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Sobre a felicidade

“A felicidade é a única coisa que podemos dar sem possuir.” (Voltaire)

Muitos dizem que o amor é o sentimento mais valioso, bonito. Mas eu aposto minhas moedas na felicidade. Se existe um Deus, uma entidade, ele é paz, felicidade pura e não amor. Porque o amor também pode ser destrutivo, intenso, devastador, se confundido, mas a felicidade não.

Ao contrário do amor, a felicidade é um sentimento simples, sem muitos mistérios. Aliás, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora simplesmente por não perceber sua simplicidade. É tão fácil que você não precisa de um motivo. E ser feliz sem motivo é a forma mais autêntica da felicidade.

“As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.” (Fernando Pessoa)

No contraponto, temos o sofrimento, esse sim complicado. E o sofrimento, na maioria das vezes, não vem de coisas que fizemos, mas que deixamos de fazer. Você não sofre por trabalhar demais e ganhar pouco, mas pelo tempo que perdeu e pelas coisas que vai deixar de fazer, como curtir um cinema, nadar, namorar, viajar. Não sofre pela derrota, mas pelo grito de vitória que ficou engasgado na garganta. Não sofre por ficar velho, mas pelo tempo ter te privado do direito de viver tudo aquilo que não conseguiu e agora não pode mais.

“A meta da existência é encontrar felicidade, o que significa encontrar interesse.” (Alexandre Sutherland Neill)

Mas existem aqueles que não querem encontrar a felicidade, como quem sofre de depressão. Depressão é aquela doença que te obriga a ser infeliz, só para poder confirmar sua posição como depressivo. Porque “se fossem felizes, não podiam mais ser deprimidos. Eles teriam que entrar de sola no mundo e viver e isso é deprimente.” *

O homem é talvez o único animal que pensa que pode ser feliz, enquanto todos os outros simplesmente o são. Ser feliz muitas vezes é só uma questão de atitude. É se iludir menos e viver mais, sem se esquivar das provações, do sofrimento, porque nesse desvio podemos perder também a felicidade.

Qual é o caminho para a felicidade?

“Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.” (Mahatma Gandhi)

* Retirado do filme Closer – perto demais

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A vida que eu quero pra mim!

Estava bastante confuso em relação ao que escrever neste sábado aqui no NossaVia. Entre a explosão da violência que vi em um vídeo do Gafanhoto.com (e que provavelmente ainda será tema de um post) e vários outros assunto em que venho pensando, optei por falar de mim.

Assistindo a Brothers & Sisters (série que está reprisando sua primeira temporada na Universal, e que a Sam já tinha noticiado a estréia) me vi pensando em um monte de situações com as quais venho me confrontando no dia-a-dia e nas decisões que tomo. Na série, após a morte do patriarca da família, uma série de problemas e descobertas, faz com que vários podres familiares venham à tona. Ou seja, tudo aparentemente muito banal e normal. Velhos clichês como o próprio slogan da série (”Quem você mais ama pode ser quem você menos conhece”) são revisitados e ganham um formato com muito conteúdo e extremamente bem realizado.

No episódio deste sábado (Casos) vimos as reações distintas à descoberta da traição do patriarca e também a traição (ao noivo) de uma das personagens, que mais criticava o pai. Entre traições e debates ficamos sabendo que Nora (a matriarca) já sabia da traição do marido há 15 anos. - Ele não abriu mão de nada! - diz ela num forte momento do episódio apoiado sobre a magistral atuação de Sally Field (que inclusive lhe valeu o Emmy 2007).

“Ele não abriu mão de nada!

Uma frase que tenho ouvido muito ultimamente! Hoje em dia virou sinônimo de ser uma pessoa de sucesso. Não deixar escapar nada que não possa ser conquistado. Não perder nada. Estar sempre na frente. Ser o melhor. Custe o que custar!

Sim, porque para justificar as ações que são necessárias ser tomadas, “não abrir mão de nada” quase sempre tem, após uma vírgula, o “custe o que custar” como complemento.

