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CSS é apenas diversão pura

CSS

Quando surgiram em 2003, com certeza, eles não imaginavam que iriam fazer tanto sucesso, principalmente, no mercado internacional. A banda mais despretensiosa (ou não?) do Brasil atualmente é o CSS. Nosso Pop nacional morreu, pois não há nenhuma banda popular e boa que saiba mesclar grandes influências do rock ou eletrônico cantando em português.  Los Hermanos (Desativada por tempo indeterminado) representava uma novidade, mas foi se aproximando cada vez mais da MPB cult-cabeça e ficando cada vez mais chato.  O jeito é apelar para o inglês e fazer do som que os hypes queiram ouvir, dessa maneira, o CSS ocupou o espaço e acabou tornando-se a melhor banda indie pop do Brasil.

O primeiro disco da banda é incrível e recebe a influência de diversas vertentes do Pop como quadrinhos, moda, pop arte, e é claro, música. Sobretudo da música eletrônica e do rock 80’s sempre ao lado de letras bem humoradas.  O meu vídeo preferido deles é “Alala”, mas no álbum há outras pérolas como “Let’s Make Love and Listen to Death From Above”; “Art Bitch”; “Meeting Paris Hilton”; “Off the Hook”; “Music Is My Hot Hot Sex” e a minha preferida, a divertida “Alcohol”. Recentemente, eles lançaram o novo álbum “Donkey” que mantém a sonoridade do grupo e aposta na fórmula que os fizeram conhecidos internacionalmente.

Já que o mercado indie lá fora dá para viver com shows e vídeos, eles se radicaram na “gringa” desde então. Em tempos de parada nacional cheia de “Dinhos” sem camisa cantando “Tchururu” e mineirinhos criativos dando sinais de cansaço, o CSS é uma agradável surpresa despretensiosamente original.   

Rihanna não é mais uma no mundo pop

Rihanna

Eu sei que irei me arriscar falando isso, principalmente, quando vivemos em uma era em que boa parte do meio musical parece ter a mesma cara e o mesmo produtor. Mas, como conheço Rihanna antes dela estourar de fato, acredito que ela veio para ficar. Essa belíssima negra de olhos verdes ganhou outra roupagem em seu som através do megaprodutor Jay-Z com o lançamento “Good Girl, Bad Girl”. Não somente no som, mas o seu visual ficou mais sofisticado e o seu cabelo a “La Beckham” lançou moda entre os fashionistas. O seu  primeiro álbum “A girl like me” lançou alguns hits, mas foi de fato o segundo que a tornou celebridade. Ok, você pode torcer o nariz para meninas bonitas dançando na MTV e associá-la a inaudível “Umbrella”, mas se ouvir o restante do álbum e gostar de música pop, certamente, mudará de opinião.

As minhas músicas preferidas são o Hip Hop “Sell me candy”; a baladinha perfeita para terminar com alguém intulada “Rehab”; “Shut up and drive” um rock pop bem feito e “Dont stop the music” perfeita para as pistas, tanto que já ganhou mais versões em remix. Novas Mariahs irão sempre surgir com hits perfeitos para as rádios, mas é aí que entra o bom Pop Rock R&B que ela canta. Ela se diferencia, pois sua voz não é de graves ensurdecedores e nem fica restrita as baladinhas açucaradas . Além disso, suas letras são mais ousadas e o seu comportamento não é de diva intocável. Ah! Esquece o preconceito e se jogue no som da menina, ela tem talento e veio para ficar. Eu espero.

Black Kids é o melhor do POP dos últimos tempos…

Black Kids

A melhor banda dos últimos tempos da última semana” é assim que cantou os Titãs ao se referir o culto dos jovens assíduos por novidades a cada estação. É sempre aquela situação: um amigo conta para outro sobre uma banda e esse divulga em seu blog  ou em outras redes sociais, o endereço do myspace. Imediatamente, ela se torna conhecida entre os descolados geeks. Em pouco tempo vem o estouro e o grupo que só era conhecido por demos grava um disco e se torna mais popular. Essa história irá se repetir, pois hoje o indie tem mais espaço, só que desta vez estou me referindo ao Black Kids. Banda americana nascida há dois anos na Flórida que mistura rock com influências do pop da década de 80, como Erasure. A banda multiracial é bem vinda em tempos onde Obama tem influenciado grandes resenhas em nome da diversidade, mas o que é interessante aqui não é a aparência e sim a música.

