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O garoto que perdeu a chance de ser presidente do Senado

O garoto cresceu respirando política. Seu avô era o poderoso chefe político local e a política estava no sangue da família. Era uma época em que as paixões partidárias dominavam as pequenas cidades do interior, dividindo-as em famílias rivais. O ambiente parecia muito com o de Verona descrito por Shakespeare em Romeu e Julieta, de um lado os Capuletos e do outro os Montéquios. Troque Verona por Tupaciguara no Triângulo Mineiro e você terá uma boa idéia de como era o clima de rivalidade política.As famílias se dividiam entre os dois principais partidos da época, a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), ao qual pertencia a família do garoto. Os partidos e os políticos tinham os mesmos defeitos dos de hoje, mas defendiam bandeiras bem definidas e eram capazes arrebatar corações e mentes na defesa de suas idéias. Onde hoje há somente barganhas de vantagens, havia também idéias, certas ou ultrapassadas, mas havia.

Desde muito cedo, o garoto participava nas campanhas eleitorais, ajudando na distribuição de material de propaganda e na colagem de cartazes nos postes e muros..

Um dia, ao acabar de colar um cartaz, ele se virou e levou um grande susto. Deu de cara com a vizinha, Dona Adélia, uma udenista inflamada e grande inimiga de seu avô. Pensou: ela vai tomar meus cartazes e rasgá-los. Segurou firmemente os cartazes que restavam, disposto a protegê-los a qualquer custo. Para sua surpresa, ela estava sorrindo de uma forma tão doce como ele jamais pensara que ela fosse capaz de sorrir. Ele estava acostumado a vê-la vermelha de raiva fazendo discursos inflamados contra seu avô e seus candidatos.

Ainda sorrindo e com uma voz doce ela lhe disse: “Parabéns, você está fazendo um belo trabalho; os cartazes estão certinhos, bem colados e sem rugas”. Ele agradeceu e estava ansioso para sair dali e continuar seu trabalho. Contudo, a Dona Adélia continuava a sorrir para ele e seria uma grosseria virar as costas para um adulto, mesmo sendo da UDN. Ela colocou a mão no seu ombro e disse:

- Você bem que poderia pregar uns cartazes para mim, eu pago bem.

- Não posso Dona Adélia, eu tenho que pregar os cartazes de meu avô. Ele vai ficar uma fera se eu fizer o que a senhora me pede.

- Você pode fazer em outra hora e ele não precisa saber. Eu já observei e vi que você levanta sempre muito cedo, antes de todo mundo. Você poderia pregar os cartazes bem cedinho e ninguém vai saber. Eu pago adiantado.

As suspeitas de que ela o estava espionando há algum tempo estavam se confirmando. De fato, criado na fazenda, ele estava acostumado a se levantar às 4 horas da manhã para ajudar o pai na ordenha das vacas leiteiras, e não perdera o hábito. Na cidade, ele se levantava cedo e ia cuidar do jardim e do canteiro de sua avó. Ele gostava de ver a alegria da avó olhando as flores e hortaliças bem cuidadas.

Mas voltemos à conversa entre o garoto e sua vizinha da UDN. Ela estendeu a mão com algumas notas e moedas: “Aqui está a metade de seu pagamento; a outra metade eu pago em uma semana”.

Sem querer, mas querendo, o garoto fez uma conta rápida do que ela estava lhe oferecendo. Com aquele dinheiro, ele poderia completar seu álbum de figurinhas os “Grandes Craques do Futebol Brasileiro”. Faltavam algumas figurinhas difíceis, que alguns garotos de sorte vendiam por 10, 20 ou mesmo 50 vezes o preço de venda na banca de jornal. Ele poderia comprar as figurinhas do Ademir e do Danilo e completar o time de seu querido Vasco da Gama, o Expresso da Vitória. Bem negociado, poderia também comprar as figurinhas do Bauer e do Pé de Valsa do São Paulo Futebol Clube.

Não resistiu e aceitou. Nos sete dias seguintes, com o coração acelerado pelo medo de ser pego, trabalhou uma semana no serviço extra para o inimigo.

Com o passar dos anos, pelos exemplos e pelas palavras, ele aprendeu com o avô que há muitas coisas que não podemos colocar à venda, seja qual for o valor da oferta. Entre elas estão a lealdade para com a família, amigos e parceiros e a fidelidade ao partido e aos ideais que abraçamos.

Se tivesse persistido na política e cultivado aquela precoce fraqueza de caráter, hoje o garoto teria todos os defeitos e desvios de caráter requeridos para qualificá-lo como postulante à presidência do Senado.

Debate Brasil - Políticas para a Primeira Infância

EricaFórum visa debater políticas para quebra do ciclo da violência:dedicar maior atenção à Primeira Infância é contribuir para a formação de um indivíduo mais apto à convivência social e à cultura da paz.