E, sinceramente, fiquei pensando na vida que eu quero pra mim: trabalhar como um cavalo doido para conseguir estabilidade financeira e morrer de ataque cardíaco (como aconteceu recentemente com dois blogueiros)? Realizar todos os meus desejos de conquista e estabilidade (ou instabilidade, se desejar) amorosa sem me preocupar com os interesses dos parceiros(a) envolvidos? E a lista segue por aí, indefinidamente.

Na verdade estou me perguntando sobre uma coisa básica: Quanto estou disposto a abrir mão por determinados escolhas que faço diariamente? Quanto de paciência e desapego estou disposto à fornecer para chegar aos resultados que me interessam? Ou ainda: Qual a vida que eu quero pra mim?

Pensando nisso, lembrei de um comercial de uma campanha de um supermercado… piegas? Pode ser, mas e você? Qual a vida que você quer? Ou, O que faz você feliz?

 

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Qual o significado de sucesso?

Sucesso

Sucesso pode ser definido como a realização de algo desejado. Embora simples, esta definição pode ter diferentes interpretações, dependendo do que cada pessoa estabelece como os objetivos de sua vida.

Algumas pessoas definem sucesso em termos de “maior, mais rápido e melhor”. A maior conta bancária, o carro mais veloz, a melhor casa do bairro ou ser sócio do clube mais exclusivo. Outras perseguem a luz dos holofotes, procurando fama, celebridade ou notoriedade. Estes dois grupos têm algo em comum, pois o sucesso é medido pelo acúmulo de bens materiais e pela aprovação e reconhecimento externo de suas realizações.

De forma totalmente diferente, outras pessoas procuram o sucesso dentro de si mesmas, buscando progressivamente o desenvolvimento pessoal e profissional, orientadas por uma combinação equilibrada de valores espirituais e materiais. O conceito de equilíbrio varia muito, pois algumas pessoas dão pequena prioridade a bens materiais, enquanto outras têm estes bens como uma justa e desejada recompensa por um trabalho bem realizado.

Como se vê, este é um tema controverso e uma pesquisa na Internet mostra que diversos grupos de discussão têm abordado a questão sobre o significado de sucesso. Selecionei algumas opiniões que merecem uma reflexão.

  • O sucesso real não é determinado na arena pública mas na pessoal. Não é ter os holofotes brilhando sobre nós, mas é simplesmente ter sua própria luz brilhando e fazendo pequenas diferenças que tocam outras vidas. O verdadeiro sucesso, como eu o vejo, é algo que vem de dentro. Diz respeito a amar o que você faz e se sentir em paz consigo mesmo. É ser autêntico com você mesmo e não ficar com medo de se expressar em tudo que faz. É ter êxito do seu modo e não como a sociedade define. Você não quer desperdiçar sua vida procurando um sucesso superficial que o deixará frustrado, insatisfeito e infeliz. A vida é muito curta para ser desperdiçada desta maneira. Lembre-se de que sucesso não é a chave para a felicidade, mas a felicidade é a chave para o sucesso duradouro, pois o que faz você feliz fará de você uma pessoa melhor. Zheena Almoite, LinkedIn.
  • Para mim, sucesso é baseado em olhar para trás e saber que realizei o que planejei, mas também que tive alegria em fazê-lo; que fiz alguns amigos ao longo do caminho e em lembrar que aproveitei minha vida ao mesmo tempo. Sarah Depper, LinkedIn.
  • Sucesso não é simplesmente uma única coisa. O sucesso cobre várias facetas da vida e somente o indivíduo pode definir o que é sucesso para ele. Para mim, sucesso é viver uma vida sem remorsos, ajudando e encorajando os outros e ser capaz de olhar para trás na minha vida e saber que fez sentido para mais alguém. Keith Barrows, LinkedIn.
  • Para mim, sucesso cai em duas áreas: família e profissão. Quanto à família significa tornar meus dois filhos confiantes, sensíveis, bem educados e, sobretudo, felizes. Quanto á minha profissão, é me tornar cada vez mais competente no meu campo e ser reconhecida e paga como tal. Claire Grove, LinkedIn.
  • Eu penso que sucesso é diferente para cada um e não pode ser definido em termos de valores que você tem ou alcança na vida. Mesmo que não esteja satisfeito, mas se você for capaz de viver confortavelmente sem medo de perder tudo o que tem, sem medo de perigos iminentes a toda hora, eu provavelmente consideraria você uma pessoa bem sucedida. Eu não sei se sucesso é ter um bom emprego, pois frequentemente os “bons empregos” extinguem as pessoas, elas os detestam. Para mim, um bom emprego é algo que você adora ao ponto de torná-lo parte de sua vida. Um grande emprego é aquele em que você faz o que ama, é bem pago e recebe grandes benefícios. Shiva, CollegeNet Forum.