Como explicou Raphael Caffarena, em Partie Traumatic, o primeiro álbum, a banda tirou o pouco do som sujo que carregava no EP e se tornou mais leve. Todavia, acho que o Black Kids não perdeu a identidade e representa uma boa novidade para os ouvidos sedentos de experimentalismo pop. Talvez não tenham o mesmo sucesso numa parada lotada por Britneys e cachorrões do Hip Hop, mas é, sem dúvida, “o melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado”.

Faixas destaque:”Hit The Heatbrakes“; a música que dá nome ao disco: “Partie Traumatic”; a radiofônica e deliciosa “Listen To Your Body Tonight”; “Hurricane Jane”; “I’ve Underestimated My Charm”; o hit bem humorado  “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You”; a minha preferida “Love Me Already”; “I Wanna Be Your Limousine” e outra que eu não consigo parar de ouvir “Look At Me (When I Rock Wichoo)”.

Boa música pop é isso aí!

Róisín Murphy

Róis?n Murphy

Os pobres mortais da década de 90 conheceram de perto o burburinho em torno do movimento Trip-Hop. Foram inúmeros os artistas classificados  como pertencentes ao gênero que nasciam da bem sucedida mistura do jazz, Hip Hop e house na charmosa Londres. Um deles foi o festejado Moloko com seu maior hit, o  “Fun for me“. O videoclipe permeava constantemente o extinto “Non Stop”, ótimo programa da MTV onde os descolados viam na madrugada o que de melhor havia no underground inglês e americano. No programa rolava MaxWell, Jamiroquai antes de estourar, Smoke City, dentre outros.

Bem, mas o assunto aqui é Róisín Murphy, a ex-vocalista do Moloko. Fashion e incrivelmente bonita com seu ar vintage, Róisín Murphy desponta como uma das melhores cantoras do Reino Unido. José falou no inicio da semana sobre o Moloko e sua fase inicial, mas o último álbum solo dela, o “Overpowered”, mostra com quantas batidas eletrônicas, vozes sexys e arranjos pop fazem um bom disco que representa bem a música inglesa jovem desse milênio.

Não há como se apaixonar pelo som de “You Know me Better”, “Overpowered”, “Foolish”, “Sweet Nothings”, aliás, todas as músicas do álbum são boas e eu nem me atrevo a esquecer de nenhuma . Veja o vídeo dela apresentando ao vivo o hit “You Know me Better” numa rua de Londres. Em seu Myspace ou no LastFm é possível ouvir as músicas de “Overpowered”, além disso recomendo o álbum anterior intitulado “Ruby Blue”, você vai virar fã com certeza.

Churrasco rodízio light FM

Ah, festas, festas. Tempo de confraternizar com a família e os amigos, tempo de curtir ceias de natal e reveillón e para não perder o costume, tempo de levar a parentada toda para almoçar naquela churrascaria supimpa, de onde se sai com pelo menos metade dos neurônios intoxicados pela perniciosa mistura de álcool e fuligem. Mas o brasileiro adora! E churrascaria rodízio é assim: você está lá sentado, apreciando uma picanha, enquanto passam pela sua mesa, garçons solícitos a portar espetos de maminhas, costelas, chuletas, cupins e lombinhos. Daqui a pouco, eis que volta, suculenta e poderosa, a picanha. E você se serve de novo. E assim vai, num ciclo que só termina quando você está irremediavelmente satisfeito, ou seja, não agüenta nem pensar em carne. Sim, mas o que tem isso que ver com rádio?

Explico. Na grade de rádios do dial carioca, existem apenas sete rádios relevantes, já que a grande maioria ou são rádios religiosas, ou de axé-pagode-funk. Das sete rádios relevantes, duas são all-news, ou seja, não tocam música. Das cinco restantes, uma toca música brasileira o dia inteiro (a MPB) e outra toca rock para jovens (a Oi). Sobram-nos três rádios, as chamadas adultas: JB, Paradiso e Antena 1. E é dessas rádios que eu quero falar, pois nestas é que ocorre com mais freqüência, a aparição das chamadas músicas carne-de-vaca. E está aí a relação com a churrascaria.

Sim, sabemos que as rádios ? todas elas ? quando recebem as músicas de trabalho já devidamente enjabazadas, passam a reproduzi-las o tempo inteiro, ad nauseam, até que aconteça a “memeficação” das mesmas, ou seja, o fenômeno pelo qual os ouvintes, gostando ou não da música, passam a cantá-la mentalmente mesmo contra a vontade. Mas isso são músicas novas, nas quais há um investimento presente para mantê-las no ar e na memória. Mas e aquelas músicas que, por décadas a fio, permanecem inexplicavelmente firmes nas programações, como se tivessem um direito divino de estar ali? Essas sim, são as carne-de-vaca songs. Ah, vocês não estão ligando o nome à pessoa?

