muitos) ?por centos? que conseguimos conquistar.

Não estou sendo hipócrita ou simplista ao dizer que você deve apenas comemorar o que ganhou, ainda que tenha sido pouco. Estou sendo realista. Aprender a multiplicar seu patrimônio requer dedicação e conhecimento e à medida que essa base cresce, cresce também a rentabilidade. Querer ganhar dinheiro à beça em apenas 6 ou 12 meses, a partir de um produto fantástico oferecido pelo colega, é assumir publicamente sua ingenuidade e favorecer o caráter imediatista vivido pela grande maioria da população. Nada justifica a falta de planejamento passado.

Seu dinheiro não vai se multiplicar tanto quanto você gostaria no curto prazo, isso já ficou claro? Aprender a lidar com suas expectativas é a lição número um. Além disso, há outras coisas a se considerar:

  • Imposto de renda: as alíquotas para movimentação em fundos são altas para períodos de 180 ou 365 dias. Dependendo da rentabilidade acumulada, o dinheiro em conta pode frustrá-lo depois que o governo levar a parte dele.

  • Operar na Bolsa não é só comprar e vender: eu particularmente adoro as histórias de quem ficou rico com a Bolsa de Valores. Sugiro que você também enalteça tais pessoas, mas entre com cuidado e comece devagar. Estude primeiro, tenha boas companhias e invista seu tempo em aprimorar seu senso de negociação. Se notar que o mercado costuma bater mais em você do que você nele, pule para um clube de investimentos ou fundo de ações.

  • O risco: quando o assunto é dinheiro, risco é algo fundamental de se entender. Ao contrário do que todos costumam pensar, risco não é algo necessariamente ruim. Risco é a chance de algo dar errado, mas é também a chance de algo dar certo. No mundo financeiro, quanto maior o risco maior o retorno. Se em 6 ou 12 meses você procura por dinheiro garantido, com poucas chances de evaporar, sua rentabilidade não será das melhores. Mas aprenda que é assim. Ponto.

O que posso fazer então?
Se você é dos que tem dinheiro para investir e não se preocupa com uma eventual queda de patrimônio no curto prazo, procure um bom corretor e trate de entrar no mercado de ações e derivativos. Arrisque, mas assuma as consequências. Se você gosta de andar por estradas mais tranqüilas, prefira aplicações como CDB, fundos referenciados DI, fundos multimercado conservadores ou a boa e velha caderneta de poupança (que está de fôlego renovado).

Qual o melhor investimento?
Pare de procurar resposta para a pergunta do milhão. Que tal procurar pelo melhor investimento para você? Notou a sutil diferença? Quem tem pouca reserva não pode se dar ao luxo de participar do pregão da Bovespa, ainda que eu fale que a Bolsa dá dinheiro. Quem tem muito dinheiro e ainda assim prefere os imóveis e a poupança pode estar perdendo a oportunidade de multiplicar seu patrimônio. Mas isso não interessa quando este alguém está feliz e satisfeito com o que está fazendo.

Até a próxima! Grande abraço.

 

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Conrado Navarro é consultor de finanças pessoais e investimentos. Com formação técnica e MBA Executivo pela UNIFEI, ministra palestras, mini-cursos e workshops para empresas, comunidades e estudantes em toda região Sudeste. Sócio-fundador do Dinheirama e da Sociedade Dinheirama, onde mantém artigos, opiniões e grande parte de seu trabalho disponível de forma gratuita. Empreendedor serial, atua também na área de gestão de empresas de tecnologia e serviço, oferece cursos virtuais e presta consultoria online.

Colunista do portal Administradores, da revista Papo de Homem, do Nossa Via, também participa de entrevistas, reportagens e debates sobre planejamento financeiro e finanças em revistas e sites especializados, como Foco Economia e Negócios, Desabafo de Mãe e Leaders (FIESP).