Qualquer que seja sua definição de sucesso, tenha em mente que o sucesso não é fruto de um acidente, como ganhar na Megasena, e nem decorre de leis de atração universal, como vendido por mercadores de ilusões. O sucesso resulta de intenções firmes, muito esforço, uma estratégia inteligente e uma execução competente. Além de fazer uma difícil escolha entre diversas opções de objetivos para sua vida, você tem de identificar e desenvolver as competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) necessárias para realizá-los.

Lembre-se também que o sucesso tem seus custos, não só em investimentos no seu desenvolvimento pessoal, mas sobretudo os custos decorrentes dos impactos em sua saúde e nos seus relacionamentos com familiares, colegas e amigos. Vale a pena refletir sobre uma frase do Dalai Lama: “Julgue seu sucesso pelo que você teve de ceder para obtê-lo”.

Leia também o ótimo artigo A idéia do sucesso na sociedade contemporânea do Gabriel Tonobohn.

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Espontaneidade primordial: diante de tudo, só nos resta gargalhar

“Já que todos os fenômenos
são apenas espectros,
perfeitos sendo apenas o que de fato são,
sem qualquer inclinação para bem ou mal,
aceitação ou rejeição,
podemos realmente gargalhar”
Longchenpa, mestre budista do séc. XIV

Mulheres e mestres de meditação concordam. Quando perguntadas sobre o que faz um bom primeiro encontro, a maioria responde: “Ele tem de ser espontâneo”. Quando indagados sobre a qualidade que surge após muito desenvolvimento espiritual, os mestres são unânimes: “Espontaneidade”.

Veja o vídeo abaixo. Será que ficaremos assim quando descobrirmos espacialidade, luminosidade e ludicidade em qualquer fenômeno?

Espontaneidade, quando em vida adulta, é sinal de algum grave problema – não ter filtro social, por exemplo, e sair andando nu pela rua – ou de muita sabedoria. Aliás, no Budismo, o tipo mais sofisticado de ação sábia e compassiva tem um nome: crazy wisdom (louca sabedoria). Em tibetano, a expressão é yeshe chölwa, sendo que yeshe significa sabedoria e chölwa seria algo como insano, “gone wild” em inglês ou, mais especificamente, sem ponto de referência.

A idéia de viver sem ponto de referência pode significar se mover sem referência alguma. Neste caso, recomenda-se medicamentos e terapia, claro. A mesma idéia também pode significar, por outro lado, viver com a capacidade de transitar entre incontáveis referências, sem fixação por nenhuma delas. A liberdade é a condição de possibilidade da autêntica espontaneidade. Chögyam Trungpa Rinpoche, mestre de Pema Chödrön (atualmente mais conhecida que ele aqui no Brasil), foi o grande propagador dessa abordagem.

Não precisamos de muito esforço para experimentar vislumbres disso. Depois de pouco tempo de meditação, nossa percepção sensorial fica bem mais aguçada. Estou falando de cores, cheiros e texturas, afinal não me interesso por nada extra-sensorial. Cada fenômeno surge de modo mais nítido, límpido. As coisas ficam vivas e coloridas, como se fosse a primeira vez. De fato, todas as coisas surgem dessa espontaneidade primordial a todo momento. Somos nós que embaçamos e descolorimos tudo com nossos monólogos internos e padrões de reação condicionada.

A arte zen é um dos mais claros exemplos de como a espontaneidade pode ser cultivada pelo abandono de nossas identidades e certezas. Todas trabalham com isso à sua maneira: arranjo floral, cerimônia do chá, teatro, pintura, técnicas marciais, caligrafia, poesia. Quem nunca se comoveu com as três simples frases de um haikai? Matsuo Bashô foi o grande mestre nessa arte. Seu haikai mais famoso é (em uma de suas infinitas traduções):

Olha o velho lago –
Após o salto da rã
O barulho da água.

