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A vida que eu quero pra mim!

Estava bastante confuso em relação ao que escrever neste sábado aqui no NossaVia. Entre a explosão da violência que vi em um vídeo do Gafanhoto.com (e que provavelmente ainda será tema de um post) e vários outros assunto em que venho pensando, optei por falar de mim.

Assistindo a Brothers & Sisters (série que está reprisando sua primeira temporada na Universal, e que a Sam já tinha noticiado a estréia) me vi pensando em um monte de situações com as quais venho me confrontando no dia-a-dia e nas decisões que tomo. Na série, após a morte do patriarca da família, uma série de problemas e descobertas, faz com que vários podres familiares venham à tona. Ou seja, tudo aparentemente muito banal e normal. Velhos clichês como o próprio slogan da série (”Quem você mais ama pode ser quem você menos conhece”) são revisitados e ganham um formato com muito conteúdo e extremamente bem realizado.

No episódio deste sábado (Casos) vimos as reações distintas à descoberta da traição do patriarca e também a traição (ao noivo) de uma das personagens, que mais criticava o pai. Entre traições e debates ficamos sabendo que Nora (a matriarca) já sabia da traição do marido há 15 anos. - Ele não abriu mão de nada! - diz ela num forte momento do episódio apoiado sobre a magistral atuação de Sally Field (que inclusive lhe valeu o Emmy 2007).

“Ele não abriu mão de nada!

Uma frase que tenho ouvido muito ultimamente! Hoje em dia virou sinônimo de ser uma pessoa de sucesso. Não deixar escapar nada que não possa ser conquistado. Não perder nada. Estar sempre na frente. Ser o melhor. Custe o que custar!

Sim, porque para justificar as ações que são necessárias ser tomadas, “não abrir mão de nada” quase sempre tem, após uma vírgula, o “custe o que custar” como complemento.

E, sinceramente, fiquei pensando na vida que eu quero pra mim: trabalhar como um cavalo doido para conseguir estabilidade financeira e morrer de ataque cardíaco (como aconteceu recentemente com dois blogueiros)? Realizar todos os meus desejos de conquista e estabilidade (ou instabilidade, se desejar) amorosa sem me preocupar com os interesses dos parceiros(a) envolvidos? E a lista segue por aí, indefinidamente.

Na verdade estou me perguntando sobre uma coisa básica: Quanto estou disposto a abrir mão por determinados escolhas que faço diariamente? Quanto de paciência e desapego estou disposto à fornecer para chegar aos resultados que me interessam? Ou ainda: Qual a vida que eu quero pra mim?

Pensando nisso, lembrei de um comercial de uma campanha de um supermercado… piegas? Pode ser, mas e você? Qual a vida que você quer? Ou, O que faz você feliz?

 

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Basta de espetacularização do sofrimento alheio!

Chega uma hora que assusta! Chega uma hora que dá vontade de dar uma surra em certas pessoas… e desta vez não estou falando dos causadores da violência, mas sim naqueles que a transformam em espetáculo com o único intuito de aumentar a audiência. Sim, porque não me venham com a balela de que a preocupação desses jornalistas, que transformaram o caso Isabela na mais nova telenovela (pastiche melodramático!) é a verdade, porque eu não engulo.

Afinal, no que vai ajudar nas investigações, ou na diminuição do sofrimento dos familiares, que as redes de TV exibam à exaustão imagens da menina dançando em Portugal? Ou ainda, seus desenhos do colégio? A Nadja levantou esta bola aqui e eu somente me juntei à causa porque, realmente chega horas em que há que se dizer basta!

Sim, eu sei que vão me dizer que vivemos numa sociedade midiática… que tudo é notícia e que a mídia está incorporada de tal forma em nosso cotidiano que seria impossível viver sem ela… e eu nem estou negando isso. Aliás, acho que esse é um processo irreversível e que, por esta mesma razão, é necessário construir-se um arcabouço “ético” para o circo que aí está.

O que a mídia não está levando em conta (ou provavelmente está, mas parece não intuir o resultado final disso) é que a sua ação acaba por vezes sendo instrutiva, no mal sentido. Ou será uma incrível coincidência que, em várias ocasiões, certas situações começam a pipocar pelo país ou pelo mundo com ações que parecem ter sido copiadas, passo a passo?

Em alguns momentos são as “ondas” de se colocar fogo em pessoas, noutros os adolescentes que matam os pais, agora são crianças de 08 a 10 anos que armam um plano para se vingar da professora… e tudo na TV vai virando novela… pastiche… absorvido pela população como algo que causa terror, mas faz parte da vida cotidiana.

A espetacularização da violência, o julgamento em praça pública, os desvarios de uma mídia que faz tudo pela audiência têm que acabar. Temos que entender que a mídia influi na consciência da população e que isso, em minha opinião, até agora tem sido feito de uma maneira bastante equivocada!

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Viado bom é viado morto!

Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que, não acredito na criação de sistemas de cotas e leis contra a discriminação das minorias. Acho que, muitas vezes, esse sistema que “impõe” a aceitação acaba gerando mais ódio e preconceito, seja ele por orientação sexual, raça, credo, etc. Ao mesmo tempo, acredito que algo deve ser feito, para minimizar os ataques que certos setores da sociedade recebem por sua característica minoritária. Qual a solução? Não sei dizer!No dia 30 passado, o jovem Ferrucio Silvestro (19 anos) foi surrado e teve o rosto desfigurado por três homens na saída de uma boate gay em Niterói, RJ. Após 04 dias internado no Hospital Universitário Antônio Pedro, ele registrou queixa na 76a DP. Tudo poderia indicar algo corriqueiro se não fosse pelos dados informados pelo Grupo Gay da Bahia no relatório Assassinatos de Homossexuais no Brasil.

Ferrucio Silvestro, uma das últimas v�timas

Crimes Hediondos

No período de 1980-2005 foram registrados no país 2.511 assassinatos com causas homofóbicas, que envolvem, inclusive, requintes de crueldade na sua pratica: dezenas de tiros ou facadas, uso de múltiplas armas, tortura prévia, declaração do assassino “matei porque odeio gay!”.

O Brasil torna-se assim um dos países mais contraditórios em relação à maneira como trata os homossexuais: se por um lado realiza uma das maiores paradas Gay do mundo, tem várias cidades e estados que apresentam leis que proíbem e até multam a discriminação baseada na “orientação sexual” e teve o primeiro presidente em nossa história que ousou falar a palavra “homossexual” em uma cerimônia pública, tendo se declarado, inclusive, favorável à união civil entre pessoas do mesmo sexo; por outro lado persiste em todas as regiões do país, violenta intolerância anti-homossexual.

Ainda persiste no país uma ideologia machista e homofóbica, desmascarada nos momentos mais simples de convivência ou ainda em declarações públicas recheadas de preconceitos e acusações infundadas.

Porque tanto ódio, Senhores?

“O homossexualismo é pura aberração”. [Deputado Federal Enéas Cordeiro, Prona/SP]

“O casamento gay demonstra a decadência moral que vai minando todos os valores de nossa sociedade”. [Deputado Severino Cavalcanti, PFL/PE]

“Sou frontalmente e literalmente contra a parceria civil de homossexuais. Vou trabalhar para combater a inversão de valores, a contrariedade dos princípios estabelecidos por Deus. Daqui a pouco, vão permitir a união entre o animal e o ser humano”. [Pastor Oliveira Filho, Deputado Federal (PL/PR)

“Levando Anthony Garotinho à Presidência da República evita-se que os homossexuais conquistem o status de uma nova raça, só assim os cristãos abortariam o plano do demônio“. [Pastor Ednio Fonseca, Assembléia de Deus, RJ, Candidato à Deputado, Prona/RJ]

Espera-se um pouco mais de discernimento das pessoas que foram eleitas para ajudar a governar o país. Nem cabe dizer que eles são obrigados a apoiar algo que eles têm o direito de não concordar, mas não é possível que se trabalhe para uma democracia não levando em conta que 10% da população, no mínimo, é formada por homossexuais.

Quando se dá a possibilidade de anonimato, via Web, o ódio parece atingir níveis alarmantes:

“Ajude a humanidade, mate um viado!” Salvador

“Só matando! Bicha não presta para nada! Devemos eliminá-los da face da terra o mais rápido possível, ou ganharão mais espaço a cada dia e nossos filhos e netos pagarão caro. Chumbo nestas merdas!” Anti-Viado

“Cala a boca viado. Seu único direito é de levar porrada na rua e ser odiado por todos incluindo o papai e a mamãe que se envergonham de seu jeitinho feminino e do seu cu arrombado. Lugar de chupador de caralho e no hospício, na cadeia ou no cemitério. O que você precisa é de uma liçãozinha de moral, de natureza e de Deus. Vocês são o lixo da sociedade e com lei ou sem lei sempre serão, a vergonha dos seres humanos.” Autor anônimo

“Dar cu é coisa de galinha. É falta de porrada! Todo viado é safado! O negócio é baixar a porrada nestes safados!” Hitler

Enquanto o mundo for construído sobre critérios excludentes e apoiado sobre idéias preconceituosas, ainda será necessária a criação de mecanismos de proteção para podermos conviver em paz. Meu medo é que essa raiva reprimida alimente ainda mais um ódio irracional em algumas pessoas.

Todos nós sabemos onde isso pode parar. Não deve ser por acaso que um dos cidadões assina sua mensagem sob o pseudônimo de “Hitler”!

* Algum dados deste post foram retirados do livro “Matei porque Odeio Gay” de Luiz Mott e Marcelo Cerqueira, editora Grupo gay da Bahia, 2003

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Debate Brasil - Políticas para a Primeira Infância

EricaFórum visa debater políticas para quebra do ciclo da violência:dedicar maior atenção à Primeira Infância é contribuir para a formação de um indivíduo mais apto à convivência social e à cultura da paz.

Nos dias 28 e 29 de novembro próximo acontecerá o 3º Fórum Debate Brasil, cujo tema é Políticas para a Primeira Infância. O objetivo desse fórum é debater sobre soluções para quebrar esse círculo de violência que vivenciamos hoje.
Mas se é para debater sobre a violência, por que o tema é a primeira infância?