Nos dias 28 e 29 de novembro próximo acontecerá o 3º Fórum Debate Brasil, cujo tema é Políticas para a Primeira Infância. O objetivo desse fórum é debater sobre soluções para quebrar esse círculo de violência que vivenciamos hoje.
Mas se é para debater sobre a violência, por que o tema é a primeira infância?

3º Fórum Debate Brasil

Nesse ano, os organizadores do fórum chegaram a um consenso de que não adianta discutir o problema da violência superficialmente. A violência hoje no Brasil não está sendo mais encarada apenas como causa de outros problemas: a sociedade está acordando para o fato dela ser, por inúmeras vezes, conseqüência de outros problemas. Algumas dessas causas se encontram justamente na infância. A proposta do fórum não é debater a violência instalada, mas suas raízes, e formas de agirmos radicalmente.

Apesar da vontade dos organizadores em não simplificar demais a questão violência x causas, a verdade é que se a sociedade conhecer os fatores que predispõem a violência, mais preparada estará para eliminar essas causas, o que contribuirá para uma melhor qualidade de vida geral a médio e longo prazo.

Eu, como mãe, não posso negar a preocupação com a violência de um modo mais imediatista, torcendo e pedindo por punições exemplares, melhor preparo da Polícia, entre outros desejos.
Porém ao olhar para minhas filhas vejo que um dia elas crescerão, e esse mundo que hoje é de nossa geração será o mundo delas. Ao pensar por essa perspectiva, vejo que iniciativas como a desse debate são muito importantes.

Como cidadãos, temos o direito de requerer mais segurança; porém temos o dever de prezar pela educação dos cidadãos do amanhã. (more…)

Relatório sobre CPMF será apresentado

Erica“Senadora Kátia Abreu recomendará a rejeição do projeto e apontará fontes para cobrir a “perda”.
Marco Maciel solicita prorrogação do prazo de tramitação da PEC.
Senadores governistas estudam a possibilidade de esvaziar a reunião alegando que o prazo de tramitação expirou, impedindo assim parecer da relatora de ser apresentado.”

CCJ - PEC-CPMF

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) fará uma reunião extraordinária logo mais, às 14 horas, para examinar a Proposta de Emenda à Constituição que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

A PEC 89/07 prorroga a cobrança da CPMF até o dia 31 de dezembro de 2011, e mantém o percentual de 0,38% sobre movimentações bancárias.

Prorrogação do prazo de tramitação

O Senador Marco Maciel (DEM-PE), presidente da CCJ, enviou pedido de prorrogação do prazo de tramitação da PEC à Mesa do Senado na manhã do dia 9.
Marco Maciel fundamentou sua decisão no artigo 118 do Regimento Interno do Senado Federal, segundo o qual, “se a comissão não puder proferir o parecer no prazo, tê-lo-á prorrogado, por igual período, desde que o seu presidente envie à Mesa, antes de seu término, comunicação escrita, que será lida na Hora do Expediente e publicada no Diário do Senado Federal“.
A verdade é que o prazo para apresentação do parecer da relatora expirou no mesmo dia 9 de novembro, sexta-feira passada.

Com a prorrogação, o objetivo de Maciel é fazer apresentar o parecer da relatora do projeto, senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

Relatora é pela rejeição do projeto

CCJ- Katia Abreu

O parecer de Abreu, a ser apresentado na reunião de hoje, recomendará a rejeição do projeto, e apontará as fontes para cobrir a perda da arrecadação do tributo.
- O artigo 100 da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) demonstra qual o caminho o governo deve adotar no caso de faltar arrecadação. É aí que vamos nos concentrar. Precisamos lembrar ao governo que ele próprio nos enviou esse artigo, e é baseado nele que ele terá que encontrar as fontes para cobrir a CPMF - afirmou a senadora.A senadora citou dados que apontam para um aumento da arrecadação da ordem de R$ 70 bilhões entre os anos de 2000 e 2006. Por outro lado, os gastos públicos, segundo ela, também não param de crescer. Se a gastança pública continuar aumentando desse jeito, nós nunca iremos conseguir abaixar os impostos.

Governistas tentam impedir relatório

Em reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo de sexta-feira foi divulgado que senadores governistas estariam estudando não comparecer à reunião extraordinária de hoje, sob alegação de que o prazo para apresentação do relatório excedeu os 30 dias, forçando assim o encaminhamento da PEC diretamente ao Plenário. O quórum necessário para a leitura do relatório é de 12 senadores (a CCJ possui 23).

Isso porque a PEC já foi aprovada pela Câmara dos Deputados. A manobra mostra claramente a intenção de fazer aprovar a PEC (prorrogando a CPMF), ou ao menos, impedir o parecer negativo da relatora.

Porém, a oposição conseguiu firmar acordo, já que o excesso de reuniões e audiências públicas acabaram por “dilatar” o período: a leitura foi oficialmente transferida de sexta-feira para segunda feira, 12 de novembro.