É possível encontrar várias histórias que descrevem em detalhes como um tapa na cara ou um gotejar do telhado fazem surgir a iluminação derradeira em um meditante. Naquele simples momento, toda a estrutura do real é instantaneamente desvelada e o resultado disso é uma enorme gargalhada. É como se nosso casamento de 20 anos fosse precisamente igual a um carro que passa buzinando na rua enquanto meditamos. O som surge do nada, vive por um tempo e logo cessa. Quando realmente estamos abertos, isso é um milagre! Todos os fenômenos são iguais à cena descrita por Bashô: tchibum, zapt, ploft.

Espontaneidade, bebe, nene, brincadeira

Um outro grande exemplo de homem espontâneo é Alberto Caeiro, o mais famoso heterônimo de Fernando Pessoa. Sua poesia é uma celebração da presença lúdica no mundo, aberta ao frescor dos eventos, à “eterna novidade do mundo”. Ser espontâneo é justamente isso: ser “nascido a cada momento”, como ensina Caeiro.

Deixamos cair conceitos e estratégias, deixamos de tentar controlar, ser alguém ou atingir algo. Abrimo-nos ao mundo, sem armas, sem defesas. Desse modo, como não há estratégias por trás, quando surgir uma ação, ela brotará da mesma base que dá luz a cada átomo do universo. As mulheres estão certas: uma noite de amor que não nascer disso, bem, não vale a pena nem começar.

Podemos olhar agora para toda a nossa vida. Acontecimentos, pessoas, histórias, momentos. Por toda parte, não há nada que seja diferente do papel cortado pelo bebê no vídeo. Só que, em vez de gargalhada, surgem medo, dor, ansiedade. Ao mesmo tempo, o simples fato de sorrirmos junto com o bebê acima já prova que possuímos essa mesma espontaneidade primordial dentro de nós. Nascemos dela e, sem saber, somos por ela alimentados a cada segundo.

Uma das primeiras descobertas de quem começa a meditar é a de que os fenômenos não são tecidos de modo causal – um levando ao outro, um em cima do outro. Eles pulam diretamente de uma base ampla e livre, um a um, como se fossem (e são) autônomos. Se assim não fosse, a ação livre seria impossível: depois de uma traição, como não sentir raiva e impulso de vingança? Encontrar e surgir a todo instante desse espaço básico, sem agir a partir de coerências passadas, é o nosso desafio para vermos papéis cortados em todas as direções.

Dinheiro, emprego, problemas, crises e amores. É tudo nonsense, é tudo sonho. Mistério e diversão. Já é hora de pegarmos a vida com as mãos e brincarmos sem esconder as gargalhadas.

Posts para aprofundamento:

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A lenda de Cresus: uma lição de 2.500 anos sobre o significado da felicidade

Felicidade é uma emoção em que a pessoa tem sentimentos que vão de contentamento e satisfação a êxtase e intensa alegria (Wikipedia).A definição parece muito simples, mas a felicidade pode significar coisas distintas para pessoas diferentes. Na busca da felicidade, algumas pessoas acreditam que os sentimentos de contentamento, satisfação, êxtase e alegria resultam da posse, do controle ou do consumo de algo e procuram a felicidade por três diferentes caminhos:

  1. Elas podem perseguir prazeres momentâneos, acreditando que a felicidade é o mesmo que prazer. Elas procuram a felicidade em atividades como sexo, jogo, esportes, aventuras ou compras. Ou procuram a felicidade no uso de drogas, bebidas ou alimentos.
  2. Se elas acreditam que felicidade equivale à posse de riquezas, elas passam a maior parte de sua vida trabalhando duro, acumulando e administrando dinheiro.
  3. Se elas acreditam que a felicidade está ligada às pessoas, elas dedicam suas vidas à conquista de amor, aprovação, atenção, admiração e reconhecimento.