Pensem por exemplo, num cantor de bar. Ele pode ter o estilo que for, mas um dia, muitas vezes por constrangimento próprio ou coação do público ele acabará tocando “Andança” (Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi), “Espanhola” (Guarabyra e Flávio Venturini) ou “Flor de Liz” (Djavan). Não há como escapar. Essas são carnes-de-vaca de barzinho, junto com “Tempo Perdido” (Legião) e “Como Nossos Pais” (Belchior). Na rádio, são outras músicas. Depois de anos de árdua pesquisa, eu finalmente trago a vocês a lista das trinta maiores carnes-de-vaca, nacionais e internacionais, das rádios adultas, em uma ordem mais ou menos escalafobética.

Samurai (Djavan)
Como eu Quero (Kid Abelha)
Me Chama (Lobão)
Como Uma Onda (Lulu Santos - Nélson Motta)
Todo Azul do Mar (Flávio Venturini - Ronaldo Bastos)
Amor da índio (Beto Guedes - Ronaldo Bastos)
Coração de Estudante (Milton Nascimento - Fernando Brant)
Papel Marché (João Bosco - Capinam)
Gostava Tanto de Você (Edson Trindade)
Fato Consumado Djavan
Codinome Beija-Flor (Cazuza)
Quase Sem Querer (Legião Urbana)
Get Back (Titãs)
Sozinho (Peninha)
Lua e Estrela (Vinícius Cantuária)
Smooth Operator (Sade)
Your Song (Elton John)
Sweet Child O`Mine (Guns n`Roses)
We Are The Champions (Queen)
Sultans of Swing (Dire Straits)
Every Breathe you Take (Police)
I Don`t Wanna Lose Your Love Tonight (The Outfield)
Borderline (Madonna)
Isn`t She Lovely (Stevie Wonder)
Careless Whisper (George Michael)
Satisfaction (Rolling Stones)
Light my Fire (The Doors)
I Will Always Love You (Whitney Houston)
That`s All (Genesis)
You Are Not Alone (Michael Jackson)

Agora me digam: é possível ligar uma rádio adulta e acreditar que, durante um dia inteiro, nenhuma dessas músicas vai tocar? ÿ tão fácil quanto ir a uma churrascaria e não ter picanha.

E os leitores? alguém aí lembra de outras dessas inefáveis canções?

(publicado originalmente em 1° de dezembro de 2005)

Dicas do VP
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vp_looloo.jpgÿltimo Romântico (Lulu Santos, 1987) - Ah, mas então quer dizer que você gosta de música carne-de-vaca? Ora, e quem não gosta? essas músicas estão há décadas na programação justamente porque as pessoas gostam delas. E que tal duas dicas de CDs cheinhos de hits radiofônicos perenes? Um deles é a coletânea ÿltimo Romântico, de Lulu Santos, que apresenta o que de melhor o cantor, compositor e guitarrista carioca produziu durante os primeiros anos do Rock Brasil. Tachado de brega no início dos anos 80, mal sabia Lulu que suas músicas desse tempo sobreviveriam à maioria das canções de seus detratores. E a bem da verdade, neste álbum, encontram-se verdadeiras obras primas do pop nacional, como a faixa-título, “Tempos Modernos”, “De Repente Califórnia”, “Certas Coisas”, “Como Uma Onda” e “Um Certo Alguém”. Foi, de longe, a melhor fase da carreira de Lulu e sem dúvida, trilha sonora inconteste da juventude e adolescência daqueles anos.

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Série Good Times (diversos) - A 98 FM é uma rádio popular do Rio de Janeiro que normalmente toca samba (leia-se pagodão), micareta-music e o fino do que de mais vulgar existe na programação. Mas um de seus programas diários, o Good Times, onde são irradiadas as melhores músicas românticas de todos os tempos, foi a trilha sonora de muito casalzinho da cidade. A série de coletâneas com as melhores músicas do programa é daqueles CDs para o qual os finos e limpinhos costumam torcer o nariz nas gôndolas, mas que fazem verter lágrimas e aflorar as lembranças mais amorosas dos que os escutam. Porque ninguém escapa de ter alguma história em festinhas de adolescência, da hora da música lenta, daquela época mais civilizada onde o tempo parava por alguns minutos para que as pessoas pudessem ficar coladinhas aos seus pares. E a trilha sonora, irmãos, está toda nesses CDs, que se encontram por miseráveis R$ 9,99 nas melhores lojas de departamento.