O líder do governo, Romero Jucá, anunciou que apresentaria um voto em separado e que solicitaria que a decisão final na CCJ fosse tomada ainda na terça-feira (13), porém a prerrogativa do prazo cabe à Maciel.
Marco Maciel conseguiu prorrogar em 30 dias o prazo, mas afirma que na quarta-feira haveria condições de votar o parecer.

Fotos e fontes: Agência Senado

Proponho o fechamento da Academia Brasileira de Letras

Nunca li um livro de José Sarney. Provavelmente para prejuízo de minha inteligência.Afinal, a atriz Daniela Escobar leu e adorou. Depois de conseguir ir até a última página de O Dono do Mar, chegou a dizer que Sarney é melhor autor que presidente.

Mas, convenhamos, até eu pude chegar a esse nível literário - e depois só decaí - quando escrevi a redação Minhas Férias na escolinha da Tia Maria.

Não quero dizer, no entanto, que feitos políticos e executivos possam ter peso negativo sobre a obra de um escritor.

Veja, por exemplo, Louis-Ferdinand Céline, que nutria enorme simpatia pelo nazismo - a ponto de, talvez, na intimidade, ensaiar o passo de ganso. Ainda assim, nos deixou Viagem ao Fim da Noite.

Também não quero comparar Sarney com Céline, pois como afirmei não tenho bases literárias para tal. E, ideologicamente falando, duvido que o ex-presidente se identifique com a raça ariana ou que aprove integralmente as metodologias do Terceiro Reich.

O fato é que Sarney está na Academia Brasileira de Letras.

Você sabe. Aquela, fundada por Machado de Assis. Ocupa a cadeira número 38, que já foi de, entre outros, Santos Dumont. O cara que inventou o avião.

(Diz erroneamente a lenda que ele se matou por conta do uso bélico de sua obra, mas acredito que foi por ter vislumbrado, num surto profético, a atual eficiência da aviação civil brasileira.)

Mas voltemos a Sarney.

Sarney, um caso que justifica o voto secreto para a eleição da ABL, até há alguns meses era um total desconhecido na rede brasileira de blogs.

Alguns editores já tinham ouvido falar de seu bigode. Mas isso era tudo.

Porém, recentemente, o recém-eleito senador pelo Amapá (mas ele não era do Maranhão?) resolveu processar uma editora de blog porque ela publicou um xiste, uma brincadeira com sua figura durante as últimas eleições.

A exemplo de outras iniciativas do gênero, a campanha Xô Sarney - que nem era para ser uma campanha - atingiu maior abrangência do que se ele nada tivesse feito.

Afinal, se você não quer que um sino soe, não use o badalo.

Devo lembrar que trata-se do mesmo senador - do Amapá! Amapá! e certamente ele tem motivos para se eleger por outro estado - que fez um discurso de alta octanagem contra o fechamento de uma rede de tevê na Venezuela por aquele arremedo de Fidel Castro que bate o pezinho e faz beicinho naquele país.

Como é fácil ladrar para o cachorro encastelado no terreno alheio.

Esse mesmo valoroso senador vai à Justiça e pede quase R$ 1 milhão a essa editora de blog porque provavelmente o bigode estava mal aparado na caricatura que ela publicou.

Não sei se Machado de Assis, quando tomou a Academia Francesa como modelo, imaginava que teria entre os imortais de sua instituição um homem que de um lado joga palavras vãs contra um estadista merreca, defendendo a liberdade de expressão, e de outro lado esmaga formigas com o Código Civil debaixo do braço, atacando a mesma liberdade.

Mas o fato é que é isso o que temos.

Entre os chamados imortais está esse Cidadão Kane agropastoril. E, devo admitir, nunca o fardão combinou tão bem com um bigode.

O nome dele, porém, não orna com nomes que o ladeiam como Ana Maria Machado, Ariano Suassuna, Carlos Heitor Cony, Carlos Nejar, Ivo Pitanguy, Moacyr Scliar e Sábato Magaldi e mais uns dois ou três.

Embora orne com outros, por um ou outro motivo.

Então, visto que propor o fechamento do Senado vai contra a democracia, proponho outra coisa.

Que se feche a Academia Brasileira de Letras.

Ganham os outros nomes que citei - que poderão tomar chá em companhias mais recomendáveis - e, por outro lado, o país nada perde dado que neste momento a ABL parece ser tão relevante quanto o próprio chá no que diz respeito aos assuntos nacionais, a julgar por sua habitual omissão como entidade.

Além disso, a importância mais patrimonial histórica que de outro gênero presente no Petit Trianon estará mais protegida com o prédio fechado que com alguns de seus habitués mais ou menos latifundiários a freqüentá-lo.

Assim, temos a tal proposta.

Não se feche o Senado, em nome de nossa suposta democracia. Feche-se sim a ABL, ao menos em nome da memória de Machado de Assis seu fundador que, certamente, teria algumas palavras para falar sobre o assunto.

Caso estivesse vivo e caso seu blog não viesse a ser impedido e multado pela Justiça.