Churrasco rodízio light FM
Ah, festas, festas. Tempo de confraternizar com a família e os amigos, tempo de curtir ceias de natal e reveillón e para não perder o costume, tempo de levar a parentada toda para almoçar naquela churrascaria supimpa, de onde se sai com pelo menos metade dos neurônios intoxicados pela perniciosa mistura de álcool e fuligem. Mas o brasileiro adora! E churrascaria rodízio é assim: você está lá sentado, apreciando uma picanha, enquanto passam pela sua mesa, garçons solícitos a portar espetos de maminhas, costelas, chuletas, cupins e lombinhos. Daqui a pouco, eis que volta, suculenta e poderosa, a picanha. E você se serve de novo. E assim vai, num ciclo que só termina quando você está irremediavelmente satisfeito, ou seja, não agüenta nem pensar em carne. Sim, mas o que tem isso que ver com rádio?
Explico. Na grade de rádios do dial carioca, existem apenas sete rádios relevantes, já que a grande maioria ou são rádios religiosas, ou de axé-pagode-funk. Das sete rádios relevantes, duas são all-news, ou seja, não tocam música. Das cinco restantes, uma toca música brasileira o dia inteiro (a MPB) e outra toca rock para jovens (a Oi). Sobram-nos três rádios, as chamadas adultas: JB, Paradiso e Antena 1. E é dessas rádios que eu quero falar, pois nestas é que ocorre com mais freqüência, a aparição das chamadas músicas carne-de-vaca. E está aí a relação com a churrascaria.
Sim, sabemos que as rádios – todas elas – quando recebem as músicas de trabalho já devidamente enjabazadas, passam a reproduzi-las o tempo inteiro, ad nauseam, até que aconteça a “memeficação” das mesmas, ou seja, o fenômeno pelo qual os ouvintes, gostando ou não da música, passam a cantá-la mentalmente mesmo contra a vontade. Mas isso são músicas novas, nas quais há um investimento presente para mantê-las no ar e na memória. Mas e aquelas músicas que, por décadas a fio, permanecem inexplicavelmente firmes nas programações, como se tivessem um direito divino de estar ali? Essas sim, são as carne-de-vaca songs. Ah, vocês não estão ligando o nome à pessoa?
Pensem por exemplo, num cantor de bar. Ele pode ter o estilo que for, mas um dia, muitas vezes por constrangimento próprio ou coação do público ele acabará tocando “Andança” (Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi), “Espanhola” (Guarabyra e Flávio Venturini) ou “Flor de Liz” (Djavan). Não há como escapar. Essas são carnes-de-vaca de barzinho, junto com “Tempo Perdido” (Legião) e “Como Nossos Pais” (Belchior). Na rádio, são outras músicas. Depois de anos de árdua pesquisa, eu finalmente trago a vocês a lista das trinta maiores carnes-de-vaca, nacionais e internacionais, das rádios adultas, em uma ordem mais ou menos escalafobética.
Samurai (Djavan)
Como eu Quero (Kid Abelha)
Me Chama (Lobão)
Como Uma Onda (Lulu Santos - Nélson Motta)
Todo Azul do Mar (Flávio Venturini - Ronaldo Bastos)
Amor da índio (Beto Guedes - Ronaldo Bastos)
Coração de Estudante (Milton Nascimento - Fernando Brant)
Papel Marché (João Bosco - Capinam)
Gostava Tanto de Você (Edson Trindade)
Fato Consumado Djavan
Codinome Beija-Flor (Cazuza)
Quase Sem Querer (Legião Urbana)
Get Back (Titãs)
Sozinho (Peninha)
Lua e Estrela (Vinícius Cantuária)
Smooth Operator (Sade)
Your Song (Elton John)
Sweet Child O`Mine (Guns n`Roses)
We Are The Champions (Queen)
Sultans of Swing (Dire Straits)
Every Breathe you Take (Police)
I Don`t Wanna Lose Your Love Tonight (The Outfield)
Borderline (Madonna)
Isn`t She Lovely (Stevie Wonder)
Careless Whisper (George Michael)
Satisfaction (Rolling Stones)
Light my Fire (The Doors)
I Will Always Love You (Whitney Houston)
That`s All (Genesis)
You Are Not Alone (Michael Jackson)
Agora me digam: é possível ligar uma rádio adulta e acreditar que, durante um dia inteiro, nenhuma dessas músicas vai tocar? É tão fácil quanto ir a uma churrascaria e não ter picanha.
E os leitores? alguém aí lembra de outras dessas inefáveis canções?
(publicado originalmente em 1° de dezembro de 2005)
Último Romântico (Lulu Santos, 1987) - Ah, mas então quer dizer que você gosta de música carne-de-vaca? Ora, e quem não gosta? essas músicas estão há décadas na programação justamente porque as pessoas gostam delas. E que tal duas dicas de CDs cheinhos de hits radiofônicos perenes? Um deles é a coletânea Último Romântico, de Lulu Santos, que apresenta o que de melhor o cantor, compositor e guitarrista carioca produziu durante os primeiros anos do Rock Brasil. Tachado de brega no início dos anos 80, mal sabia Lulu que suas músicas desse tempo sobreviveriam à maioria das canções de seus detratores. E a bem da verdade, neste álbum, encontram-se verdadeiras obras primas do pop nacional, como a faixa-título, “Tempos Modernos”, “De Repente Califórnia”, “Certas Coisas”, “Como Uma Onda” e “Um Certo Alguém”. Foi, de longe, a melhor fase da carreira de Lulu e sem dúvida, trilha sonora inconteste da juventude e adolescência daqueles anos.
Série Good Times (diversos) - A 98 FM é uma rádio popular do Rio de Janeiro que normalmente toca samba (leia-se pagodão), micareta-music e o fino do que de mais vulgar existe na programação. Mas um de seus programas diários, o Good Times, onde são irradiadas as melhores músicas românticas de todos os tempos, foi a trilha sonora de muito casalzinho da cidade. A série de coletâneas com as melhores músicas do programa é daqueles CDs para o qual os finos e limpinhos costumam torcer o nariz nas gôndolas, mas que fazem verter lágrimas e aflorar as lembranças mais amorosas dos que os escutam. Porque ninguém escapa de ter alguma história em festinhas de adolescência, da hora da música lenta, daquela época mais civilizada onde o tempo parava por alguns minutos para que as pessoas pudessem ficar coladinhas aos seus pares. E a trilha sonora, irmãos, está toda nesses CDs, que se encontram por miseráveis R$ 9,99 nas melhores lojas de departamento.
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Gravado por Milton Nascimento e Lô Borges, o disco revelou ao país não só músicas fabulosas como “San Vicente”,”O Trem Azul”, “Cais”, “Nada Será Como Antes”, “Paisagem da Janela”, “Cravo e Canela”, “Tudo Que Você Podia Ser” e “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, entre outras tão boas quanto, mas um 
