Outras pessoas acreditam que a verdadeira felicidade não está nos resultados de fazer, controlar ou possuir algo, mas na maneira de ser. Para elas a felicidade é o resultado da escolha de um caminho espiritual de bondade, compaixão, entendimento e aceitação. O primeiro passo neste caminho é a aceitação de si mesmo e a firme intenção de evoluir diariamente como uma pessoa amada e admirada.

Quando penso sobre o tema da felicidade me vem à mente a história de Cresus, Rei da Lídia, que viveu no Século VI AC. Graças às riquezas minerais de seu reino e à sua posição estratégica na rota de comércio entre o ocidente e o oriente, Cresus acumulou uma fortuna colossal, sendo considerado o homem mais rico da antiguidade. Com essa grande fortuna, Cresus armou um poderoso exército, conquistou reinos vizinhos e aumentou ainda mais seu tesouro com os despojos da guerra. Cresus se considerava o homem mais feliz de seu tempo.

Considerando-se também invencível, Cresus voltou sua atenção para a poderosa Pérsia, governada por Ciro. Embora o reino da Pérsia fosse maior do que a Lídia, Cresus nutria um forte desprezo pelos persas, que ele considerava um bando de montanheses ignorantes.

Cresus ampliou seu poderoso exército e se preparou para invadir a Pérsia. Por precaução, resolveu antes ouvir os presságios do oráculo do Templo de Delfos e, para garantir uma resposta favorável, enviou uma caravana de 40 camelos carregados com os mais ricos presentes ao templo. Os mensageiros voltaram com o presságio: Cresus será o destruidor de um grande reino.

Animado com este presságio, Cresus não teve dúvidas e invadiu a Pérsia. Em poucos dias foi derrotado, seu exército destruído, feito prisioneiro e condenado a morrer na fogueira. O oráculo de Delfos, como sempre dúbio, não tinha esclarecido que o reino destruído seria a Lídia.

No dia da execução, ao ordenar que o fogo fosse acesso, Ciro ouviu Cresus exclamar: Solon, Solon. Curioso por ouvir o condenado chamar pelo nome do sábio grego, Ciro ordenou que a execução fosse suspensa e que Cresus fosse trazido à sua presença.

Ciro lhe disse: “Eu já executei muitos inimigos na fogueira. Na hora da morte, alguns chamam pela mãe, outros pedem socorro aos seus deuses, outros morrem me amaldiçoando. É a primeira vez que ouço alguém chamar pelo nome de um filósofo na hora da morte e estou curioso”.

Cresus e SolonCresus respondeu: “Um dia eu soube que o sábio Solon estava no meu reino e o convidei para conversar sobre a felicidade, pois me considerava o mais feliz de todos os homens. Quando perguntei quais as pessoas mais felizes que ele conhecera, Solon citou várias pessoas simples que tinham vivido cercadas de admiração pela bondade, honestidade, abnegação ou coragem. Insatisfeito com a sua visão de felicidade, levei o sábio aos porões de meu palácio e lhe mostrei salas e mais salas repletas de ouro, diamantes, prata, seda e toda sorte de riquezas. Ao lhe perguntar - Não sou eu o mais feliz de todos os homens? - ele respondeu: Uma pessoa só saberá se foi feliz no último minuto de sua vida. Irritado com esta resposta, ordenei sua expulsão de meu reino. Só agora, morrendo como o mais infeliz dos homens, eu compreendi sua resposta”.

Segundo a lenda, Ciro olhou para Cresus, colocou a mão sobre seu ombro e disse: “Você acaba de se tornar um homem sábio”.

Ciro cancelou a execução, levou Cresus para seu palácio e o nomeou seu conselheiro. Cresus viveu o resto de sua vida admirado e respeitado pelos persas pela sabedoria de seus conselhos. Passados mais de 2.500 anos é difícil separar a lenda da história, mas podemos presumir que Cresus encontrou a verdadeira felicidade quando perdeu seu poder e fortuna e se voltou para a riqueza que tinha dentro de si: seus conhecimentos e sua rica experiência como governante, líder e estrategista. Perdeu súditos e escravos, mas ganhou amigos e admiradores.

Qual o significado de felicidade para você? Convido o leitor ou a leitora a compartilhar conosco sua visão da felicidade.

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