3º Fórum Debate Brasil

Nesse ano, os organizadores do fórum chegaram a um consenso de que não adianta discutir o problema da violência superficialmente. A violência hoje no Brasil não está sendo mais encarada apenas como causa de outros problemas: a sociedade está acordando para o fato dela ser, por inúmeras vezes, conseqüência de outros problemas. Algumas dessas causas se encontram justamente na infância. A proposta do fórum não é debater a violência instalada, mas suas raízes, e formas de agirmos radicalmente.

Apesar da vontade dos organizadores em não simplificar demais a questão violência x causas, a verdade é que se a sociedade conhecer os fatores que predispõem a violência, mais preparada estará para eliminar essas causas, o que contribuirá para uma melhor qualidade de vida geral a médio e longo prazo.

Eu, como mãe, não posso negar a preocupação com a violência de um modo mais imediatista, torcendo e pedindo por punições exemplares, melhor preparo da Polícia, entre outros desejos.
Porém ao olhar para minhas filhas vejo que um dia elas crescerão, e esse mundo que hoje é de nossa geração será o mundo delas. Ao pensar por essa perspectiva, vejo que iniciativas como a desse debate são muito importantes.

Como cidadãos, temos o direito de requerer mais segurança; porém temos o dever de prezar pela educação dos cidadãos do amanhã. (more…)

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Diz-me quem são teus ídolos…

Tardiamente, assisti (no cinema) ao filme “Tropa de Elite“, o mais novo ícone do cinema nacional, dirigido por José Padilha. Com sua edição ágil e atuações marcantes (principalmente de Wagner Moura, André Ramiro e Caio Junqueira) cria uma estrutura poderosa que leva ao público a uma catarse digna das tragédias gregas.

Até aí tudo bem, afinal, estes deveriam ser os ingredientes básicos de qualquer filme que se propõe bem realizado. Mas, nem sempre o cinema brasileiro consegue essa comunhão com o público. Na maioria das vezes os filmes produzidos no Brasil andam em dois extremos opostos: Ou bem são filmes de entretenimento puro (leia-se padrão Globo de cinema e afins), caindo na maioria das vezes no gasto do dinheiro público em bobagens que pecam pela falta de ritmo e completamente esquecíveis após a primeira hora de exibição; ou são “filmes de arte” extremamente eruditos e, na maioria das vezes, herméticos. Raramente temos filmes que conseguem produzir “entretenimento” de boa qualidade.

Tropa de Elite” reúne todas as qualidades de um bom filme: tem ação, ritmo ágil e preciso, dramas pessoais e questiona nossa sociedade atual. É um filme que fala de “hoje” para as pessoas de “hoje”! Não oferece respostas fáceis, nem um final feliz água com açúcar. Perfeito, certo?

Cap. Nascimento

Um Herói Chamado Cap. Nascimento

Talvez o maior trunfo de “Tropa de Elite” seja, também, o seu calcanhar de Aquiles. A performance poderosa de Wagner Moura transformou se personagem no novo herói nacional. Viajando pelo país já é possível vê-lo estampado em camisetas, em capas de revistas e outros (em Brasília vi um cartaz de uma igreja que anunciava algo que se chamava “Tropa da Elite de Deus”). Na web Cap. Nascimento é uma sombra praticamente onipresente. Numa pesquisa rápida do Google Blogs , só para manter o assunto na Umbigosfera, encontrei 20.254 resultados.

O problema de toda essa unanimidade é que o Cap. Nascimento é comandante do BOPE (isso todo mundo sabe… qual é a novidade?). Ora, além de colocar à nu os problemas da violência e das Polícias no Brasil, o “nosso herói” também mata (indiscriminadamente), tortura e desrespeita os direitos civis de uma grande parcela da população. Nosso herói, no filme e como muitos na vida real, está á beira de um colapso nervoso e age como um justiceiro.

Transformar Cap. Nascimento em herói nacional é dizer, claramente, que a população concorda com a repressão indiscriminada e com a força bruta. Transformar Cap. Nascimento em herói nacional é dar carta branca aos governos que aí estão para investirem pesadamente em armamentos militares (e para-militares) e treinar homens para matar, e só!

Alguns poderiam dizer que o que a população faz, a partir de uma obra artística, não é responsabilidade do artista. Realmente. Mas, quando um artista se propõe a realizar uma obra questionadora, deve se responsabilizar pela “forma” na qual a mensagem é veiculada. Talvez um roteiro e uma edição mais precisos pudessem solucionar, de alguma maneira, essa “aura santa” criada em torno do personagem principal. Ou mesmo não lhe dar tantas justificativas para agir do jeito que age. Ou ainda, realmente, o problema não é do filme (visto que esse é um fenômeno Pop, nada mais do que isso!), mas sim “nosso”, brasileiros ávidos e desesperados por uma solução para este caos social em que estamos imersos.

E quando o desespero é muito grande, qualquer solução que vislumbramos parece ótima, mesmo que ela seja somente a repetição de uma velha conhecida: Olho por olho, dente por dente!

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